sexta-feira, 28 de outubro de 2011

sobre templos e templários

Esses dias o pai tava conversando com a mãe sobre uns problemas lá da igreja. Eu fiquei ouvindo não porque queria ficar sabendo de fofocas, mas sabe quando você tá fazendo uma coisa e ouve o trecho de uma conversa que simplesmente te chama a atenção e tu não consegue parar de ouvir? Foi bem assim. Acho que eu estava ou escovando os dentes, ou saindo do banho, e eles estavam falando sobre como minha tia - irmã da minha mãe - parecia confundir religião com política, sendo que o tom do meu pai era o de crítica e reprovação, e isso me fez pensar.

Tem semanas que eles - todos os três - estão falando em tirar de lá uma irmã que ficou "no poder" durante uns vinte anos. Parece que ela estava fazendo uma série de coisas erradas, administrativamente falando - a começar pelo fato dela administrar uma igreja, quando isso é função dos padres, dentro da arquidiocese -, mas que ela só fazia porque de certa forma era protegida pelo bispo - ou por alguém do alto clero -, que era seu primo.

Diante desse quadro, como meu pai pode simplesmente dizer que é minha tia quem está confundindo as coisas  ali quando as coisas são, claramente, políticas, dentro da igreja? Eu entendo a visão dele de que você não deve tornar a igreja uma espécie de campo de batalha porque, no fim, todos estão ali pelo mesmo motivo, que é adorar a Deus. Eu vivi dentro da igreja tempo o suficiente para ouvir e decorar esse discurso. Mas o que eu gostaria que ele entendesse é que não dá pra colocar sempre Deus na frente de todas as coisas, especialmente se você vê umas coisas que considera bem erradas. Não foi o que fizeram com a tal irmã, afinal? Ela estava fazendo coisas erradas, identificaram isso, e colocaram ela pra fora.

Ele pode alegar que ela saiu por motivos litúrgicos, mas minha tia também estava usando argumentos litúrgicos para defender a questão dela. Ele, vez ou outra, diz que ela está distorcendo a palavra - mas até que ponto ele mesmo não faz isso para justificar os atos da arquidiocese num geral, por exemplo? Eu sei - e talvez todo mundo saiba - que tiraram a irmã dali não por questões litúrgicas, mas sim políticas - porque todos os problemas com ela eram administrativos, e não espirituais.

Eu gostaria de dizer isso pra ele um dia, sem que isso significasse eu ter minha opinião diminuída por não fazer mais parte daquilo, daquele universo. Eu posso não compreender todo o mistério da fé, como ele gostaria que eu compreendesse, mas ele também não pode negar que ao menos nesses últimos anos eu acabei aprendendo algo sobre a a língua dos homens e a ciência - e que só por isso eu deveria ter o direito de falar; e ele, a paciência de ouvir.


to sir, with love

Uma das coisas que mais admiro no meu chefe é a maneira como ele vê e trata uma equipe. Ele tem esse pensamento de que o erro de um é o erro de todos, mas ao mesmo tempo ele reconhece os limites de responsabilidade de cada um, de modo que um não seja responsabilizado pelo erro do outro. A única exceção é ele mesmo. Um erro da equipe, é um erro dele. E essa é uma postura que eu considero... nobre. Eu sei de histórias de chefes que viram seus funcionários cometendo erros e que deixaram "a corda arrebentar para o lado mais fraco", mas com meu chefe não é assim. Ele não deixa a corda arrebentar, ele vai até o fim pelos funcionários dele se ele realmente acreditar que há pelo que lutar, se ele realmente acreditar que o funcionário dele fez tudo o que estava ao alcance, se ele realmente acreditar na equipe dele.

É com esse cara que eu trabalho todos os dias, e é uma postura assim que eu quero ter como profissional, que eu tento ter como profissional. Não é que ele tolere tudo, porque ele não tolera. Não é que ele seja tolo por acreditar em funcionário, é só que ele reconhece e sabe até onde vai a responsabilidade de cada um - inclusive a dele. É uma visão que muita gente não tem, é uma visão muito ampla das pessoas e das situações do dia-a-dia, que muita gente não tem. Ele conhece os limites. Pode não ser um cara perfeito - eu não o conheço a fundo, mas ele certamente não é um cara perfeito (acho que ninguém, afinal) -, mas ele sabe sobre aquilo o que realmente interessa para ser um bom líder.

Ele não sacrifica ninguém. Ele não acredita em medidas messiânicas - quer dizer, Jesus morreu para nos salvar e olha onde estamos hoje -, mas sim em soluções práticas, as mais justas possíveis para ambas as partes. Ele não acredita que pessoas devam ser passadas pra trás, ou que suas opiniões devam ser desconsideradas em situações que dizem respeito a elas. Ele não tem medo de tomar decisões que podem ser mal interpretadas se ele realmente tem consciência de que o que está fazendo é o certo - na real, ele deixa as pessoas falando sozinhas, se o assunto for sobre ele. E mesmo quando ele não concorda com alguma decisão superior, ele acata e obedece, porque ele também sabe respeitar - aquilo o que falei sobre conhecer os limites. Ele não deixa de expor seus argumentos, ele não deixa de partilhar sua opinião, mas ele respeita todas as decisões que vem de cima dele. Ele é meu exemplo.

E eu sei que tenho sorte. Talvez meu chefe seja um em um milhão, e talvez não haja mais tanta gente boa assim no mercado, o que é um pouco triste de se pensar. Tudo o que sei é que no dia que eu sair dali - ou no dia que ele sair dali -, estarei perdendo um excelente colega de trabalho e respeitável superior, que acabou me ensinando muitas coisas - mesmo sendo ele tão distante, num geral -, e que acabou me deixando muito mal acostumada, também, por acreditar que essa exceção de comportamento pode vir a ser regra - e talvez ela nunca se torne uma regra.

Um dia eu agradeço a ele por tudo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

começou assim


then love will tear us apart



(joy division | fall out boy cover)

when routine bites hard
and ambitions are low
and resentment rides high
but emotions won't grow
and we're changing our ways
taking different roads

then love, love will tear us apart, again
love, love will tear us apart, again

why is the bedroom so cold?
you've turned away on your side
is my timing that flawed?
our respect runs so dry
yet there's still this appeal
that we've kept through our lives

but love, love will tear us apart, again
love, love will tear us apart, again

you cry out in your sleep
all my failings exposed
and there's taste in my mouth
as desperation takes hold
just that something so good
just can't function no more

but love, love wil tear us apart, again
love, love will tear us apart, again
love, love will tear us apart, again
love, love will tear us apart, 

again.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

[pause] ... [stop]

A primeira coisa que pensei quando vi a sua foto foi "Mas esse garoto tem a cara do Michael Cera!", e aí, como Juno, acabei me apaixonando e-. Não. Mas eu pensei mesmo que você tinha a cara dele.

Com o tempo, descobri que não era só a aparência, você tinha também todo o jeito dele em Nick and Norah's Infinite Playlist, você tinha aquela doçura que eu sempre achei muito bonitinha. E o fato de você gostar de Beatles me fez te mostrar uma das minhas cenas preferidas do livro, quando eles falam sobre todo o significado de "I Wanna Hold Your Hand", porque eu achei que tu fosse gostar. E acho que você gostou, no fim.

Você perguntou se eu já tinha escutado a música, e eu disse que não a original, só a versão de Glee. Você disse que a original não era tão legal, e que você tinha ficado muito feliz de terem gravado na versão de Across the Universe, que a versão era linda e eu precisava ver. Você me mandou o link dela, disse que tinha cenas do filme, mas que eu não precisava me preocupar porque não tinha tantos spoilers. Eu vi o vídeo, me apaixonei pela versão – e dessa vez de verdade -, e acho que foi ali que eu decidi que te chamaria de Nick.

x

Em algum momento, você passou a me chamar de Norah, e eu perguntei se você se você fazia alguma ideia de quem ela era, pra estar me chamando daquele jeito. Quer dizer, Nick e Norah são o casal do livro e do filme, e não era como se fôssemos ou quiséssemos ser alguma coisa – qualquer coisa – parecida com isso. Mas acho que você não sabia, e eu também não ligava, porque no fim eu achava a relação dos dois muito legal, independente da pegação – eu sempre acreditei que Nick e Norah pudessem ser bons amigos, se quisessem ser apenas isso.

Mas então você já era muitas pessoas dentro de uma só, e então passou a ser meu Nick. Não que você fosse meu – você não é de ninguém, a não ser de si mesmo -, mas o cara que eu via era doce como o Nick, era legal como Nick, era divertido como Nick, era atrapalhado como Nick, e como só eu via a tal relação entre vocês, tem mais a ver com a minha visão de você, do que você ser, de fato, meu – ou de alguém.

De qualquer forma, eu realmente gostava desse casa. Ele era o cara que eu adorava chamar de amigo, o cara que eu gostava de encher o saco, o cara com quem eu queria sentar pra tomar um porre junto só porque seria muito engraçado; ele também era o cara que perguntava da minha faculdade, o cara que eu não conversava muito, mas que os poucos minutos conversando valiam o tempo sem se falar, e era o cara para o qual eu fiquei devendo muitos textos falando sobre o quão legal ele era e podia ser – a ponto de parecer que eu não me importava tanto com ele como eu me importava.

Esse era o Nick, e esse era você.

E, de verdade, eu ainda acho que esse cara seja você. Eu ainda acho que você é assim, doce, divertido, alegre. Mesmo que isso não tenha durado tanto tempo com ela, mesmo que você não seja mais assim comigo.

Só porque você deixou de ser o meu Nick, não significa que você tenha deixado de ser todas as coisas que eu via em você e que me faziam lembrar dele. Você ainda é o cara da descrição acima. Foi nossa playlist infinita que acabou sendo um fiasco, e ficou só naquela primeira música. I wanna hold your hand.

Mas acho que tá tudo bem pra quem não seguiu o canon desde o início, não é?

Se cuida.

Norah.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

um minuto de silêncio para Rachel Berry

Aí está você, garota. Tem pouco mais de um ano desde a última vez que nos encontramos, você estava sentada nas arquibancadas chorando sozinha, secando rápido os olhos com as costas das mãos porque estrelas não choram em público. Você sabia que tinha talento, e por causa disso eu acreditei em você. Você disse que queria fazer as coisas certas, pra variar, e eu acreditei em você. Acreditei tanto que te desejei solos - e quem sabe assim você não conseguiria se provar?
 
Rachel. Eu sei que você é boa. Não fui a primeira a dizer isso, e também não serei a última, mas sei que você é muito boa. E eu não te culpo pelo seu último papel, de verdade - aliás, parabéns por ele. Mas eu culpo a Deus. Foi ele quem decidiu que de todos os momentos possíveis para terem uma luta justa contigo, o momento seria exatamente aquele no qual você merecia. E isso só faz parecer que estavam tentando te roubar algo, que a vitória do outro é menor, que a vitória do outro sequer deveria ter acontecido!
 
Foi Deus, Rachel, quem deixou passar tantas oportunidades de criar talentos iguais aos seu. É tudo culpa dele. Então, com isso em mente, eu espero que você não se ofenda quando seu nome for citado pra exemplificar suas atitudes. Você é a filha a quem ele concedeu tudo, você é a filha com mais tempo em cena, cuja voz soa mais vezes, e sei que nem sempre é porque você quer, mas sim porque é assim que ele deseja. Só que por ser a tão adorada filha, é seu nome que aparecerá tantas e tantas vezes, então não leve a mal quando isso começar.
 
Não é que você não mereça. Mas só porque ele te fez assim, dona de tantos talentos, não significa que você mereça mais. É injusto com os outros que tentam,  é injusto com os outros que se esforçam e que não foram presenteado com os seus dons. Eles também estão ali, eles também se sacrificam, eles também ficam frustrados, e magoados, e- Mas eles são esquecidos. Porque a melhor história é a sua, porque o melhor alcance vocal é o seu, porque você veio diretamente da Broadway, porque porque porque. E são muitos porquês, mas nenhum que justifique, de verdade, o fato de todos os outros parecerem menores que você - quando não são.
 
Rachel. Eu só vou acreditar que você mudou quando você tiver mudado de verdade. Não é a primeira vez que você tem uma bela epifania e parece finalmente ter entendido tudo o que vem fazendo de errado. Eu só vou acreditar em você quando eu deixar de ver a garotinha mimada, arrogante, manipuladora e egoísta na minha frente. E até lá, eu fico aqui. Acreditando que baby, you're a firework, mas que isso não a faz mais merecedora de nada. Sinto muito, mas não faz. O fato de você ser um destaque não deveria fazer com que os outros fossem tratados de qualquer maneira. Isso não é justo, Rachel. Definitivamente não é.
 
Um minuto de silêncio, por favor. Eu gostaria de ouvir as vozes dos outros.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

releitura


I

Quando os primeiros acordes dessa música tocam, lembro de todas as vezes que procurei ansiosa o telefone, esperando ver seu nome nele. Um pequeno solo de guitarra servindo de introdução para dizer que a vida é linda, e que amamos até morrer. Coisas que fazem todo o sentido do mundo se eu olho pra nós há alguns meses e hoje. Sentimentos de vidas passadas, e a certeza de que você esteve lá por mim um dia, numa outra época. Nossas mãos entrelaçadas, e a certeza de que seria pra sempre. De que você lutaria por mim até o fim, não importa com quem fosse. 

Nunca deixei a música terminar, assim como nunca deixei o que eu sentia por você morrer. Mesmo quando os tempos pareciam tão difíceis. Mas é que eu sei que todas as flores do mundo gostariam de ser como as carnívoras. Até você.

II

É bem provável que eu vá me despedir de você centenas de vezes, ainda, numa tentativa de te deixar velejar em paz. Eu só espero que um dia eu consiga – me despedir e nunca mais te procurar de novo; eu espero que você consiga – sair desse continente e nunca mais voltar.

III

Fecho os olhos. Encontro você há dias de distância de mim, voltando no tempo e seguindo à frente dele, tique-taques de relógio e riscos no calendário, deixando cair sobre o corpo todas as chuvas do inverno, e todas as chuvas do verão. Achando engraçado como somos um amor de poucas primaveras e raros outonos. Marcado pelo compasso de ponteiros em segundos, em minutos, em milênios. Repleto de vestidos de época e all stars, de pedras que invadem o mar, e de mar que encontra a pedra do Arpoador. De arco-íris no meio da tempestade. Fecho os olhos e encontro você. Não importa onde, não importa quando. Só encontro. E é real.

domingo, 16 de outubro de 2011

um dia


and i finally found that life goes on without you
and my world still turns when you're not around

você vai poder cantar isso at the top of your voice.

e eu vou estar contigo.

sábado, 8 de outubro de 2011

the doctor



nobody said it was easy
no one ever said it would be so hard
.
.
we're going back to the start


.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

30 de Setembro de 2011

the bitch is back

Reabri o blog.

Eu o havia fechado, pra início de conversa, não pra poder escrever coisas sobre as pessoas e elas não lerem – até porque eu sempre escrevi aqui com a esperança de que as pessoas lessem, heh -, mas sim porque houve um tempo – o tempo no qual eu fechei o blog, claro – em que eu estava desesperada e não queria que as pessoas olhassem pra mim.

Era assim:

“Parem, parem de olhar pra mim, parem de olhar aqui pra dentro, parem com isso!”.

E então eu fechei. Eu me expus ao longo do quê? Dois anos e mais um pouco? Pra de repente entrar em completo pânico com essa exposição. Foi uma sensação estranha. E acho que por algum tempo eu acabei me desassociando de mim mesma também – aliás, isso aconteceu e foi horrível.

Mas agora eu tô aqui. Na verdade, eu tô aqui já tem um tempo, só mantive as portas fechadas pra curtir mais um pouco esse momento sozinha – porque fechar o blog também fez eu me sentir sozinha entre quatro paredes, e isso me deu uma paz  de espírito que eu não imaginei que fosse ter por causa de um gesto do tipo. Eu gosto de ficar sozinha, às vezes – lembrando que ficar sozinha é diferente de sentir-se solitária. Um pouco, sim.

Bem, estou aqui agora. Voltei sem reformas, talvez sem grandes novidades, mas voltei enfim. E não sei o que isso significa. Só sei que é – como muitas das coisas são.



harder to breathe

Ela vem pra cá. A gente vai passar menos de dois dias juntas, mas ela vem pra cá. E meu corpo inteiro vem reagindo loucamente a essa ideia desde o início da semana, e não é só respirar que está difícil, mas também pensar, e me concentrar, e fazer qualquer outra coisa que não seja contar os dias até ela estar aqui – porque vai ser o show do Maroon 5, porque vai ser nosso aniversário de namoro, porque os dois meses desde que deixei o aeroporto de Congonhas parecem muito mais que dois meses. Ela vem pra cá, e ela vem hoje. E eu não poderia ser mais feliz.