sábado, 29 de janeiro de 2011

mão única

Eu tô lembrando do que tu me disse aquela vez. Que não ia demorar pra eu sentir que poderia ser feliz de novo, e que quando isso acontecesse, que eu simplesmente aceitasse isso ao invés de colocar tantas reticências num parágrafo. E agora eu tô com essa sensação no meu estômago, de que tem borboletas saindo dele ou que ele virou um artista de circo, e de repente tantas coisas passando pela minha cabeça que eu não sei. Mas tu me disse. Se tu sentir que vai ser feliz, seja. Se tu sentir que existe uma chance pra isso, não deixa escapar. E aí que eu queria te dizer, eu tenho essa sensação de felicidade latente presa em cada poro do meu corpo, vinculada a uma série de imagens que passam pela minha cabeça em loop eterno. E eu quero muito falar sobre isso. Eu quero muito viver isso. Mas amor. No instante em que eu admitir isso tudo, minhas borboletas vão perder as asas e meu acrobata vai morrer tentando. De algum jeito, essa é a minha vontade de ser feliz indo de encontro à certeza de que essa porra não vai dar certo de forma alguma. Mas é claro. É claro, é claro, é claro. Talvez as coisas dessem mais certo se não fossem tão unilaterais.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

o mofo

"(...) me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez, que leve pra longe da minha boca esse gosto podre de fracasso, este travo de derrota sem nobreza"
Caio F. Abreu 

sábado, 15 de janeiro de 2011

to my favorite

Tem pouco mais de um dia que tu foi embora, e eu ainda não me acostumei a te ter tão longe de novo, alguns quatrocentos e poucos quilômetros entre Porto Alegre e Florianópolis, e daqui a dois dias mais de mil deles de distância entre a minha cidade natal e a sua.

Foram dezenove dias dividindo o quarto contigo, às vezes a cama, às vezes a mochila,  sempre o mesmo espaço físico, sempre o mesmo espaço geográfico. A gente dividiu copos e talheres - mesmo tu sendo tão contra isso -, e dividiu preocupações e conjecturas, e vontades e desejos, e planos e sonhos, e frustrações e abraços. Foram dezenove dias saindo, pegando ônibus, pegando sol, pegando chuva, pegando fila pra ver o ano novo da praia, e doenças imaginárias só porque não valemos nada e gostamos de fazer piadas com coisas sérias.

Passei dezenove dias contigo, e na maior parte desse tempo eu estive absolutamente feliz, mas tu me viu de mau-humor, e me viu cansada, e me viu doente, e me viu arrasada, e me viu confusa, e me viu competitiva, e me viu atrasada, e então tu pegou isso tudo e juntou e aceitou e eu não sei, continuou fácil, tu me amou com isso tudo, durante dezenove dias onde o maior tempo que ficamos separadas foi o tempo em que tu estava dentro de um ônibus pra me ver de novo em outra cidade, uma que não era nem a minha nem a sua.

Eu sinto tantas saudades de ti. Eu meio que fico esperando ouvir teus comentários hiper pedreiros, fico esperando tu falar qualquer coisa, ou fazer as tuas caretas, ou caretas de awesome, e todo o resto. E agora eu tô aqui sentada na sala de casa, com o computador no colo e com os headphones diretamente ligados a você e à sua respiração, que está a quatrocentos e poucos quilômetros de distância de mim. Eu sinto saudades. Do teu sotaque que não é sotaque, dos teus vícios de linguagem, das tuas gírias, do teu jeito, de você. E tem pouco mais de um dia, só. Mas dezenove dias meio que foram o suficiente pra eu saber que tu poderia sim ficar na minha vida until the very end.

Amo você. Em Porto Alegre, em Florianópolis, no Rio de Janeiro.

No meio do caminho a gente se vê de novo ♥

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

i come and go just like-

Mas é claro que começaria assim, e eu não te culpo por isso. Eu conheço teu contexto melhor que qualquer outra pessoa além de-, eu conheço tua história e tua versão tanto quanto -, e é claro que eu sei do que tu precisava - porque no fim das contas tu sempre precisa de um colo ou um ombro, e eu já sabia disso como se eu mesma tivesse estado lá aguma vez. E eu acho de verdade que estive, mesmo que por tão pouco tempo.

Ontem e hoje eu fiquei pensando em como seria se a gente -, em como seria, só. E eu não via dando certo de forma alguma, porque eu sempre me via perdendo a paciência com você, ou você perdendo a paciência comigo. E eu pensar em hipóteses deveria ser romântico, meio romântico, quase romântico, pseudo romântico, mas eu não sei. Acho só que é o tipo de coisa que eu faria e faço, pensar nisso em alguns momentos do dia, especialmente porque eu venho pensando coisas parecidas de pessoas diferentes, sabe?

Problema que contigo é sempre diferente, também. Problema todo é que depois eu sempre quero voltar. Problema todo é que tem sempre algumas horas no dia em que eu penso que talvez tu esteja só, e isso me preocupa tanto! Bem menos do que antes, é verdade, mas ainda preocupa. Essa coisa de pensar seu nome e não ter nenhum sinal de "afaste-se" na minha cabeça, é o que acaba acontecendo, mesmo que tu carregue uma faixa no peito com isso escrito.

Eu te amo do jeito mais bizarro possível. Eu te amo do jeito até meio masoquista, daqueles onde tu diz e faz coisas que me magoam, que me machucam, que me irritam, e onde eu volto no final. Eu te amo e quando eu digo que te amo não é uma ironia, não é uma piada, não é sarcasmo. Mas também não é uma jura romântica não, embora pareça, embora fosse realmente cinematográfico se fosse verdade. Isso é só uma constatação.

Tu falando da única coisa que eu avisei pela qual a gente acabaria discutindo, caso a gente tocasse no assunto de novo, e eu aqui fazendo essas constatações.

Tudo bem.

A vida é um polígono mesmo


it wouldn't hurt at all