segunda-feira, 17 de outubro de 2011

releitura


I

Quando os primeiros acordes dessa música tocam, lembro de todas as vezes que procurei ansiosa o telefone, esperando ver seu nome nele. Um pequeno solo de guitarra servindo de introdução para dizer que a vida é linda, e que amamos até morrer. Coisas que fazem todo o sentido do mundo se eu olho pra nós há alguns meses e hoje. Sentimentos de vidas passadas, e a certeza de que você esteve lá por mim um dia, numa outra época. Nossas mãos entrelaçadas, e a certeza de que seria pra sempre. De que você lutaria por mim até o fim, não importa com quem fosse. 

Nunca deixei a música terminar, assim como nunca deixei o que eu sentia por você morrer. Mesmo quando os tempos pareciam tão difíceis. Mas é que eu sei que todas as flores do mundo gostariam de ser como as carnívoras. Até você.

II

É bem provável que eu vá me despedir de você centenas de vezes, ainda, numa tentativa de te deixar velejar em paz. Eu só espero que um dia eu consiga – me despedir e nunca mais te procurar de novo; eu espero que você consiga – sair desse continente e nunca mais voltar.

III

Fecho os olhos. Encontro você há dias de distância de mim, voltando no tempo e seguindo à frente dele, tique-taques de relógio e riscos no calendário, deixando cair sobre o corpo todas as chuvas do inverno, e todas as chuvas do verão. Achando engraçado como somos um amor de poucas primaveras e raros outonos. Marcado pelo compasso de ponteiros em segundos, em minutos, em milênios. Repleto de vestidos de época e all stars, de pedras que invadem o mar, e de mar que encontra a pedra do Arpoador. De arco-íris no meio da tempestade. Fecho os olhos e encontro você. Não importa onde, não importa quando. Só encontro. E é real.