sexta-feira, 28 de outubro de 2011

to sir, with love

Uma das coisas que mais admiro no meu chefe é a maneira como ele vê e trata uma equipe. Ele tem esse pensamento de que o erro de um é o erro de todos, mas ao mesmo tempo ele reconhece os limites de responsabilidade de cada um, de modo que um não seja responsabilizado pelo erro do outro. A única exceção é ele mesmo. Um erro da equipe, é um erro dele. E essa é uma postura que eu considero... nobre. Eu sei de histórias de chefes que viram seus funcionários cometendo erros e que deixaram "a corda arrebentar para o lado mais fraco", mas com meu chefe não é assim. Ele não deixa a corda arrebentar, ele vai até o fim pelos funcionários dele se ele realmente acreditar que há pelo que lutar, se ele realmente acreditar que o funcionário dele fez tudo o que estava ao alcance, se ele realmente acreditar na equipe dele.

É com esse cara que eu trabalho todos os dias, e é uma postura assim que eu quero ter como profissional, que eu tento ter como profissional. Não é que ele tolere tudo, porque ele não tolera. Não é que ele seja tolo por acreditar em funcionário, é só que ele reconhece e sabe até onde vai a responsabilidade de cada um - inclusive a dele. É uma visão que muita gente não tem, é uma visão muito ampla das pessoas e das situações do dia-a-dia, que muita gente não tem. Ele conhece os limites. Pode não ser um cara perfeito - eu não o conheço a fundo, mas ele certamente não é um cara perfeito (acho que ninguém, afinal) -, mas ele sabe sobre aquilo o que realmente interessa para ser um bom líder.

Ele não sacrifica ninguém. Ele não acredita em medidas messiânicas - quer dizer, Jesus morreu para nos salvar e olha onde estamos hoje -, mas sim em soluções práticas, as mais justas possíveis para ambas as partes. Ele não acredita que pessoas devam ser passadas pra trás, ou que suas opiniões devam ser desconsideradas em situações que dizem respeito a elas. Ele não tem medo de tomar decisões que podem ser mal interpretadas se ele realmente tem consciência de que o que está fazendo é o certo - na real, ele deixa as pessoas falando sozinhas, se o assunto for sobre ele. E mesmo quando ele não concorda com alguma decisão superior, ele acata e obedece, porque ele também sabe respeitar - aquilo o que falei sobre conhecer os limites. Ele não deixa de expor seus argumentos, ele não deixa de partilhar sua opinião, mas ele respeita todas as decisões que vem de cima dele. Ele é meu exemplo.

E eu sei que tenho sorte. Talvez meu chefe seja um em um milhão, e talvez não haja mais tanta gente boa assim no mercado, o que é um pouco triste de se pensar. Tudo o que sei é que no dia que eu sair dali - ou no dia que ele sair dali -, estarei perdendo um excelente colega de trabalho e respeitável superior, que acabou me ensinando muitas coisas - mesmo sendo ele tão distante, num geral -, e que acabou me deixando muito mal acostumada, também, por acreditar que essa exceção de comportamento pode vir a ser regra - e talvez ela nunca se torne uma regra.

Um dia eu agradeço a ele por tudo.

Um comentário:

Giu disse...

léo (L)
eu também quero um desses pra mim. ._.