terça-feira, 27 de março de 2012

if life ain't just a joke

e cicatrizes. e marcas.

eu não estou feliz, mas me dá vontade de rir.

from the heart

eu odeio você.

quinta-feira, 22 de março de 2012

e não importa

Se você tentou, se correu atrás,
Se fez o calendário mudar, se pagou demais.

Se você chorou, se você lutou,
Se você morreu, se você voltou.

Se houveram feridas que cicatrizaram,
Se houveram feridas que nunca curaram.

Se você se afogou, se você ficou,
Se você fez tudo isso, se você amou.

Porque a única coisa que importa, no fim,
É exatamente aquilo que talvez você não possa dar.
E você vai olhar pra todo o resto e talvez pensar,
Que a vida não é mesmo justa, enquanto você continua lá.

sexta-feira, 16 de março de 2012

disenchanted

so i could watch all my heroes sell a car on tv

E então a barba cerrada e bem desenhada, os olhos claros espremidos nos cantos por causa do sorriso. Aquele sorriso. Diferente dos outros, iguais a tantos outros. Sorriso de quem sente pena. Sorriso de quem acha que sabe de tudo, de quem acha que entende tudo. Aquele sorriso de quem assente do alto da superioridade dos anos, dos cargos, dos títulos.

A minha vontade era dizer “você é um grande babaca, sabia?”.

Mas tudo o que eu disse foi “não é assim”.

Você acenou a cabeça, ainda sorrindo e ainda julgando, ainda afirmando de acordo com os seus conceitos – e talvez de acordo com os conceitos da maioria. E foi ali, naquele exato momento, que eu soube que você tinha morrido.

Doeu muito mais do que eu esperaria.

gwen

Eu sei que o horário é ruim, mas foi o único que eu consegui pra sua agenda tão ocupada, e com isso eu não quero dizer que você não tem tempo pra mim, eu só quero dizer que você é mesmo uma pessoa importante, de muitos compromissos, é por isso que eu gosto de você, porque você é organizado e consegue sempre arranjar um horário, e eu sei que você não faz isso por pena, eu sei que você gosta de mim, desculpe, estou sendo muito convencida, mas não pense isso, eu só quero dizer que reconheço o que você sente por mim, e que isso me deixa realmente feliz, porque eu gosto mesmo de você, mas não desse jeito, de gostar-gostar de você, eu gosto de você como gosto de um amigo, não que isso signifique que eu jamais gostaria de você de outra forma, eu só estou dizendo que gosto de você como amigo, não, eu realmente acho que alguém pode gostar de você de outra forma, eu até gostaria de você dessa forma, porque você é bonito, e engraçado, e parece sempre querer salvar o mundo, e não, eu quero dizer que você é uma boa pessoa, e não que é alguém pretensioso, eu não te acho pretensioso, eu te acho muito altruísta, e eu comecei a falar isso tudo porque eu realmente gosto de você e não queria que você pensasse que não gosto de você e- acho melhor parar de falar, sim.

bedtime

Aí eu fiquei chateada. E passou tanta coisa ruim pela minha cabeça só porque eu fiquei chateada! E eu fiquei chateada pelo tom de voz, pelo contexto, pelo que aquilo poderia significar, sabe? Bem, talvez não saiba. De qualquer forma, poderia significar não é a mesma coisa que significa. Eu tento me lembrar desse tipo de coisa quando esse outro tipo de coisa acontece. E às vezes não dá. Ou às vezes eu demoro a lembrar. E até que eu lembre, fica essa sensação ruim no peito, e essa vontade, boba até, de chorar sozinha no meu travesseiro até dormir.

quarta-feira, 14 de março de 2012

what logan said

Em algum momento das nossas vidas a gente comete a idiotice de ouvir o Mr. Echolls. E por mais que a gente dispense as vidas arruinadas e os derramamentos de sangue, a gente deseja, lá no fundo, que atravesse anos e continentes. A gente deseja que seja épico.

E então começa a tocar aquela música dos sinos, e o cara de quem você nunca esperaria ouvir uma declaração de amor diz a coisa mais genial de todos os tempos, do jeito dele, dramático feito ele, romântico ao estilo dele. E os sinos continuam a tocar, felizes e triunfantes. E você acha que eles vão se beijar, porque depois daquele discurso não tem como ela ir embora – quer dizer, quem não quer isso?

E é ali, naquele momento em que você espera eles se beijarem, que você concorda com o que ele disse. Você quer que eles se beijem porque você sabe que seria épico se fosse assim. Você espera. Você espera. Você espera.

Porque ninguém escreve canções sobre os que vêm fácil. E conforme os dias passam você percebe que é exatamente assim.

é,

obrigada por ter estado aqui essa noite. não mudou muita coisa, mas foi importante pra mim.
eu também amo você.

segunda-feira, 12 de março de 2012

it's clear in my head

knowing nothing is better than knowing at all

on my own

domingo, 11 de março de 2012

the forest again

there's so many wars we fought,
there's so many things we're not,
but with what we have,
i promise you that,
we're marching on

Um dia eu parei de acreditar que as pessoas valiam a pena, até que eu conheci vocês. E depois de anos eu voltei a rir sem achar que estavam rindo de mim; eu voltei a abraçar sem medo de parecer uma garota maluca; eu voltei a me relacionar como se isso não fosse ruim.

E aí vocês vieram e estragaram tudo. E aí vocês vieram e encontraram algo maior pelo que lutar. Não importava o preço.

Em algum momento vocês prometeram. E eu odeio vocês por não cumprirem essa promessa. E odeio mais ainda por vocês acharem que tudo o que eu fiz foi ir embora - "porque é isso o que ela sempre faz". E odeio ainda mais por não enxergarem o quanto vocês me machucaram. E odeio ainda mais por terem deixado as coisas chegarem nesse ponto pra fazer o que eu pedi e implorei por meses.

Eu odeio vocês porque quando eu fui pra merda daquela floresta aceitar o meu destino, vocês não estiveram comigo until the very end - e vocês odiaram a única pessoa que esteve.

sexta-feira, 9 de março de 2012

this picture

Flu,

Hoje é um daqueles dias em que a memória das folhas secas me vem com mais lembrança. O cheiro de cigarro, chocolate e caderno novo. Sua letra fina no meio da página, como uma anotação ou um lembrete de algo que eu sei que você gostaria que eu levasse para o resto da vida.


É um daqueles dias em que acreditar parece difícil. Quase impossível. Por causa daquelas malditas forças das quais a gente falava no meio da madrugada, lembra? Que parecem fazer o mundo ficar mais lento, de modo que até o que é estático pareça ainda mais sem movimento.


Eu comecei a rasgar papéis por causa disso. Porque eu sabia que precisava me mover. Porque eu sabia que, se eu não fizesse assim, não ia demorar pra eu começar a sentir o peso da gravidade, o peso nos ombros, o peso na vida. Mas acho que não deu muito certo. Anote isso, querida: rasgar papéis não ajuda; só faz você pensar em como é possível sentir alívio destruindo coisas.


Então eu parei. E foi como se o tempo parasse. E foi aí que eu lembrei daquele dia. Das folhas secas. O dia d’A passagem. Lembrei das grades azuis dos portões e dos teus olhos cor-de-vinho. Os olhos tristes, e aquele sorriso quebrado. Eu lembrei de como o tempo parecia passar devagar aquele dia. Tão devagar que dava pra ver as partículas da poeira da calçada dançando no ar. Suas franjas caindo nos olhos, e nossas jeans completamente sujas – como se a gente realmente fosse se importar.


As folhas também pareciam cair devagar, Flu. Era como se a gente não existisse. Era como se a gente estivesse num lugar diferente do tempo e do espaço, num lugar diferente do mundo, onde ninguém mais além de nós duas era capaz de entrar – e, exatamente por isso, ninguém mais poderia ver.


Hoje eu me senti assim de novo. E você se lembra do que aconteceu naquela noite, não lembra?


(ela acreditava em anjos, e por acreditar eles existiam)

Eu preciso acreditar que ninguém nunca quer isso de verdade.

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