terça-feira, 3 de maio de 2011

under my skin

Do mesmo jeito que abril veio, abril foi: agitado, conturbado, e com um punhado de mágoas entre as linhas do calendário. Coisas que a gente nunca esquece. Conversas duras, verdades ressentidas, sentimentos de Hiroshima. Coisas que a gente nunca esquece, mais pela marca que deixam na nossa pele, do que pela nossa vontade de lembrar. São as coisas que queimam. As coisas que cortam. Coisas que fazem a gente chorar feito criança - seja de tristeza, seja de decepção - um final de semana inteiro ou UM noite inteira de terça. Coisas que viram a gente de cabeça pra baixo, e que nos deixa com hematomas, que nos faz perder um pouco daquela flexibilidade, daquela paz de espírito que um dia veio no nosso pacote.


Acho que hoje meu peito tem um bocado dessas coisas, resquícios de abril e dos que vieram antes dele, que eu não vou esquecer - porque não dá pra simplesmente esquecer. E não é birra, não é teimosia. Mas só porque passou não significa que não doa mais. São aquelas cicatrizes que latejam loucas em dias de chuva. Cicatrizes de raio numa época em que eu ainda não posso dizer "all was well".


Quem sabe dezenove anos depois?

2 comentários:

nan costa. disse...

que maio seja doce contigo (:

Bruno Melo disse...

17 e 27 - Abril bom 4ever