segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

O meu jeito de dizer que te amo.

Verônica,

Eu te vi na rua esses dias, e você continua linda. Você estava com aquele vestido florido do seu último aniversário, aquele salto alto do último natal, e tão linda que senti uma grande vontade de cruzar aquele monte de carros na avenida pra te cumprimentar e dizer "O tempo passou, Verônica, e você continua mesmo linda". Mas aí, no meio do caminho, eu lembrei o porquê da gente não se falar a tanto tempo e suspendi o pensamento e a ação, e deixei eles lá intocados na minha mente e por não existir, só porque eu não queria voltar às nossas razões e os nossos motivos e às nossas desculpas de antes, Verônica.

Eu percebi naquele dia, um dia no meio da semana, uma hora no meio do dia, que eu podia continuar te olhando pra sempre, teus cabelos vermelhos e as sardas que começam nos teus ombros, mas eu não posso mais, Verônica, sustentar a palavra ou manter o abraço em volta do seu corpo e do seu mundo. É dolorido demais, sabe? É dolorido demais te amar assim de tão perto, fazer o teu universo e toda a biodiversidade do teu planeta viver aqui dentro do meu peito, e então dividir espaço com o meu universo e a vida do planeta que cresceu em mim, nesse tempo em que ficamos separados resolvendo nossas vidas até nos encontrarmos de novo.

Eu descobri, Verônica, te olhando de longe e desse jeito, que eu posso continuar te amando e te desejando felicidades desde que seja assim, de longe e desse jeito: do outro lado da rua, do outro lado da cidade, do outro lado do planeta - e do universo e das nossas existências. E acho que você vai ficar satisfeita com isso. Você sempre falou tanto em ter espaço, em mudar os móveis e jogar coisas fora, limpar os armários e as estantes, que eu acho que você vai ficar realmente feliz em ver que eu entendi essas suas necessidades de metros quadrados e cordas e fios imaginários de isolamento.

E está tudo bem, meu amor. Pode seguir teu caminho, revirar tua bolsa, não atender o telefone, esperar o sinal fechar para os carros, atravessar a rua, andar na minha direção. E quando chegar a hora de me cumprimentar, e quando chegar a hora de esbarrar comigo, a gente se cumprimenta e se esbarra, fácil assim como sempre foi e como sempre vai ser. Mas já foi também o tempo, e foi tempo demais longe um do outro, e eu não tenho mais aquela intimidade pra dizer assim tão próximo de você, assim no pé do teu ouvido, que você continua linda, Verônica - mesmo que você continue, e você continua. Acredita em mim, acredita nisso.

Você sempre continua, minha amada Verônica.

E espero que seja feliz assim, que seja doce.

Amor. Sempre.

Caio.

3 comentários:

Giu disse...

O tipo de coisa tão linda que dói.
[]

Anônimo disse...

Uma das coisas mais bonitas e reais ao mesmo tempo que eu já li.

Pam Lima disse...

Ai, Cah ♥