segunda-feira, 9 de maio de 2011

running over the same old ground

Você sabe.
 
Eu guardo toda essa coisa sentimental praquele momento no meio da noite onde só ficamos acordadas nós duas, depois que todo mundo já foi dormir na sua casa e na minha, e quando a gente pode finalmente se comportar como algo diferente de "best friends forever". Mas amanhã vai fazer três semanas que eu não falo contigo direito, sem correr, sem ficar preocupada com a conta do mês seguinte, sem ser interrompida toda hora pela droga que é o 3g do seu pai. E eu tô com saudades. De te contar sobre o meu dia, sobre minha professora que mais parece um macaquinho hiperativo, sobre o ícone do romantismo contemporâneo. Eu tô com saudades de te contar sobre as coisas que pensei no ônibus num momento em que eu não estava dormindo, saudades de comentar sobre algo que o Beto disse, ou sobre como ele reagiu quando me referi a você como "sua cunhada" pela primeira vez, ainda que ele soubesse disso desde o início. E às vezes eu acho que devia anotar todas essas coisas que me ocorrem, mas é tudo tão corrido que não dá. E quando a gente consegue se falar, a gente espreme em três minutos os assuntos que conversaríamos durante horas, e então depois desses três minutos o resto do tempo parece tão vazio.
 
Eu já estava preparada para os quilômetros, mas o peso deles parece dobrar, triplicar, se eu não ouço a sua voz e a sua risada, quando eu não escuto você sussurrando que eu preciso dormir logo antes de eu realmente ir dormir, quando eu não vejo as cores do seu nick, ou da sua janela, ou da sua fonte. E eu sinto falta disso tudo. São só detalhes, mas eu sinto falta disso como se eles sempre tivessem estado lá. É um "não poder" aumentado, onde além de não te ter ao alcance de um toque, eu não te tenho ao meu alcance de forma alguma. E com isso a saudade aumenta, a falta aumenta, essa sensação horrível de vazio aumenta.
 
Você sabe.
 
Eu vou cansando disso tudo, dessa falta, dessa ausência, do não te ouvir, do não te abraçar, do não te olhar de perto e o não tirar aquela mecha de cabelo do teu rosto. Eu vou cansando, me esgotando, mas ao invés de me fazer desistir, isso me motiva a correr atrás de alguma coisa parecida com um futuro, porque eu quero ter esse futuro contigo, eu quero que todos aqueles planos que a gente faz de madrugada aconteçam, um por um, cada um a seu tempo. E eu continuo cansando, e mesmo cansada o meu pedido é humilde, sua internet de volta enquanto não viável te ter por perto. Mas a vida, o destino, não sei, esses incidentes que não me deixam nem um nem outro.
 
Você sabe.
 
Eu estou cansada. E mesmo sabendo que é pedir demais, eu só queria você aqui.