sábado, 31 de dezembro de 2011

my world begins again


So take these words, and sing out loud.


E em 2009 eu abri o blog e comecei a escrever. Escrevi muito, escrevi tudo – cada braistorm que me tirou o sono, cada ideia que me perseguiu, cada pequena coisa que me incomodou ou que deixou feliz.

Mas em 2009 faltou muita coisa. Pra ser mais exata, faltou que eu registrasse muita coisa. E foi por isso que eu desejei que 2010 me desse tudo o que 2009 não havia me dado - e tudo o que eu não havia conseguido tirar de 2009. Eu desejei que todos os dias fossem cordas de salvação, e desejei tempestades para enfrenta-las com capas de chuva – ou então com o peito aberto e a vontade de lavar a alma.

E em 2010 o que não faltou foram tempestades. As da primeira semana de janeiro, que fizeram montanhas desabarem em Angra dos Reis; as de abril, que deixaram o Rio de Janeiro embaixo d’água, ou que me deixaram com o peito em amargura por todas as coisas que fui forçada a fazer; as que trouxeram mudanças em junho, em julho, em agosto; as que tanto me fizeram chorar em outubro e novembro; e finalmente as tempestades mais gostosas, as de dezembro - aquelas que me fizeram lavar a alma na São Francisco Xavier, durante o último beijo da noite, e que me fizeram admirar Florianópolis ainda mais. E foi por enfrentar tempestades ou aceita-las que eu desafiei 2011.

Eu disse que não importava o quanto 2011 tentasse me fazer desistir, eu continuaria. Eu disse que não importava o quanto minha felicidade tentasse correr pra longe de mim, dos meus dedos, eu não desistiria dela, eu a alcançaria de novo, e a gente brincaria de pega-pega porque ela era arisca por natureza, mas que eu sabia que conseguiria. Eu sabia. Eu sabia.

E 2011 foi assim. Um ano difícil. Um ano em que eu tive a felicidade nas minhas mãos mais vezes do que eu poderia contar, mas assim como eu havia anunciado, ela sempre tentou fugir. Houve conquistas, muitas delas, mas também muitas derrotas. Eu me esforcei, eu corri atrás, eu levei muito esporro, de muita gente, eu mudei muito rápido, eu fiz sacrifícios, eu errei muito, tanto!, eu me afastei, eu discuti, eu estudei, eu acusei, eu abracei, eu viajei, eu ri, eu chorei, chorei muito, eu ri ainda mais, eu me diverti, eu fui empurrada pra baixo, colocada no meu limite, eu adoeci, eu fui julgada, eu respirei fundo, eu continuei. 2011 foi um ano intenso, tanto nas alegrias quanto nas tristezas – e talvez por isso pareça ter sido mais ruim do que bom, mas não foi. A felicidade continua nas minhas mãos, e ela não sairá daqui tão cedo.

2011 foi um ano em que tentaram me fazer, mas não conseguiram. Eu me fiz. Eu me fiz com a ajuda dos outros, sim, mas eu me fiz, e eu me fiz por mim, acima de tudo. 2011 foi um ano realmente difícil. Mas agora eu estou aqui, pronta por causa dele, pronta pro ano seguinte.

É por isso que pra 2012 eu deixo apenas um aviso, mas que eu gosto de pensar como uma promessa (só uma): agora é a minha vez.

Feliz ano seguinte ♥

domingo, 25 de dezembro de 2011

eu não sei mais

"Mas eu só estou conversando sobre isso tudo com você, filho, porque meu único medo é que ela acabe entrando num mundo do qual ela não consiga sair".

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

tão sutil que talvez passe despercebido

22.12.2010

22.12.2011

 

 

#1

Talvez eu tenha te reconhecido muito antes de você sequer me ver, mas, sejamos honestas, comigo é sempre assim. Eu sempre encontro pessoas que nunca vi em toda a minha vida como se elas estivessem lá desde sempre, e acho que com você não seria diferente - exceto, talvez, pelo fato de que senti borboletas no estômago quando te abracei. E de certa forma foi bem como eu havia imaginado setenta e oito dias antes.

 

#2

Your lipstick stains, e eu sabia que cantaria até o fim. E eu decidi desviar o olhar de você porque tinha medo da sua reação, então fiquei encarando o mar enquanto te percebia pela visão periférica, te segurando pelas beiradas dos meus olhos que fugiam do menor sinal de dor. E então eu continuei cantando, e devo ter desafinado e lembro de ter sorrido, e eu não sei se você sabia, e eu duvido que soubesse o tanto que sabe hoje, mas eu deixei de cantar contigo pra cantar pra você.

 

Quatrocentos ou mais quilômetros de distância, e seus lábios tocaram o lado esquerdo do meu cérebro antes mesmo de você pisar no mesmo estado que o meu, mas a música acabou, e com o fim dela veio o silêncio do teu choro, e pra cobrir o silêncio do teu choro eu ofereci meu ombro, eu te abracei, eu fiquei com medo de te perder e acho que foi por medo que perguntei - “você ainda quer que eu seja a tua Mari?”.

 

Um aceno de cabeça, e eu te beijei.

 

#3

Ali, de mãos dadas contigo, a gente olhando o céu ficar escuro sobre nossas cabeças e sobre a cidade logo atrás, eu só conseguia pensar que poderia ficar daquele jeito pra sempre.

 

E o pensamento continuou enquanto nossas mãos dadas continuaram pelo calçadão de Ipanema, às 19:36 da noite, em direção ao metrô.

 

E o pensamento continuou enquanto as mãos dadas se estenderam num abraço de dezessete estações, sem que os dedos se soltassem por muito tempo.

 

E o pensamento continuou mesmo com a chuva, por causa da chuva, até o momento em que eu parei no meio da calçada, em frente à igreja, e você que continuava o caminho foi puxada por mim. E ali eu não era mais a Mari, e ali eu sabia que seria o último, e ali eu sabia que estava mesmo acabando, e-.

 

Eu te beijei.

 

E de alguma forma eu tive certeza, aquilo ficaria comigo pra sempre.

 


#4

16:57 - Um ano, agora. Você ainda quer que eu seja a tua Mari? (L)

16:59 – Pra sempre (L)

 

sábado, 17 de dezembro de 2011

tag cloud

Quando eu tinha doze anos, ainda acreditava em nomes - melhores amigos, namoradinho, rockeira, insira aqui um outro título. Mas aí, quando a ideia do namoradinho se perdeu num monte de boatos de escola e olhares de esguelha, quando os melhores amigos caíram por causa de fofocas aleatórias, e quando rockeira se tornou algo parecido com gente maluca, eu deixei de acreditar em nomes. Alguns deles machucavam mais do que traziam algum benefício, do tipo sentar sozinha durante o resto do ano, e ter como seus únicos amigos uma professora de Geografia e um professor de Matemática, que te viam chorar enquanto as pessoas se ocupavam em rir e fazer piadas só pelo fato de eu existir. Atravessar o corredor já era motivo de olhares e fofocas, piadas e xingamentos sutis.

É claro que eu nunca falei com meus pais sobre isso - e com ninguém, nem mesmo com meus professores -, sobre como eu me sentia.

Só porque eu parei de demonstrar qualquer coisa pra qualquer um deles, como se eu não ligasse e estivesse acima de tudo aquilo, não significa que não doía.

Ainda dói um pouco.


(mas acho que foi ali que eu decidi que não deixaria mais ninguém dizer por mim o que - ou quem - eu era. não importasse o quanto doesse)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

(não) relacionados

6/dez – 9h

 

Enquanto setembro, outubro e novembro passavam voando, em algum lugar do tempo-espaço havia dias 11 e 15 e 27 acontecendo de novo, repetidas e incontáveis vezes, para que o presente continue como está.

 

E eu não posso evitar. Eu sempre volto no tempo.

 

Fecho os olhos, e de repente lá estou eu. Encostada entre dois carros, do outro lado da rua, atrás de uma árvore, olhando pelo vidro de uma loja, de um restaurante, sentada na mesa do canto.

 

Parece estranho, eu sei. Parece assustador, e eu entendo. Mas é a verdade. Às vezes eu só vejo a mim mesma e a tela do computador, e é como se eu fosse um fantasma, alguém invisível. Às vezes eu ouço minha própria voz e minha risada, e de repente toda aquela conversa faz sentido de novo, como se eu estivesse revivendo aquilo e sentindo as mesmas coisas.

 

Às vezes eu sento do seu lado enquanto você está se sentindo sozinha e sinto vontade de te abraçar, mas sei que não posso. Se não está no script, não pode acontecer assim.

 

Às vezes eu sento no meio-fio pra ver o carro parado no meio do caminho, sem gasolina, as chaves caindo, as risadas antes do jantar. Às vezes eu vejo o momento da foto, e é como se eu a estivesse tirando. A gente tão perto, e vocês não me vendo, mas sorrindo, e finalmente, e só assim, o shuffle acontece.

 

Às vezes eu passo de um cômodo para outro, e isso significa passar de um bairro para outro, e uma cidade para outra, e um estado para outro. E de repente Hiroshima se anuncia, e acontece a explosão atômica que deu fim e início a tudo – como a própria explosão que fez surgir o universo.

 

Eu abro os olhos de novo. E tudo o que vejo são ruínas.

 

6/dez – 11h

 

Eu rodopio no pátio enquanto os olhos dela se enchem de lágrimas (mas às vezes não tem lágrimas, e ela fica com aquele sorriso que faz eu me apaixonar de novo), e esse é o único momento em que eu sinto o mundo girar – quando eu estou girando com ele.

 

7/dez

 

Corre.

 

Pra pegar o ônibus, pra não perder o semestre, pra mudar de telefone.

 

Só corre. Vai atrás, não desiste, busca, insiste, ignora o resto, mantenha o foco, são só 19:30, e na verdade ele só vai às 21h, não tem internet, não tem laboratório, não tem ninguém, e você está cansada, querendo dormir, tendo que estudar, pensando em correr, então corre, talvez dê tempo de mudar as linhas, conseguir minutos, conseguir tempo, gastar uma grana que valha a pena, que faça sentido, então corre, você consegue, por sorte, por coisa de um dia, e você vê que vai dar tempo, e você está aliviada, e você corre, pra não perder o ônibus, e desvia de carros, e ouve gente xingando, e avança o sinal vermelho, e perde o ônibus, e espera outro, e espera o troco, e encontra alguém, e se distrai, e desce do ônibus, e esquece o troco, e corre atrás da nota, atrás da frequência, atrás da aprovação, e consegue, e corre atrás de um número, de uma pessoa, chamadas perdidas, e lembra do troco, e se frustra, e corre, e dá as boas notícias, e ouve aquelas notícias, e de repente um cansaço de correr, e procura os fones de ouvido, e os fones foram esquecidos, e a cabeça dói, e você quer chegar em casa, mas você já não corre mais, deixa seu corpo ir embora, deixa seu corpo ser levado, encosta a cabeça na poltrona e se deixa ir, desce do ônibus e espera de novo, espera, espera, espera, até que vem o próximo, e você continua cansada de correr, olhos fechados, seu ponto final, sua rua molhada de chuva, a porta da sua casa, um banho gelado, o barulho da chuva, a sua cama, dezembro saltando do seu peito, e você chora, você chora, você chora.

 

Porque você tem corrido, e você tem corrido tanto, mas você tem corrido pra quê?

Não corre.

Agora é hora de dormir.