quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

tão sutil que talvez passe despercebido

22.12.2010

22.12.2011

 

 

#1

Talvez eu tenha te reconhecido muito antes de você sequer me ver, mas, sejamos honestas, comigo é sempre assim. Eu sempre encontro pessoas que nunca vi em toda a minha vida como se elas estivessem lá desde sempre, e acho que com você não seria diferente - exceto, talvez, pelo fato de que senti borboletas no estômago quando te abracei. E de certa forma foi bem como eu havia imaginado setenta e oito dias antes.

 

#2

Your lipstick stains, e eu sabia que cantaria até o fim. E eu decidi desviar o olhar de você porque tinha medo da sua reação, então fiquei encarando o mar enquanto te percebia pela visão periférica, te segurando pelas beiradas dos meus olhos que fugiam do menor sinal de dor. E então eu continuei cantando, e devo ter desafinado e lembro de ter sorrido, e eu não sei se você sabia, e eu duvido que soubesse o tanto que sabe hoje, mas eu deixei de cantar contigo pra cantar pra você.

 

Quatrocentos ou mais quilômetros de distância, e seus lábios tocaram o lado esquerdo do meu cérebro antes mesmo de você pisar no mesmo estado que o meu, mas a música acabou, e com o fim dela veio o silêncio do teu choro, e pra cobrir o silêncio do teu choro eu ofereci meu ombro, eu te abracei, eu fiquei com medo de te perder e acho que foi por medo que perguntei - “você ainda quer que eu seja a tua Mari?”.

 

Um aceno de cabeça, e eu te beijei.

 

#3

Ali, de mãos dadas contigo, a gente olhando o céu ficar escuro sobre nossas cabeças e sobre a cidade logo atrás, eu só conseguia pensar que poderia ficar daquele jeito pra sempre.

 

E o pensamento continuou enquanto nossas mãos dadas continuaram pelo calçadão de Ipanema, às 19:36 da noite, em direção ao metrô.

 

E o pensamento continuou enquanto as mãos dadas se estenderam num abraço de dezessete estações, sem que os dedos se soltassem por muito tempo.

 

E o pensamento continuou mesmo com a chuva, por causa da chuva, até o momento em que eu parei no meio da calçada, em frente à igreja, e você que continuava o caminho foi puxada por mim. E ali eu não era mais a Mari, e ali eu sabia que seria o último, e ali eu sabia que estava mesmo acabando, e-.

 

Eu te beijei.

 

E de alguma forma eu tive certeza, aquilo ficaria comigo pra sempre.

 


#4

16:57 - Um ano, agora. Você ainda quer que eu seja a tua Mari? (L)

16:59 – Pra sempre (L)

 

Um comentário:

.laurel. disse...

coisa mais linda <3

infinitos anos para vocês :)