quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

#28

so i sing a song of love, julia

someone that changed your life


Você mudou minha vida no instante em que decidiu fazer parte dela de verdade.

Você sempre esteve num lugar à parte, sempre do outro lado da rua e do caos que era aquela época, onde eu era uma estranha e uma stalker, e você era a amiga dela – e não é que você me odiasse – acho que nunca odiou ninguém de verdade, odiou?; você só ouvia as histórias e não tinha interesse em saber se eram verdade ou não, aqueles teus desinteresse e desprezo característicos e reservados a algumas pessoas. E ela era sua amiga, por que mentiria (tanto) pra você, afinal?

Mas a vida tem dessas reviravoltas bizarras, e, numa delas, você que vivia do outro lado da linha veio parar do meu lado. Ou eu que fui parar do teu lado, eu não sei. Eu sei que no segundo seguinte você – e não eu, mas você – abriu todas as portas e escancarou todas as janelas, e quebrou minhas paredes e arrancou o meu telhado: você me contou verdades. Sim, sim, foi ela quem me fez mal, mas foi você quem jogou isso na minha cara porque era a coisa certa a se fazer, parar de mentir pra mim, parar de omitir, deixar de fazer parte disso. E eu fui grata. Eu ainda sou grata por isso, diga-se. Mas o que eu quero registrar aqui é que tu não mudou agora, tu começou a mudar naquela época, já. Eu sei. Eu vi. Eu estava lá quando começou a acontecer.

Vamos saltar no tempo, três anos.

(planos de viagem, choro de madrugada, horas no telefone, viagem, abraço, phoenix wright, comida vegana, noites agradáveis, chicago, chuva fininha, sutis demonstrações de afeto, eu te amo eu te amo eu te amo, fica bem, sentimentos em corredeiras, abraço, corações, rainhas sem cabeça, planos, sonhos, vontades, escreve escreve escreve, eu acredito eu acredito eu acredito, barca pra niterói com uma inscrição no meio do expediente, telefonema às duas da manhã, preciso falar com você, preciso te contar umas coisas, tô com saudade, fica bem fica bem fica bem, silêncio, risadas, piadas, não sei mais o que fazer, não sei mais o que falar, silêncio, eu queria te fazer uma surpresa, surpresa, embrulho no sábado de manhã, caio fernando abreu, vida vida vida vida vida vida vida vida vida vida vida vida vida, nós).

Foram bons três anos.

E eu queria que você soubesse, me dói muito mais do que você imagina. E eu queria que você soubesse, eu sinto saudades, saudades do tamanho de arranha-céus. E me sinto culpada – não pelas coisas que você disse, mas por coisas que eu realmente não sei nem entendo porque estou sentindo, e só sei que estou sentindo, e queria não sentir porque eu sou grata, porque eu sempre valorizei e ainda valorizo cada dia dos três anos, porque eu sei que amo, eu amo, eu só não sei o que eu ainda amo (se a lembrança, ou se hoje, o hoje).

E então uma errata: você não mudou minha vida. Eu mudei a minha vida. Mas o que você fez foi tão importante quanto, você acreditou que eu podia, que eu conseguia, que eu iria mudar - você acreditou, ponto. E me fez acreditar que eu podia acreditar em você. E eu acreditei em você. Porque tu nunca me deu motivos pra desconfiar que seria doce.

Eu ainda não sei o que fazer daqui. Mas eu concordo. Foram bons três anos, Verônica.

Amor, sempre,

Cah.

2 comentários:

Giu disse...

[]

Julia disse...

eu acho que tá tudo bem, de qualquer maneira. e, se não estiver, espero que esteja. eu tinha uma coisa mais legal pra dizer mas não acho legal dizer em público - principalmente porque tem coisas que eu não disse nem pra ti (acredite, aquela que eu falei aquele dia que foi a que mais te feriu - e eu falei consciente desse efeito - foi a maneira menos dolorosa que eu tinha para expressar a mensagem), imagina dizer pra gente que está urubuzando (e pior, tomando partido!) um assunto que não entende.

eu deslinkei os teus posts sobre mim lá no blog justamente porque imaginei que tu estivesse com essa sensação de - digamos - confusão entre uma lembrança antiga e uma pessoa real. mas não apaguei os meus sobre ti porque, bem, eles não deixaram de ter lá suas boas verdades.

é um assunto muito complicado que envolve uma sensibilidade que eu geralmente não tenho.

amor, sempre, apesar de você e de mim.

:**