quarta-feira, 23 de março de 2011

a parte que os outros não sabem

No meio de toda aquela confusão que estava prestes a acontecer, foi a Calíope quem lembrou que precisaríamos de um lugar que servisse de alternativa não só para nós, mas também para as pessoas que não tinham nada a ver com aquilo, e que talvez ainda quisessem um lugar para discutir suas ideias, seus gostos, e seus trabalhos sem se sentirem desconfortáveis. Naquele chat, naquela noite, a proposta foi aceita com unanimidade, e eu fui uma das primeiras a dizer "eu posso ajudar com isso, então", sem sequer imaginar que essa frase seria o primeiro passo para eu acabar me tornando o registro número dois do fórum que viria a seguir.
 
Grande parte da primeira equipe não foi escolhida por votação. Grande parte da primeira equipe foi a primeira equipe porque ajudou a fundar o novo fórum, porque perdeu noites de sono pensando em nomes, soluções, sugestões, regras, tudo. Eram em torno de dez pessoas, e dessas dez pessoas cinco se tornaram administração - pelo lulz, pelo envolvimento direto, porque a gente precisava de alguém que entendesse das partes técnicas, e porque no meio de duas loucas e uma que não seria tão presente era preciso de uma que tivesse um temperamento mais tranquilo e estivesse sempre por lá.
 
Nenhuma delas era eu.
 
Eu entrei porque as quatro viraram e disseram "tu merece mais". E não é que eu realmente merecesse mais, eu fiz tanto quanto elas, sabe? E talvez eu tenha sim me envolvido demais, como eu sempre faço, e por isso me desgastado demais também, mas elas viraram pra mim e disseram isso: "tu merece mais". E isso não foi um pedido, elas nunca pediram, só acharam que por estar ali correndo atrás das coisas com elas eu merecia. O "mais" foi por conta de todo o background, tudo o que ficou atrás dos panos, foi por toda a minha raiva e frustração e decepção que elas sabiam que eu sentia - por outras coisas, por outros motivos, mas elas sabiam que eu sentia. O "mais" foi só por isso.
 
Quando se tornou oficial, fiz questão de que fosse pago pra não ter os problemas que tínhamos com quedas - a cada cinco minutos -, e saí na frente de todo mundo ao ser a primeira a dizer "eu pago". Ficou tudo no meu nome, inclusive o domínio. Mas eu nunca senti que aquilo ali era só meu, e isso era bom, porque dividir aquilo era realmente gostoso e divertido e empolgante. O gosto do "nosso" era muito melhor, naquela época. Especialmente porque,  sim, era nosso. Foi criado por nós, e para nós. Com o único objetivo da gente se divertir, com o único objetivo da gente poder falar, se expressar. A revolução começou por causa disso -  dessa regra onde os resultados dos challenges não poderiam ser comentados por pessoas que não estivessem diretamente envolvidas nos challenges -, e isso, pra gente, era o mesmo dizer "vocês não podem falar aqui, vocês não podem opinar aqui, mesmo acompanhando, mesmo torcendo, vocês simplesmente não podem". Era isso o que a gente ouvia com aquela regra, foi isso o que eu ouvi, ao menos, e foi isso o que me fez brigar.
 
Foi a Calíope quem disse lá atrás, lá em junho de 2008: "um lugar onde a gente não tenha que pisar em ovos, onde a gente se sinta bem pra falar sobre tudo". E eu acreditei tanto nisso, tanto! Foi o que me fez buscar isso com tanta vontade e com tanto empenho. Essa chance de ter um lugar para falar, essa chance de fazer desse lugar um lugar agradável o suficiente pra que todos se sentissem tão confortáveis e à vontade quanto se estivessem em casa ou entre amigos. Eu queria isso pra mim, e queria isso pra todos também. E eu acreditei. Mas foi por acreditar - e me decepcionar - que eu também mereci aquele "mais" que me deu a administração. Então eu já devia saber que eu não podia acreditar em nada que houvessem seres humanos envolvidos.
 
E é quase três anos depois que eu finalmente entendo todas as atitudes dela.
 
Eu ainda não concordo. Eu realmente não concordo as atitudes ou com aquela regra que me fez tomar partido, mas eu finalmente compreendi o que a motivou: ela já era administradora há muito tempo, há tempo o suficiente pra saber que quando você lida com pessoas, você tem que nivelar por baixo. Você tem que nivelar pelo mais baixo. E que acreditar - que o outro vai ler e pensar antes de responder, que o outro vai separar sua função da pessoa que você é, que o outro vai te dar o direito de resposta e opinião decentes sem te cobrar pelo teu cargo, que outro vai se colocar no seu lugar quando for necessário, que outro vai dar valor a tudo o que você já fez e tudo o que ainda vai fazer pra ele (mesmo que não seja mais por ele) - é completamente inútil. E burro. E que não vale a pena.
 
Catarse.
 
Agora eu entendo e sei e sinto exatamente o que ela pensou e sabia e sentiu naquela época: por eles, não vale a pena. Porque no fim das contas as pessoas ficam só com os erros.
 
Essa vai pra lista do que aprendi com o fandom.
 
Mas eu vou continuar. E posso até continuar pisando em ovos, posso até continuar cheia de dedos.
 
Porque, nesse exato momento, acabei de encontrar uma saída.

domingo, 20 de março de 2011

segunda-feira, 14 de março de 2011

e então

me despedir de você vai ser sempre como ficar parada no portão da sua casa, sem poder te beijar depois de dizer "até mais".




enquanto nosso happy ending não chega.

terça-feira, 1 de março de 2011

caso a gente faça mesmo um filme

your lipstick stains on the front lobe of my left side brain.

Eu não sei como começou. De repente eu já estava lá, e você também, e de repente eu estava dizendo que queria ser sua primeira garota - e naquela época eu não sabia que poderia ser a primeira em muitas coisas na tua vida, assim como não sabia que você, mais tarde e depois de tantas roller coaster rides, se tornaria a minha primeira também. Naquela época eu não sabia nem que suas manchas de batom haviam me tirado do controle logo no início de tudo.

i knew i wouldn't forget you, and so i went and let you blow my mind.

Mas de alguma forma, e talvez tenha sido por causa da música que eu aprendi a cantar por sua causa e para você, eu sabia que você estava mais na minha cabeça do que seria considerado saudável naquela época, naquele contexto.

my heart is bound to beat right out my untrimmed chest.

E talvez eu soubesse disso não só pela música. Talvez eu soubesse disso pela ansiedade em te ver online, talvez eu soubesse disso pela saudade que eu sentia quando você decidia não aparecer, talvez eu soubesse disso desde sempre, talvez eu tivesse spoilers desde o início, e talvez eu só tivesse muito medo de me apaixonar por você do jeito que eu estava me apaixonando – e talvez eu já estivesse até apaixonada e queria só me enganar por mais um tempo.

i believe in you.

Isso nunca me fez deixar de acreditar em você. No meio de todo aquele caos, no meio de todas aquelas brigas em que perdi horas as quais eu deveria estar mais preocupada com minhas provas e meu trabalho, e tudo o que eu conseguia fazer era me preocupar com você. Minha vontade era gritar contigo por tudo aquilo, até te fazer entender que você não precisava ser infeliz. Eu sempre acreditei que cedo ou tarde você veria isso, mas enquanto não acontecia, me desesperava te ver perdendo tudo sem conseguir fazer nada por você.

i can be myself now finally. in fact there's nothing i can't be.

E então eu disse pela primeira vez, "eu tive uma crush por você", e disse isso no passado porque acreditei que fosse passado, e também porque dali a alguns dias a gente se encontraria, e eu queria te encontrar sem complicações, sem novelas, sem tragédias de paixões não correspondidas. Mas quando eu disse, um peso saiu dos meus ombros. E conversar com você foi mais fácil, foi mais divertido, e foram horas sem discussões e pela primeira vez em muito tempo foi simplesmente certo. Eu comecei a me sentir em casa.

i want the world to see you'll be with me.

Eu viajei, e você também. Parecia até coisa de filme, eu sair da minha cidade em direção à sua, no mesmo dia em que você saia da sua cidade em direção à minha, mas estava tudo bem. Nós já estávamos nos acostumando aos desencontros, e talvez por causa disso tivéssemos pensado num plano para burlar o destino – e Deus. Nos encontramos cinco dias depois, meu coração aos saltos e eu sem graça, e eu nunca fico sem graça em primeiros encontros de amigos, mas com você por perto não tinha jeito. Se lembra do que eu falei sobre my left side brain?

Andei contigo até Botafogo, e de lá até Ipanema. E em Ipanema eu me senti em casa de novo, e quis te mostrar e dividir contigo o que eu tinha de mais importante aqui. Pela calçada de Tom Jobim eu te levei para conhecer meu lugar favorito em toda a cidade do Rio de Janeiro, as pedras do Arpoador, e lá em cima eu sentei contigo e cantei pra você. E eu te abracei com cuidado e te fiz a pergunta que talvez tenha mudado tudo pra sempre entre nós duas. E você disse sim. A primeira vez que você realmente me disse sim.

E no meio de todas aquelas pessoas, consciente de todas aquelas pessoas, eu te beijei.

you push me. i don't have the strength to resist or control you.

E te beijar foi admitir tudo o que eu vinha ignorando há muito tempo, e que eu sabia que seria assim. E enquanto eram meus lábios nos seus, enquanto eram minhas mãos traçando tuas costas, eu soube que seria só fechar os olhos e a lembrança daquela tarde voltaria como se fosse verdade de novo. E foi assim durante todo o tempo, do meu Arpoador até a sua casa. Mas foi embaixo daquela chuva, durante aquele beijo em frente à igreja, que você me teve nas mãos de um jeito que você não imagina. E ali eu tive certeza de que você havia me marcado pra sempre.

you hurt me, but do i deserve this? you make me so nervous.

Mas é claro que todas as coisas precisavam ser complicadas. É claro que no dia seguinte você tinha que escrever sobre a gente de um jeito que parecia certo. E é claro que eu tinha que eu ouvir que não era nada sério. E é claro que a gente tinha que discutir no terceiro dia do ano novo, e eu tinha que te falar uma série de coisas que você até precisava ouvir mas não de mim. A gente precisou de palavras duras e socos na cara, antes seguir em frente. Porque como disse uma amiga nossa, há algum tempo, ainda haviam sentimentos demais misturados pra que qualquer coisa ficasse realmente clara – e porque a vida sempre dá porrada, mesmo, antes de estender a mão oferecendo colo de novo.

wake you up in the middle of the night to say
i will never walk away again, i'm never gonna leave this bed

E te ligar no meio da madrugada pra avisar, só avisar, que já que tu ia continuar falando sobre aquilo, então era bom que pelo menos tu soubesse o que eu sentia por você - e que eu ficaria do teu lado de qualquer forma, e que eu não tinha intenção alguma de te deixar de novo, já estava implícito.

i would like, if i may, to take you on a strange journey

Um mês atrás. Foi aqui que a gente se tornou você&eu. E um mês depois parece até que tem mais tempo, parece até que sempre foi assim, parece até que não devia ter sido de outro modo. E as coisas se ajeitam, e parece que o universo começa a conspirar a nosso favor, ainda que Deus continue calhorda e tirando uma com a nossa cara, que nem no dia da chuva. E eu deito quase todas as noites com a sua voz nos meus ouvidos, e de alguma forma isso faz com que você esteja mais perto, e que os quatrocentos e cinquenta quilômetros não signifiquem mais nada. E eu quero te abraçar, e eu quero estar contigo, e eu quero trace your spine e sentir tua respiração na minha pele, quero perder meu tempo colocando seus fios de cabelo atrás da sua orelha, enquanto digo e repito que te amo e eu te amo e eu amo você, pra você sorrir e abaixar os olhos antes de me encarar e responder de volta que me ama também, e então sermos as duas juntas o verdadeiro ícone do romantismo contemporâneo.

she's a marshmallow

Feliz aniversário de um mês, amor.
(e ainda por cima com cheat!)