sábado, 31 de dezembro de 2011

my world begins again


So take these words, and sing out loud.


E em 2009 eu abri o blog e comecei a escrever. Escrevi muito, escrevi tudo – cada braistorm que me tirou o sono, cada ideia que me perseguiu, cada pequena coisa que me incomodou ou que deixou feliz.

Mas em 2009 faltou muita coisa. Pra ser mais exata, faltou que eu registrasse muita coisa. E foi por isso que eu desejei que 2010 me desse tudo o que 2009 não havia me dado - e tudo o que eu não havia conseguido tirar de 2009. Eu desejei que todos os dias fossem cordas de salvação, e desejei tempestades para enfrenta-las com capas de chuva – ou então com o peito aberto e a vontade de lavar a alma.

E em 2010 o que não faltou foram tempestades. As da primeira semana de janeiro, que fizeram montanhas desabarem em Angra dos Reis; as de abril, que deixaram o Rio de Janeiro embaixo d’água, ou que me deixaram com o peito em amargura por todas as coisas que fui forçada a fazer; as que trouxeram mudanças em junho, em julho, em agosto; as que tanto me fizeram chorar em outubro e novembro; e finalmente as tempestades mais gostosas, as de dezembro - aquelas que me fizeram lavar a alma na São Francisco Xavier, durante o último beijo da noite, e que me fizeram admirar Florianópolis ainda mais. E foi por enfrentar tempestades ou aceita-las que eu desafiei 2011.

Eu disse que não importava o quanto 2011 tentasse me fazer desistir, eu continuaria. Eu disse que não importava o quanto minha felicidade tentasse correr pra longe de mim, dos meus dedos, eu não desistiria dela, eu a alcançaria de novo, e a gente brincaria de pega-pega porque ela era arisca por natureza, mas que eu sabia que conseguiria. Eu sabia. Eu sabia.

E 2011 foi assim. Um ano difícil. Um ano em que eu tive a felicidade nas minhas mãos mais vezes do que eu poderia contar, mas assim como eu havia anunciado, ela sempre tentou fugir. Houve conquistas, muitas delas, mas também muitas derrotas. Eu me esforcei, eu corri atrás, eu levei muito esporro, de muita gente, eu mudei muito rápido, eu fiz sacrifícios, eu errei muito, tanto!, eu me afastei, eu discuti, eu estudei, eu acusei, eu abracei, eu viajei, eu ri, eu chorei, chorei muito, eu ri ainda mais, eu me diverti, eu fui empurrada pra baixo, colocada no meu limite, eu adoeci, eu fui julgada, eu respirei fundo, eu continuei. 2011 foi um ano intenso, tanto nas alegrias quanto nas tristezas – e talvez por isso pareça ter sido mais ruim do que bom, mas não foi. A felicidade continua nas minhas mãos, e ela não sairá daqui tão cedo.

2011 foi um ano em que tentaram me fazer, mas não conseguiram. Eu me fiz. Eu me fiz com a ajuda dos outros, sim, mas eu me fiz, e eu me fiz por mim, acima de tudo. 2011 foi um ano realmente difícil. Mas agora eu estou aqui, pronta por causa dele, pronta pro ano seguinte.

É por isso que pra 2012 eu deixo apenas um aviso, mas que eu gosto de pensar como uma promessa (só uma): agora é a minha vez.

Feliz ano seguinte ♥

domingo, 25 de dezembro de 2011

eu não sei mais

"Mas eu só estou conversando sobre isso tudo com você, filho, porque meu único medo é que ela acabe entrando num mundo do qual ela não consiga sair".

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

tão sutil que talvez passe despercebido

22.12.2010

22.12.2011

 

 

#1

Talvez eu tenha te reconhecido muito antes de você sequer me ver, mas, sejamos honestas, comigo é sempre assim. Eu sempre encontro pessoas que nunca vi em toda a minha vida como se elas estivessem lá desde sempre, e acho que com você não seria diferente - exceto, talvez, pelo fato de que senti borboletas no estômago quando te abracei. E de certa forma foi bem como eu havia imaginado setenta e oito dias antes.

 

#2

Your lipstick stains, e eu sabia que cantaria até o fim. E eu decidi desviar o olhar de você porque tinha medo da sua reação, então fiquei encarando o mar enquanto te percebia pela visão periférica, te segurando pelas beiradas dos meus olhos que fugiam do menor sinal de dor. E então eu continuei cantando, e devo ter desafinado e lembro de ter sorrido, e eu não sei se você sabia, e eu duvido que soubesse o tanto que sabe hoje, mas eu deixei de cantar contigo pra cantar pra você.

 

Quatrocentos ou mais quilômetros de distância, e seus lábios tocaram o lado esquerdo do meu cérebro antes mesmo de você pisar no mesmo estado que o meu, mas a música acabou, e com o fim dela veio o silêncio do teu choro, e pra cobrir o silêncio do teu choro eu ofereci meu ombro, eu te abracei, eu fiquei com medo de te perder e acho que foi por medo que perguntei - “você ainda quer que eu seja a tua Mari?”.

 

Um aceno de cabeça, e eu te beijei.

 

#3

Ali, de mãos dadas contigo, a gente olhando o céu ficar escuro sobre nossas cabeças e sobre a cidade logo atrás, eu só conseguia pensar que poderia ficar daquele jeito pra sempre.

 

E o pensamento continuou enquanto nossas mãos dadas continuaram pelo calçadão de Ipanema, às 19:36 da noite, em direção ao metrô.

 

E o pensamento continuou enquanto as mãos dadas se estenderam num abraço de dezessete estações, sem que os dedos se soltassem por muito tempo.

 

E o pensamento continuou mesmo com a chuva, por causa da chuva, até o momento em que eu parei no meio da calçada, em frente à igreja, e você que continuava o caminho foi puxada por mim. E ali eu não era mais a Mari, e ali eu sabia que seria o último, e ali eu sabia que estava mesmo acabando, e-.

 

Eu te beijei.

 

E de alguma forma eu tive certeza, aquilo ficaria comigo pra sempre.

 


#4

16:57 - Um ano, agora. Você ainda quer que eu seja a tua Mari? (L)

16:59 – Pra sempre (L)

 

sábado, 17 de dezembro de 2011

tag cloud

Quando eu tinha doze anos, ainda acreditava em nomes - melhores amigos, namoradinho, rockeira, insira aqui um outro título. Mas aí, quando a ideia do namoradinho se perdeu num monte de boatos de escola e olhares de esguelha, quando os melhores amigos caíram por causa de fofocas aleatórias, e quando rockeira se tornou algo parecido com gente maluca, eu deixei de acreditar em nomes. Alguns deles machucavam mais do que traziam algum benefício, do tipo sentar sozinha durante o resto do ano, e ter como seus únicos amigos uma professora de Geografia e um professor de Matemática, que te viam chorar enquanto as pessoas se ocupavam em rir e fazer piadas só pelo fato de eu existir. Atravessar o corredor já era motivo de olhares e fofocas, piadas e xingamentos sutis.

É claro que eu nunca falei com meus pais sobre isso - e com ninguém, nem mesmo com meus professores -, sobre como eu me sentia.

Só porque eu parei de demonstrar qualquer coisa pra qualquer um deles, como se eu não ligasse e estivesse acima de tudo aquilo, não significa que não doía.

Ainda dói um pouco.


(mas acho que foi ali que eu decidi que não deixaria mais ninguém dizer por mim o que - ou quem - eu era. não importasse o quanto doesse)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

(não) relacionados

6/dez – 9h

 

Enquanto setembro, outubro e novembro passavam voando, em algum lugar do tempo-espaço havia dias 11 e 15 e 27 acontecendo de novo, repetidas e incontáveis vezes, para que o presente continue como está.

 

E eu não posso evitar. Eu sempre volto no tempo.

 

Fecho os olhos, e de repente lá estou eu. Encostada entre dois carros, do outro lado da rua, atrás de uma árvore, olhando pelo vidro de uma loja, de um restaurante, sentada na mesa do canto.

 

Parece estranho, eu sei. Parece assustador, e eu entendo. Mas é a verdade. Às vezes eu só vejo a mim mesma e a tela do computador, e é como se eu fosse um fantasma, alguém invisível. Às vezes eu ouço minha própria voz e minha risada, e de repente toda aquela conversa faz sentido de novo, como se eu estivesse revivendo aquilo e sentindo as mesmas coisas.

 

Às vezes eu sento do seu lado enquanto você está se sentindo sozinha e sinto vontade de te abraçar, mas sei que não posso. Se não está no script, não pode acontecer assim.

 

Às vezes eu sento no meio-fio pra ver o carro parado no meio do caminho, sem gasolina, as chaves caindo, as risadas antes do jantar. Às vezes eu vejo o momento da foto, e é como se eu a estivesse tirando. A gente tão perto, e vocês não me vendo, mas sorrindo, e finalmente, e só assim, o shuffle acontece.

 

Às vezes eu passo de um cômodo para outro, e isso significa passar de um bairro para outro, e uma cidade para outra, e um estado para outro. E de repente Hiroshima se anuncia, e acontece a explosão atômica que deu fim e início a tudo – como a própria explosão que fez surgir o universo.

 

Eu abro os olhos de novo. E tudo o que vejo são ruínas.

 

6/dez – 11h

 

Eu rodopio no pátio enquanto os olhos dela se enchem de lágrimas (mas às vezes não tem lágrimas, e ela fica com aquele sorriso que faz eu me apaixonar de novo), e esse é o único momento em que eu sinto o mundo girar – quando eu estou girando com ele.

 

7/dez

 

Corre.

 

Pra pegar o ônibus, pra não perder o semestre, pra mudar de telefone.

 

Só corre. Vai atrás, não desiste, busca, insiste, ignora o resto, mantenha o foco, são só 19:30, e na verdade ele só vai às 21h, não tem internet, não tem laboratório, não tem ninguém, e você está cansada, querendo dormir, tendo que estudar, pensando em correr, então corre, talvez dê tempo de mudar as linhas, conseguir minutos, conseguir tempo, gastar uma grana que valha a pena, que faça sentido, então corre, você consegue, por sorte, por coisa de um dia, e você vê que vai dar tempo, e você está aliviada, e você corre, pra não perder o ônibus, e desvia de carros, e ouve gente xingando, e avança o sinal vermelho, e perde o ônibus, e espera outro, e espera o troco, e encontra alguém, e se distrai, e desce do ônibus, e esquece o troco, e corre atrás da nota, atrás da frequência, atrás da aprovação, e consegue, e corre atrás de um número, de uma pessoa, chamadas perdidas, e lembra do troco, e se frustra, e corre, e dá as boas notícias, e ouve aquelas notícias, e de repente um cansaço de correr, e procura os fones de ouvido, e os fones foram esquecidos, e a cabeça dói, e você quer chegar em casa, mas você já não corre mais, deixa seu corpo ir embora, deixa seu corpo ser levado, encosta a cabeça na poltrona e se deixa ir, desce do ônibus e espera de novo, espera, espera, espera, até que vem o próximo, e você continua cansada de correr, olhos fechados, seu ponto final, sua rua molhada de chuva, a porta da sua casa, um banho gelado, o barulho da chuva, a sua cama, dezembro saltando do seu peito, e você chora, você chora, você chora.

 

Porque você tem corrido, e você tem corrido tanto, mas você tem corrido pra quê?

Não corre.

Agora é hora de dormir.

 

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

note to myself

don't try to look so wise.
don't cry 'cause you're so right.
don't dry with fakes or fears.
'cause you will hate yourself in the end.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

opened

Ontem foi um dia estranho. Desde às dez da manhã eu vinha recebendo mensagens dos meus pais dizendo que eles estariam sempre comigo, me dando todo o apoio que eu precisasse, e que eu podia confiar neles, que não precisava esconder nada deles porque eles me amavam acima de tudo.

É claro que eu pensei em nós duas - o único aspecto da minha vida pessoal sobre o qual eu não falava com eles.
 
Quando cheguei em casa, perguntei para o irmão do meio se eles sabiam de alguma coisa. A resposta dele foi "Carolina, eles são seus pais. Eles sabem de tudo". Eu pisquei algumas vezes antes de tentar confirmar "Tudo = eu?". Ao que meu irmão me respondeu com um "Não, na verdade eles sabem tudo sobre a política externa do país". E aí todas as coisas fizeram sentido de verdade.

E aí eu fui conversar sobre isso com o meu pai, que ficou me esperando ontem até tarde pra eu ter essa conversa. E aí eu o ouvi falar sobre como eu e meus irmãos estamos em primeiro lugar na vida deles, e aí eu o ouvi falar que ele só ficaria decepcionado comigo se eu matasse/roubasse/prejudicasse alguém, e aí eu o ouvi falar que ele só queria que eu fosse feliz, e aí eu o ouvi falar que ele me apoiaria sempre e não me abandonaria nunca, e aí eu o ouvi falar que eu não precisava ficar me preocupando com religião, com as pessoas, com a igreja, porque nossa vida pessoal é nossa vida pessoal, e a doutrina da igreja não devia mesmo ser levada ao pé da letra. E que tava tudo bem.
 
Foi depois desse discurso que eu contei sobre ela. Que eu estou com ela há dez meses, e que ela me faz feliz. E ele disse que tudo bem. E ele se só se preocupou em saber dos nossos estudos, e dos nossos planos pro futuro, e pareceu satisfeito em perceber que é sério e que queremos nos estabilizar e todo esse jazz. Ele disse que gostou dela. E que minha mãe gostou dela também. E que ele fica feliz em saber que as coisas estão bem.

Isso significa que quando ela voltar pra cá, eu vou poder apresentá-la do jeito certo, e a gente vai poder fazer coisas que casais normalmente fazem quando namoram em casa. Isso significa que quando ela voltar pra cá, ela não vai mais ser "a minha amiga". Ela vai ser "a minha namorada".

E isso me deixa realmente feliz.
 
 

 
 

 


 

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

it's not hard to fall

Eu só queria conversar um pouco contigo. Dividir as coisas que estão passando pela minha cabeça, porque tem doído demais manter tudo aqui dentro e lidar com isso sozinha. Eu queria te mostrar como é que eu estou me sentindo, o mundo através dos meus olhos, e como ele está feio agora porque eu estou horrível por dentro. E eu não te chamaria se não fosse importante. E eu não tentaria falar, se eu não estivesse desesperada por isso. Porque eu estou cansada de ter essas conversas comigo mesma, e sair delas pior do que eu entrei. Eu não me ajudo, e eu queria e deveria poder me ajudar. Eu só sinto que estou presa nisso tudo e que eu não vou conseguir mais sair. Eu queria contar pra você. Que eu sei que só eu posso me ajudar desse jeito, mas que eu gostaria de te ver por perto, de ouvir sua voz, só pra eu ter certeza de que eu não tô sozinha, de que tem alguém do meu lado. E que tu não desistisse de mim só porque parece que nada vai entrar na minha cabeça. Você sabe que entra. O problema é que quando eu estou assim, as coisas ficam mais difíceis pra eu entender. Eu só preciso que você me faça respirar fundo. Que você me traga de volta, às vezes. Porque eu já comecei a procurar ajuda pra isso, eu estou determinada a cuidar pra que isso não aconteça mais ou não piore, mas quando acontecer, por favor, não me deixa sozinha. Fala comigo. Me deixa saber que você está aí, e que você está do meu lado. Porque isso é tão importante. Porque às vezes parece que se você não estiver, ninguém mais vai estar. E eu só queria tirar esse peso de mim.
 
 
when you float like a cannonball

...

Eu só queria poder conversar sobre isso sem levar esporro de alguém em algum momento.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

aquele momento estranho

em que você percebe que todas as coisas que te faziam feliz eram as mesmas coisas que faziam a outra pessoa infeliz.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

when we are both cats

Eu sempre fui muito apegada ao passado. E às vezes acho que o motivo disso são as coisas que fazem parte dele pras quais eu posso olhar e pensar que valeram a pena. Mesmo que tenham durado tão pouco tempo. Mesmo que o depois tenha sido catastrófico.

O que eu lembro, eu lembro pra garantir a mim mesma que talvez ainda reste um pouco de flor nisso tudo.

Não importa quão pouco seja.


segunda-feira, 14 de novembro de 2011

karma is a bitch

Ela: Fez o que a L pediu?
Eu: Ainda não. Tive que digitalizar o processo.
 
Ela: Mas já tava digitalizado, tava na pasta!
 
Eu: Eu sei. Eu dei uma olhada lá, mas tava vazia, daí eu fui digitalizar.
 
Ela: Não é possível! Você viu no lugar certo? No Tributário? Eu fiz isso hoje, você viu errado.
 
Eu: Eu sei que é lá, eu vi na pasta do processo e não estava.
 
Ela: Não, você viu errado. Você sabe que o número mudou, né? *aponta a pasta do processo antigo*
Eu: Sim, eu sei. Mas tinha uma pasta com o número novo, eu vi nessa pasta e nela é que não tinha nada.
 
Ela: Mas é impossível, eu fiz isso hoje, tem certeza que era o número novo?
 
Eu: Cara, tenho. É o número 1111.11.11.111111-1, tinha uma pasta com esse número, ela estava vazia, eu peguei o processo, digitalizei e salvei nela.
 
Ela: Isso, eu já entendi, tá? *abre a pasta do processo que eu falei* Tá vendo, tá aqui!
 
Eu: Sim, mas foi o que eu disse, esse é o que eu acabei de salvar. Se você der uma olhada no horário da modificação do arquivo, vai ver que eu salvei ele aí agora, 13:30.
 
Ela: Ah, ótimo! Agora o arquivo que eu coloquei aqui desapareceu misteriosamente! Sumiu! A gente salva os arquivos na pasta e eles resolvem ficar de brincadeirinha e se esconder da gente.
 
Eu: Cara, eu não tô dizendo que você não fez, e também não fui eu que sumi com o arquivo. Às vezes você pode só ter salvo na pasta errada, não sei. Acontece. O que eu disse foi que quando eu abri a pasta, ela estava vazia, só isso.
 
Ela: Ai, tá muito difícil trabalhar assim, sabia? Muito difícil!
 
Eu: O que tá muito difícil, Fulana? Eu só disse que a pasta tava vazia, daí eu digitalizei. Eu nem reclamei disso nem nada, eu não tô dizendo que você fez errado, até porque por algum motivo pode não ter salvo na rede, acontece, eu só comentei.
 
Ela: Eu não tô reclamando do processo, Carol, eu tô reclamando de você! De uns dias pra cá você tem estado chata, grossa, tá sendo muito difícil trabalhar assim, não dá não!
 
Eu: Cara, de verdade, eu não vou discutir com você. Se é isso o que você quer achar, tudo bem.
 
Ela: Eu também não vou discutir com você, vou ficar na minha aqui.
 
Eu: Ok.

observação

Apenas para evitar mal entendidos, o título do post anterior (para o caso da alemanha invadir a inglaterra) é uma referência à última frase dele (keep calm and carry on), e não necessariamente ao post em si. Tem a ver com a história do pôster britânico, do porquê dele ter sido criado, como vocês podem conferir aqui.

para o caso da alemanha invadir a inglaterra

Eu olho pra isso tudo e fico me perguntando o motivo para as pessoas continuarem fazendo suas provocações. Isso seria fruto ou consequência do que, afinal? Raiva? Mágoa? Mesquinhez? Imaturidade? Falta do que fazer? Eu não sei, sinceramente. Mas é meio triste que as pessoas não consigam, simplesmente, seguir em frente. Não digo esquecer - lembrar certas coisas é realmente importante -, mas apenas... seguir em frente.
 
Eu entendo os desabafos no calor do momento, eu entendo os desabafos quando eles vem dias depois (ou semanas, ou anos, tanto faz), eu entendo até xingamentos, se eles existirem, mas não entendo essa necessidade de provocar. Essa necessidade de esfregar na cara dos outros, de maneira sistemática e depreciativa, os erros deles, ou o que pensam ser os erros deles.
 
Não é o erro que me faz desacreditar em alguém. São coisinhas como essa, atitudes como essa, que fazem eu olhar para a pessoa e perder o respeito por ela. "Eu odeio que façam isso, mas vou fazer também só pra provar um ponto, ou só porque o outro pode fazer". Eu não acredito em ninguém que não seja fiel às suas próprias convicções. Eu não confio em ninguém que não seja fiel aos seus próprios valores.
 
E não é que eu esteja sendo radical, mas o que eu posso esperar de alguém que coloca tudo de lado - até as coisas nas quais acredita - só pra provar que está certo?
 
Eu olho pra isso tudo e digo a mim mesma:
 
Keep calm and carry on.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

s w u

Sabe quando você chega num ponto da sua vida onde tudo o que você pode pedir pra quem está a sua volta é que confiem em você? Porque você não tem mais nada a oferecer, nenhuma garantia, nenhuma prova, a não ser a sua palavra de que as coisas vão mudar, ou de que ao menos você vai morrer tentando fazer isso?
 
Acho que cheguei num desses momentos, e é meio desesperador. Eu sempre fui meio que discípula de Tomé, aquela coisa de ver para crer e tudo mais, então não ter absolutamente nada para fazer as pessoas olharem pra mim e verem em mim alguma credibilidade é um tanto quanto assustador. Como se eu fosse pra uma arena de cara limpa, sem espadas na bainha, na intenção de vencer uma causa perdida, e ainda quisesse gente torcendo por mim. Quer dizer, o ser humano é meio mórbido mesmo, mas quantos deles realmente gostam de ver uma tragédia?
 
Bem, eu só não acho que seja isso. Não acho que seja uma tragédia anunciada, assim como não acho que seja uma causa perdida. Mas talvez eu seja apenas ingênua. Na melhor das hipóteses, eu sou uma visionária! Eu não sei o que eu sou agora. Eu sei quem eu estou tentando ser - e eu gosto da pessoa que eu estou tentando ser.
 
Eu poderia dizer que estou fazendo isso pelos outros, e até certo ponto eu estou mesmo, mas eu estou fazendo isso muito mais por mim. Porque eu não posso nem vou ficar medindo a dor dos outros quando a situação aperta, mas eu tenho conhecimento da minha dor, e é dela que eu vou cuidar, e é ela que eu quero evitar, e é por isso que eu tenho que mudar. Tem que começar com alguém, afinal, e eu decidi que não ia esperar por mais ninguém, que seria por mim.
 
Nos últimos tempos eu ouvi muita gente falar sobre irredutibilidade, inflexibilidade. Mas acho que ninguém, nenhum lado, se deu o trabalho de considerar realmente que talvez o outro lado não estivesse tão maluco - e que talvez o outro lado não estivesse dizendo aquilo que o seu lado achou que ele quis dizer. Perguntar não ia doer em ninguém. Entender que a pergunta era só uma pergunta - e não um desafio ou ataque - também não. São apenas divagações, enfim.
 
Uma coisa que eu adoro no SWU é o significado do seu nome. É uma ideia tão simples, mas tão verdadeira no que se refere a mudança.
 
Não é com os outros. Não é com eles.
 
Começa sempre com você.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

sobre templos e templários

Esses dias o pai tava conversando com a mãe sobre uns problemas lá da igreja. Eu fiquei ouvindo não porque queria ficar sabendo de fofocas, mas sabe quando você tá fazendo uma coisa e ouve o trecho de uma conversa que simplesmente te chama a atenção e tu não consegue parar de ouvir? Foi bem assim. Acho que eu estava ou escovando os dentes, ou saindo do banho, e eles estavam falando sobre como minha tia - irmã da minha mãe - parecia confundir religião com política, sendo que o tom do meu pai era o de crítica e reprovação, e isso me fez pensar.

Tem semanas que eles - todos os três - estão falando em tirar de lá uma irmã que ficou "no poder" durante uns vinte anos. Parece que ela estava fazendo uma série de coisas erradas, administrativamente falando - a começar pelo fato dela administrar uma igreja, quando isso é função dos padres, dentro da arquidiocese -, mas que ela só fazia porque de certa forma era protegida pelo bispo - ou por alguém do alto clero -, que era seu primo.

Diante desse quadro, como meu pai pode simplesmente dizer que é minha tia quem está confundindo as coisas  ali quando as coisas são, claramente, políticas, dentro da igreja? Eu entendo a visão dele de que você não deve tornar a igreja uma espécie de campo de batalha porque, no fim, todos estão ali pelo mesmo motivo, que é adorar a Deus. Eu vivi dentro da igreja tempo o suficiente para ouvir e decorar esse discurso. Mas o que eu gostaria que ele entendesse é que não dá pra colocar sempre Deus na frente de todas as coisas, especialmente se você vê umas coisas que considera bem erradas. Não foi o que fizeram com a tal irmã, afinal? Ela estava fazendo coisas erradas, identificaram isso, e colocaram ela pra fora.

Ele pode alegar que ela saiu por motivos litúrgicos, mas minha tia também estava usando argumentos litúrgicos para defender a questão dela. Ele, vez ou outra, diz que ela está distorcendo a palavra - mas até que ponto ele mesmo não faz isso para justificar os atos da arquidiocese num geral, por exemplo? Eu sei - e talvez todo mundo saiba - que tiraram a irmã dali não por questões litúrgicas, mas sim políticas - porque todos os problemas com ela eram administrativos, e não espirituais.

Eu gostaria de dizer isso pra ele um dia, sem que isso significasse eu ter minha opinião diminuída por não fazer mais parte daquilo, daquele universo. Eu posso não compreender todo o mistério da fé, como ele gostaria que eu compreendesse, mas ele também não pode negar que ao menos nesses últimos anos eu acabei aprendendo algo sobre a a língua dos homens e a ciência - e que só por isso eu deveria ter o direito de falar; e ele, a paciência de ouvir.


to sir, with love

Uma das coisas que mais admiro no meu chefe é a maneira como ele vê e trata uma equipe. Ele tem esse pensamento de que o erro de um é o erro de todos, mas ao mesmo tempo ele reconhece os limites de responsabilidade de cada um, de modo que um não seja responsabilizado pelo erro do outro. A única exceção é ele mesmo. Um erro da equipe, é um erro dele. E essa é uma postura que eu considero... nobre. Eu sei de histórias de chefes que viram seus funcionários cometendo erros e que deixaram "a corda arrebentar para o lado mais fraco", mas com meu chefe não é assim. Ele não deixa a corda arrebentar, ele vai até o fim pelos funcionários dele se ele realmente acreditar que há pelo que lutar, se ele realmente acreditar que o funcionário dele fez tudo o que estava ao alcance, se ele realmente acreditar na equipe dele.

É com esse cara que eu trabalho todos os dias, e é uma postura assim que eu quero ter como profissional, que eu tento ter como profissional. Não é que ele tolere tudo, porque ele não tolera. Não é que ele seja tolo por acreditar em funcionário, é só que ele reconhece e sabe até onde vai a responsabilidade de cada um - inclusive a dele. É uma visão que muita gente não tem, é uma visão muito ampla das pessoas e das situações do dia-a-dia, que muita gente não tem. Ele conhece os limites. Pode não ser um cara perfeito - eu não o conheço a fundo, mas ele certamente não é um cara perfeito (acho que ninguém, afinal) -, mas ele sabe sobre aquilo o que realmente interessa para ser um bom líder.

Ele não sacrifica ninguém. Ele não acredita em medidas messiânicas - quer dizer, Jesus morreu para nos salvar e olha onde estamos hoje -, mas sim em soluções práticas, as mais justas possíveis para ambas as partes. Ele não acredita que pessoas devam ser passadas pra trás, ou que suas opiniões devam ser desconsideradas em situações que dizem respeito a elas. Ele não tem medo de tomar decisões que podem ser mal interpretadas se ele realmente tem consciência de que o que está fazendo é o certo - na real, ele deixa as pessoas falando sozinhas, se o assunto for sobre ele. E mesmo quando ele não concorda com alguma decisão superior, ele acata e obedece, porque ele também sabe respeitar - aquilo o que falei sobre conhecer os limites. Ele não deixa de expor seus argumentos, ele não deixa de partilhar sua opinião, mas ele respeita todas as decisões que vem de cima dele. Ele é meu exemplo.

E eu sei que tenho sorte. Talvez meu chefe seja um em um milhão, e talvez não haja mais tanta gente boa assim no mercado, o que é um pouco triste de se pensar. Tudo o que sei é que no dia que eu sair dali - ou no dia que ele sair dali -, estarei perdendo um excelente colega de trabalho e respeitável superior, que acabou me ensinando muitas coisas - mesmo sendo ele tão distante, num geral -, e que acabou me deixando muito mal acostumada, também, por acreditar que essa exceção de comportamento pode vir a ser regra - e talvez ela nunca se torne uma regra.

Um dia eu agradeço a ele por tudo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

começou assim


then love will tear us apart



(joy division | fall out boy cover)

when routine bites hard
and ambitions are low
and resentment rides high
but emotions won't grow
and we're changing our ways
taking different roads

then love, love will tear us apart, again
love, love will tear us apart, again

why is the bedroom so cold?
you've turned away on your side
is my timing that flawed?
our respect runs so dry
yet there's still this appeal
that we've kept through our lives

but love, love will tear us apart, again
love, love will tear us apart, again

you cry out in your sleep
all my failings exposed
and there's taste in my mouth
as desperation takes hold
just that something so good
just can't function no more

but love, love wil tear us apart, again
love, love will tear us apart, again
love, love will tear us apart, again
love, love will tear us apart, 

again.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

[pause] ... [stop]

A primeira coisa que pensei quando vi a sua foto foi "Mas esse garoto tem a cara do Michael Cera!", e aí, como Juno, acabei me apaixonando e-. Não. Mas eu pensei mesmo que você tinha a cara dele.

Com o tempo, descobri que não era só a aparência, você tinha também todo o jeito dele em Nick and Norah's Infinite Playlist, você tinha aquela doçura que eu sempre achei muito bonitinha. E o fato de você gostar de Beatles me fez te mostrar uma das minhas cenas preferidas do livro, quando eles falam sobre todo o significado de "I Wanna Hold Your Hand", porque eu achei que tu fosse gostar. E acho que você gostou, no fim.

Você perguntou se eu já tinha escutado a música, e eu disse que não a original, só a versão de Glee. Você disse que a original não era tão legal, e que você tinha ficado muito feliz de terem gravado na versão de Across the Universe, que a versão era linda e eu precisava ver. Você me mandou o link dela, disse que tinha cenas do filme, mas que eu não precisava me preocupar porque não tinha tantos spoilers. Eu vi o vídeo, me apaixonei pela versão – e dessa vez de verdade -, e acho que foi ali que eu decidi que te chamaria de Nick.

x

Em algum momento, você passou a me chamar de Norah, e eu perguntei se você se você fazia alguma ideia de quem ela era, pra estar me chamando daquele jeito. Quer dizer, Nick e Norah são o casal do livro e do filme, e não era como se fôssemos ou quiséssemos ser alguma coisa – qualquer coisa – parecida com isso. Mas acho que você não sabia, e eu também não ligava, porque no fim eu achava a relação dos dois muito legal, independente da pegação – eu sempre acreditei que Nick e Norah pudessem ser bons amigos, se quisessem ser apenas isso.

Mas então você já era muitas pessoas dentro de uma só, e então passou a ser meu Nick. Não que você fosse meu – você não é de ninguém, a não ser de si mesmo -, mas o cara que eu via era doce como o Nick, era legal como Nick, era divertido como Nick, era atrapalhado como Nick, e como só eu via a tal relação entre vocês, tem mais a ver com a minha visão de você, do que você ser, de fato, meu – ou de alguém.

De qualquer forma, eu realmente gostava desse casa. Ele era o cara que eu adorava chamar de amigo, o cara que eu gostava de encher o saco, o cara com quem eu queria sentar pra tomar um porre junto só porque seria muito engraçado; ele também era o cara que perguntava da minha faculdade, o cara que eu não conversava muito, mas que os poucos minutos conversando valiam o tempo sem se falar, e era o cara para o qual eu fiquei devendo muitos textos falando sobre o quão legal ele era e podia ser – a ponto de parecer que eu não me importava tanto com ele como eu me importava.

Esse era o Nick, e esse era você.

E, de verdade, eu ainda acho que esse cara seja você. Eu ainda acho que você é assim, doce, divertido, alegre. Mesmo que isso não tenha durado tanto tempo com ela, mesmo que você não seja mais assim comigo.

Só porque você deixou de ser o meu Nick, não significa que você tenha deixado de ser todas as coisas que eu via em você e que me faziam lembrar dele. Você ainda é o cara da descrição acima. Foi nossa playlist infinita que acabou sendo um fiasco, e ficou só naquela primeira música. I wanna hold your hand.

Mas acho que tá tudo bem pra quem não seguiu o canon desde o início, não é?

Se cuida.

Norah.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

um minuto de silêncio para Rachel Berry

Aí está você, garota. Tem pouco mais de um ano desde a última vez que nos encontramos, você estava sentada nas arquibancadas chorando sozinha, secando rápido os olhos com as costas das mãos porque estrelas não choram em público. Você sabia que tinha talento, e por causa disso eu acreditei em você. Você disse que queria fazer as coisas certas, pra variar, e eu acreditei em você. Acreditei tanto que te desejei solos - e quem sabe assim você não conseguiria se provar?
 
Rachel. Eu sei que você é boa. Não fui a primeira a dizer isso, e também não serei a última, mas sei que você é muito boa. E eu não te culpo pelo seu último papel, de verdade - aliás, parabéns por ele. Mas eu culpo a Deus. Foi ele quem decidiu que de todos os momentos possíveis para terem uma luta justa contigo, o momento seria exatamente aquele no qual você merecia. E isso só faz parecer que estavam tentando te roubar algo, que a vitória do outro é menor, que a vitória do outro sequer deveria ter acontecido!
 
Foi Deus, Rachel, quem deixou passar tantas oportunidades de criar talentos iguais aos seu. É tudo culpa dele. Então, com isso em mente, eu espero que você não se ofenda quando seu nome for citado pra exemplificar suas atitudes. Você é a filha a quem ele concedeu tudo, você é a filha com mais tempo em cena, cuja voz soa mais vezes, e sei que nem sempre é porque você quer, mas sim porque é assim que ele deseja. Só que por ser a tão adorada filha, é seu nome que aparecerá tantas e tantas vezes, então não leve a mal quando isso começar.
 
Não é que você não mereça. Mas só porque ele te fez assim, dona de tantos talentos, não significa que você mereça mais. É injusto com os outros que tentam,  é injusto com os outros que se esforçam e que não foram presenteado com os seus dons. Eles também estão ali, eles também se sacrificam, eles também ficam frustrados, e magoados, e- Mas eles são esquecidos. Porque a melhor história é a sua, porque o melhor alcance vocal é o seu, porque você veio diretamente da Broadway, porque porque porque. E são muitos porquês, mas nenhum que justifique, de verdade, o fato de todos os outros parecerem menores que você - quando não são.
 
Rachel. Eu só vou acreditar que você mudou quando você tiver mudado de verdade. Não é a primeira vez que você tem uma bela epifania e parece finalmente ter entendido tudo o que vem fazendo de errado. Eu só vou acreditar em você quando eu deixar de ver a garotinha mimada, arrogante, manipuladora e egoísta na minha frente. E até lá, eu fico aqui. Acreditando que baby, you're a firework, mas que isso não a faz mais merecedora de nada. Sinto muito, mas não faz. O fato de você ser um destaque não deveria fazer com que os outros fossem tratados de qualquer maneira. Isso não é justo, Rachel. Definitivamente não é.
 
Um minuto de silêncio, por favor. Eu gostaria de ouvir as vozes dos outros.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

releitura


I

Quando os primeiros acordes dessa música tocam, lembro de todas as vezes que procurei ansiosa o telefone, esperando ver seu nome nele. Um pequeno solo de guitarra servindo de introdução para dizer que a vida é linda, e que amamos até morrer. Coisas que fazem todo o sentido do mundo se eu olho pra nós há alguns meses e hoje. Sentimentos de vidas passadas, e a certeza de que você esteve lá por mim um dia, numa outra época. Nossas mãos entrelaçadas, e a certeza de que seria pra sempre. De que você lutaria por mim até o fim, não importa com quem fosse. 

Nunca deixei a música terminar, assim como nunca deixei o que eu sentia por você morrer. Mesmo quando os tempos pareciam tão difíceis. Mas é que eu sei que todas as flores do mundo gostariam de ser como as carnívoras. Até você.

II

É bem provável que eu vá me despedir de você centenas de vezes, ainda, numa tentativa de te deixar velejar em paz. Eu só espero que um dia eu consiga – me despedir e nunca mais te procurar de novo; eu espero que você consiga – sair desse continente e nunca mais voltar.

III

Fecho os olhos. Encontro você há dias de distância de mim, voltando no tempo e seguindo à frente dele, tique-taques de relógio e riscos no calendário, deixando cair sobre o corpo todas as chuvas do inverno, e todas as chuvas do verão. Achando engraçado como somos um amor de poucas primaveras e raros outonos. Marcado pelo compasso de ponteiros em segundos, em minutos, em milênios. Repleto de vestidos de época e all stars, de pedras que invadem o mar, e de mar que encontra a pedra do Arpoador. De arco-íris no meio da tempestade. Fecho os olhos e encontro você. Não importa onde, não importa quando. Só encontro. E é real.

domingo, 16 de outubro de 2011

um dia


and i finally found that life goes on without you
and my world still turns when you're not around

você vai poder cantar isso at the top of your voice.

e eu vou estar contigo.

sábado, 8 de outubro de 2011

the doctor



nobody said it was easy
no one ever said it would be so hard
.
.
we're going back to the start


.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

30 de Setembro de 2011

the bitch is back

Reabri o blog.

Eu o havia fechado, pra início de conversa, não pra poder escrever coisas sobre as pessoas e elas não lerem – até porque eu sempre escrevi aqui com a esperança de que as pessoas lessem, heh -, mas sim porque houve um tempo – o tempo no qual eu fechei o blog, claro – em que eu estava desesperada e não queria que as pessoas olhassem pra mim.

Era assim:

“Parem, parem de olhar pra mim, parem de olhar aqui pra dentro, parem com isso!”.

E então eu fechei. Eu me expus ao longo do quê? Dois anos e mais um pouco? Pra de repente entrar em completo pânico com essa exposição. Foi uma sensação estranha. E acho que por algum tempo eu acabei me desassociando de mim mesma também – aliás, isso aconteceu e foi horrível.

Mas agora eu tô aqui. Na verdade, eu tô aqui já tem um tempo, só mantive as portas fechadas pra curtir mais um pouco esse momento sozinha – porque fechar o blog também fez eu me sentir sozinha entre quatro paredes, e isso me deu uma paz  de espírito que eu não imaginei que fosse ter por causa de um gesto do tipo. Eu gosto de ficar sozinha, às vezes – lembrando que ficar sozinha é diferente de sentir-se solitária. Um pouco, sim.

Bem, estou aqui agora. Voltei sem reformas, talvez sem grandes novidades, mas voltei enfim. E não sei o que isso significa. Só sei que é – como muitas das coisas são.



harder to breathe

Ela vem pra cá. A gente vai passar menos de dois dias juntas, mas ela vem pra cá. E meu corpo inteiro vem reagindo loucamente a essa ideia desde o início da semana, e não é só respirar que está difícil, mas também pensar, e me concentrar, e fazer qualquer outra coisa que não seja contar os dias até ela estar aqui – porque vai ser o show do Maroon 5, porque vai ser nosso aniversário de namoro, porque os dois meses desde que deixei o aeroporto de Congonhas parecem muito mais que dois meses. Ela vem pra cá, e ela vem hoje. E eu não poderia ser mais feliz.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

and in the end


the love you take is equal to the love you make.


Estava sentado no meio de uma pracinha, em cima da mesa de pedra que os senhores idosos usavam pra jogar cartas, ou que as crianças usavam para jogar damas com tampinhas de garrafa, os pés inquietos batendo em um dos bancos, enquanto a cabeça descansava sobre os braços, que por sua vez descansavam sobre os joelhos. Cabelos escuros, pele clara, dezessete anos e bermuda e tênis surrados. Esse era Henrique. Os olhos cheios daquele vigor juvenil, o típico garoto adolescente que nada tinha a perder e tudo podia, no auge de sua saúde e vigor, embora não no auge de sua sabedoria.

Mas esse Henrique da praça era Henrique sozinho, esperando, olhando o relógio de cinco em cinco minutos, às vezes se distraindo com alguma mãe que passava com seu bebê em um carrinho, ou com crianças correndo pela rua, ou com uma briga de casal no prédio ao lado. Esse Henrique da praça era Henrique sem ninguém, Henrique sem os amigos, sem as piadas de menino que não sabe muito sobre a vida, que tem pai e mãe para pagar todas as suas contas e guardar suas meias, inquieto, ansioso e alerta. Esse Henrique sozinho era assustado, acuado, o vigor e o brilho da juventude dando espaço para o medo, a insegurança, toda aquela parte dramática do que é ser adolescente. Incompreendido, não levado a sério, eternamente irritado e revoltado com o mundo. Henrique sendo arrastado pelos minutos numa espera agonizante que o fazia pensar quando não queria pensar. Henrique nunca queria pensar.

O relógio marcou quinze horas, e os sinos da igreja em frente à praça badalaram quinze vezes. Henrique suspirou, aliviado. Henrique sorriu, otimista. Henrique cantarolou "we are the champions" e se sentiu vitorioso, os músculos outrora contraídos por causa da espera, por causa do estado de alerta, agora completamente relaxados, a sensação agradável de que tudo ficaria bem a partir daquele momento. Ficou de pé. Limpou a bermuda com as mãos, e desceu do banco e da mesa. Mal pisou no chão, e sentiu o primeiro golpe acertar suas costas de uma maneira muito desleal. Não quis olhar que horas eram simplesmente porque não importava mais, e preferia se defender como podia - mas eram seis contra um, e ele realmente não podia.

Henrique caiu no chão no quarto ou quinto golpe. Não eram só socos, não eram só chutes, eram também pedaços de madeira acertando seus braços, suas pernas, seu tórax e abdômen. Pequenas lascas se desprendiam daquilo que usavam para bater nele, e se fixavam em sua pele. Pequenas farpas doloridas, nas quais ele preferia se concentrar para abstrair todo o resto - como se pudesse. E os ouvidos zumbiam, a essa altura; identificava apenas alguns xingamentos e ofensas, como "filho da puta" ou "seu merda" ou "sua mãe é uma vagabunda, sabia?". Todos tinham o cuidado de não acertar sua cabeça, pra não matá-lo, mas ele queria morrer. Céus, como Henrique queria morrer. Engasgava com o próprio sangue, e queria chorar de dor. Com certeza tinha quebrado algumas costelas, e o braço direito estava num ângulo estranho. Por que ele não morria logo? Por que não perdia logo a consciência? Não diziam que se você sente muita dor, o corpo desliga teu cérebro? Por que o corpo dele não desligava? Henrique só queria apagar, mas levava mais um soco no estômago. Henrique só queria morrer, mas levava mais uma paulada nas costelas.

Quando eles pararam, não foi por clemência ou misericórdia tardia, mas sim porque foram vistos. Alguém na rua, finalmente. Ou alguém que se importasse o suficiente para afugentar os outros, mas ele jamais saberia. Henrique ficou deitado olhando o pro céu, os olhos castanhos fixos num ponto bem longe, enquanto ele mais rezava pra apagar de vez do que sentia isso acontecendo. E a ironia era que ele não acreditava em Deus.

Alguém chegou perto dele e falou alguma coisa que ele não ouviu. A pessoa saiu de lado gritando algo com alguém. Henrique continuou deitado olhando pro céu azul, o sangue começando a sufocá-lo, agora que não conseguia nem cuspi-lo. Cabelos desgrenhados, pele cheia de hematomas e arranhões pelo corpo, dezessete anos e muitos ossos quebrados. Esse era Henrique. Os olhos cheios daquele vigor juvenil, como se sua sobrevivência fosse apenas uma questão de força de vontade. Não era mesmo o auge de sua sabedoria. Mas esse Henrique da praça era Henrique, de qualquer forma.

(o relógio marcou quinze e trinta, e os sinos da igreja em frente à praça badalaram uma vez).

segunda-feira, 13 de junho de 2011

fingindo que aviões no meio da noite são como estrelas cadentes

I could really use a wish right now.
a wish right now.
a wish right now.

domingo, 22 de maio de 2011

unnamed

Rio de Janeiro, 29 de Abril de 1925

Sei, há tragédia em sua felicidade, meu amor. E sei, há tanto disso que me preocupa o fato de você ainda não ter chorado o suficiente, me preocupa o fato de você ainda não ter posto para fora toda essa tristeza, essa mágoa que te aflige o peito e te rouba o ar.


.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

under my skin II

Just for the record, não é que eu tenha esquecido tudo o que eu falei ou fiz, ou tudo o que eu ouvi e fizeram comigo. São o tipo de coisa que não dá pra esquecer mesmo, ainda mais eu, que não esqueço nunca. Mas o ponto aqui é que nunca me deram motivos, assim como eu nunca dei motivos, pra lembrar.

domingo, 15 de maio de 2011

para os matemáticos

Meus caros,

Não se desesperem acreditando que a menina de vocês vai a algum lugar só porque ela cresceu mais alguns centímetros. Para o bem de vocês, para o bem de todos, vocês precisam perceber que a menina de vocês continua no mesmo lugar. E se vocês a ouviam antes, se vocês consideravam o que ela dizia naquela época apenas porque achavam que ela estava de fora e teria uma visão diferenciada, é preciso que vocês saibam a verdade, vocês estavam completamente enganados a respeito dela.

Meus amigos, a menina de vocês nunca esteve fora dessa situação, apesar dos muitos esforços de vocês para poupá-la. Ela sempre esteve no meio, no centro de tudo, ainda que nada daquilo girasse em torno dela. Acreditem-me, não faço ideia de como ela foi parar no olho na tempestade, mas fatos são fatos. Ela nunca falou como quem olhasse de fora, mas sim como quem olhava de dentro, percebem? Até porque, bem, aquele que se encontra do lado de fora de uma pirâmide de três lados consegue enxergar apenas um desses lados, no máximo dois, talvez. E desde o início vocês concordaram que ela conhecia os três lados, meus amigos.

E então vocês se perguntam o que mudou, e eu digo que é só o cérebro exato de vocês lhes pregando peças. Num dado momento vocês passaram a acreditar que a pirâmide havia se desfeito em um quadrado, mas percebam, meus amigos queridos, que tudo isso continua sendo o problema de um trio. E que a menina de vocês continua no centro dessa pirâmide, girando em si mesma para enxergar a todos. 

O que eu preciso que vocês percebam e entendam e aceitem, meus amigos, é que nem mesmo ela, que está inserida nisso tudo, pode contrariar a física de uma forma geométrica: não existe maneira dela não dar as costas a alguém para ouvir outros dois. Então talvez agora ela só queira ficar sentada no centro, joelhos junto ao peito, e braços em volta dos joelhos, esperando de olhos fechados até tudo isso acabar.

Quando as paredes caírem, ela ficará livre para estar com vocês. Eu prometo.

Afetuosamente,

O Doutor.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

running over the same old ground

Você sabe.
 
Eu guardo toda essa coisa sentimental praquele momento no meio da noite onde só ficamos acordadas nós duas, depois que todo mundo já foi dormir na sua casa e na minha, e quando a gente pode finalmente se comportar como algo diferente de "best friends forever". Mas amanhã vai fazer três semanas que eu não falo contigo direito, sem correr, sem ficar preocupada com a conta do mês seguinte, sem ser interrompida toda hora pela droga que é o 3g do seu pai. E eu tô com saudades. De te contar sobre o meu dia, sobre minha professora que mais parece um macaquinho hiperativo, sobre o ícone do romantismo contemporâneo. Eu tô com saudades de te contar sobre as coisas que pensei no ônibus num momento em que eu não estava dormindo, saudades de comentar sobre algo que o Beto disse, ou sobre como ele reagiu quando me referi a você como "sua cunhada" pela primeira vez, ainda que ele soubesse disso desde o início. E às vezes eu acho que devia anotar todas essas coisas que me ocorrem, mas é tudo tão corrido que não dá. E quando a gente consegue se falar, a gente espreme em três minutos os assuntos que conversaríamos durante horas, e então depois desses três minutos o resto do tempo parece tão vazio.
 
Eu já estava preparada para os quilômetros, mas o peso deles parece dobrar, triplicar, se eu não ouço a sua voz e a sua risada, quando eu não escuto você sussurrando que eu preciso dormir logo antes de eu realmente ir dormir, quando eu não vejo as cores do seu nick, ou da sua janela, ou da sua fonte. E eu sinto falta disso tudo. São só detalhes, mas eu sinto falta disso como se eles sempre tivessem estado lá. É um "não poder" aumentado, onde além de não te ter ao alcance de um toque, eu não te tenho ao meu alcance de forma alguma. E com isso a saudade aumenta, a falta aumenta, essa sensação horrível de vazio aumenta.
 
Você sabe.
 
Eu vou cansando disso tudo, dessa falta, dessa ausência, do não te ouvir, do não te abraçar, do não te olhar de perto e o não tirar aquela mecha de cabelo do teu rosto. Eu vou cansando, me esgotando, mas ao invés de me fazer desistir, isso me motiva a correr atrás de alguma coisa parecida com um futuro, porque eu quero ter esse futuro contigo, eu quero que todos aqueles planos que a gente faz de madrugada aconteçam, um por um, cada um a seu tempo. E eu continuo cansando, e mesmo cansada o meu pedido é humilde, sua internet de volta enquanto não viável te ter por perto. Mas a vida, o destino, não sei, esses incidentes que não me deixam nem um nem outro.
 
Você sabe.
 
Eu estou cansada. E mesmo sabendo que é pedir demais, eu só queria você aqui.

terça-feira, 3 de maio de 2011

under my skin

Do mesmo jeito que abril veio, abril foi: agitado, conturbado, e com um punhado de mágoas entre as linhas do calendário. Coisas que a gente nunca esquece. Conversas duras, verdades ressentidas, sentimentos de Hiroshima. Coisas que a gente nunca esquece, mais pela marca que deixam na nossa pele, do que pela nossa vontade de lembrar. São as coisas que queimam. As coisas que cortam. Coisas que fazem a gente chorar feito criança - seja de tristeza, seja de decepção - um final de semana inteiro ou UM noite inteira de terça. Coisas que viram a gente de cabeça pra baixo, e que nos deixa com hematomas, que nos faz perder um pouco daquela flexibilidade, daquela paz de espírito que um dia veio no nosso pacote.


Acho que hoje meu peito tem um bocado dessas coisas, resquícios de abril e dos que vieram antes dele, que eu não vou esquecer - porque não dá pra simplesmente esquecer. E não é birra, não é teimosia. Mas só porque passou não significa que não doa mais. São aquelas cicatrizes que latejam loucas em dias de chuva. Cicatrizes de raio numa época em que eu ainda não posso dizer "all was well".


Quem sabe dezenove anos depois?

quarta-feira, 23 de março de 2011

a parte que os outros não sabem

No meio de toda aquela confusão que estava prestes a acontecer, foi a Calíope quem lembrou que precisaríamos de um lugar que servisse de alternativa não só para nós, mas também para as pessoas que não tinham nada a ver com aquilo, e que talvez ainda quisessem um lugar para discutir suas ideias, seus gostos, e seus trabalhos sem se sentirem desconfortáveis. Naquele chat, naquela noite, a proposta foi aceita com unanimidade, e eu fui uma das primeiras a dizer "eu posso ajudar com isso, então", sem sequer imaginar que essa frase seria o primeiro passo para eu acabar me tornando o registro número dois do fórum que viria a seguir.
 
Grande parte da primeira equipe não foi escolhida por votação. Grande parte da primeira equipe foi a primeira equipe porque ajudou a fundar o novo fórum, porque perdeu noites de sono pensando em nomes, soluções, sugestões, regras, tudo. Eram em torno de dez pessoas, e dessas dez pessoas cinco se tornaram administração - pelo lulz, pelo envolvimento direto, porque a gente precisava de alguém que entendesse das partes técnicas, e porque no meio de duas loucas e uma que não seria tão presente era preciso de uma que tivesse um temperamento mais tranquilo e estivesse sempre por lá.
 
Nenhuma delas era eu.
 
Eu entrei porque as quatro viraram e disseram "tu merece mais". E não é que eu realmente merecesse mais, eu fiz tanto quanto elas, sabe? E talvez eu tenha sim me envolvido demais, como eu sempre faço, e por isso me desgastado demais também, mas elas viraram pra mim e disseram isso: "tu merece mais". E isso não foi um pedido, elas nunca pediram, só acharam que por estar ali correndo atrás das coisas com elas eu merecia. O "mais" foi por conta de todo o background, tudo o que ficou atrás dos panos, foi por toda a minha raiva e frustração e decepção que elas sabiam que eu sentia - por outras coisas, por outros motivos, mas elas sabiam que eu sentia. O "mais" foi só por isso.
 
Quando se tornou oficial, fiz questão de que fosse pago pra não ter os problemas que tínhamos com quedas - a cada cinco minutos -, e saí na frente de todo mundo ao ser a primeira a dizer "eu pago". Ficou tudo no meu nome, inclusive o domínio. Mas eu nunca senti que aquilo ali era só meu, e isso era bom, porque dividir aquilo era realmente gostoso e divertido e empolgante. O gosto do "nosso" era muito melhor, naquela época. Especialmente porque,  sim, era nosso. Foi criado por nós, e para nós. Com o único objetivo da gente se divertir, com o único objetivo da gente poder falar, se expressar. A revolução começou por causa disso -  dessa regra onde os resultados dos challenges não poderiam ser comentados por pessoas que não estivessem diretamente envolvidas nos challenges -, e isso, pra gente, era o mesmo dizer "vocês não podem falar aqui, vocês não podem opinar aqui, mesmo acompanhando, mesmo torcendo, vocês simplesmente não podem". Era isso o que a gente ouvia com aquela regra, foi isso o que eu ouvi, ao menos, e foi isso o que me fez brigar.
 
Foi a Calíope quem disse lá atrás, lá em junho de 2008: "um lugar onde a gente não tenha que pisar em ovos, onde a gente se sinta bem pra falar sobre tudo". E eu acreditei tanto nisso, tanto! Foi o que me fez buscar isso com tanta vontade e com tanto empenho. Essa chance de ter um lugar para falar, essa chance de fazer desse lugar um lugar agradável o suficiente pra que todos se sentissem tão confortáveis e à vontade quanto se estivessem em casa ou entre amigos. Eu queria isso pra mim, e queria isso pra todos também. E eu acreditei. Mas foi por acreditar - e me decepcionar - que eu também mereci aquele "mais" que me deu a administração. Então eu já devia saber que eu não podia acreditar em nada que houvessem seres humanos envolvidos.
 
E é quase três anos depois que eu finalmente entendo todas as atitudes dela.
 
Eu ainda não concordo. Eu realmente não concordo as atitudes ou com aquela regra que me fez tomar partido, mas eu finalmente compreendi o que a motivou: ela já era administradora há muito tempo, há tempo o suficiente pra saber que quando você lida com pessoas, você tem que nivelar por baixo. Você tem que nivelar pelo mais baixo. E que acreditar - que o outro vai ler e pensar antes de responder, que o outro vai separar sua função da pessoa que você é, que o outro vai te dar o direito de resposta e opinião decentes sem te cobrar pelo teu cargo, que outro vai se colocar no seu lugar quando for necessário, que outro vai dar valor a tudo o que você já fez e tudo o que ainda vai fazer pra ele (mesmo que não seja mais por ele) - é completamente inútil. E burro. E que não vale a pena.
 
Catarse.
 
Agora eu entendo e sei e sinto exatamente o que ela pensou e sabia e sentiu naquela época: por eles, não vale a pena. Porque no fim das contas as pessoas ficam só com os erros.
 
Essa vai pra lista do que aprendi com o fandom.
 
Mas eu vou continuar. E posso até continuar pisando em ovos, posso até continuar cheia de dedos.
 
Porque, nesse exato momento, acabei de encontrar uma saída.

domingo, 20 de março de 2011

segunda-feira, 14 de março de 2011

e então

me despedir de você vai ser sempre como ficar parada no portão da sua casa, sem poder te beijar depois de dizer "até mais".




enquanto nosso happy ending não chega.

terça-feira, 1 de março de 2011

caso a gente faça mesmo um filme

your lipstick stains on the front lobe of my left side brain.

Eu não sei como começou. De repente eu já estava lá, e você também, e de repente eu estava dizendo que queria ser sua primeira garota - e naquela época eu não sabia que poderia ser a primeira em muitas coisas na tua vida, assim como não sabia que você, mais tarde e depois de tantas roller coaster rides, se tornaria a minha primeira também. Naquela época eu não sabia nem que suas manchas de batom haviam me tirado do controle logo no início de tudo.

i knew i wouldn't forget you, and so i went and let you blow my mind.

Mas de alguma forma, e talvez tenha sido por causa da música que eu aprendi a cantar por sua causa e para você, eu sabia que você estava mais na minha cabeça do que seria considerado saudável naquela época, naquele contexto.

my heart is bound to beat right out my untrimmed chest.

E talvez eu soubesse disso não só pela música. Talvez eu soubesse disso pela ansiedade em te ver online, talvez eu soubesse disso pela saudade que eu sentia quando você decidia não aparecer, talvez eu soubesse disso desde sempre, talvez eu tivesse spoilers desde o início, e talvez eu só tivesse muito medo de me apaixonar por você do jeito que eu estava me apaixonando – e talvez eu já estivesse até apaixonada e queria só me enganar por mais um tempo.

i believe in you.

Isso nunca me fez deixar de acreditar em você. No meio de todo aquele caos, no meio de todas aquelas brigas em que perdi horas as quais eu deveria estar mais preocupada com minhas provas e meu trabalho, e tudo o que eu conseguia fazer era me preocupar com você. Minha vontade era gritar contigo por tudo aquilo, até te fazer entender que você não precisava ser infeliz. Eu sempre acreditei que cedo ou tarde você veria isso, mas enquanto não acontecia, me desesperava te ver perdendo tudo sem conseguir fazer nada por você.

i can be myself now finally. in fact there's nothing i can't be.

E então eu disse pela primeira vez, "eu tive uma crush por você", e disse isso no passado porque acreditei que fosse passado, e também porque dali a alguns dias a gente se encontraria, e eu queria te encontrar sem complicações, sem novelas, sem tragédias de paixões não correspondidas. Mas quando eu disse, um peso saiu dos meus ombros. E conversar com você foi mais fácil, foi mais divertido, e foram horas sem discussões e pela primeira vez em muito tempo foi simplesmente certo. Eu comecei a me sentir em casa.

i want the world to see you'll be with me.

Eu viajei, e você também. Parecia até coisa de filme, eu sair da minha cidade em direção à sua, no mesmo dia em que você saia da sua cidade em direção à minha, mas estava tudo bem. Nós já estávamos nos acostumando aos desencontros, e talvez por causa disso tivéssemos pensado num plano para burlar o destino – e Deus. Nos encontramos cinco dias depois, meu coração aos saltos e eu sem graça, e eu nunca fico sem graça em primeiros encontros de amigos, mas com você por perto não tinha jeito. Se lembra do que eu falei sobre my left side brain?

Andei contigo até Botafogo, e de lá até Ipanema. E em Ipanema eu me senti em casa de novo, e quis te mostrar e dividir contigo o que eu tinha de mais importante aqui. Pela calçada de Tom Jobim eu te levei para conhecer meu lugar favorito em toda a cidade do Rio de Janeiro, as pedras do Arpoador, e lá em cima eu sentei contigo e cantei pra você. E eu te abracei com cuidado e te fiz a pergunta que talvez tenha mudado tudo pra sempre entre nós duas. E você disse sim. A primeira vez que você realmente me disse sim.

E no meio de todas aquelas pessoas, consciente de todas aquelas pessoas, eu te beijei.

you push me. i don't have the strength to resist or control you.

E te beijar foi admitir tudo o que eu vinha ignorando há muito tempo, e que eu sabia que seria assim. E enquanto eram meus lábios nos seus, enquanto eram minhas mãos traçando tuas costas, eu soube que seria só fechar os olhos e a lembrança daquela tarde voltaria como se fosse verdade de novo. E foi assim durante todo o tempo, do meu Arpoador até a sua casa. Mas foi embaixo daquela chuva, durante aquele beijo em frente à igreja, que você me teve nas mãos de um jeito que você não imagina. E ali eu tive certeza de que você havia me marcado pra sempre.

you hurt me, but do i deserve this? you make me so nervous.

Mas é claro que todas as coisas precisavam ser complicadas. É claro que no dia seguinte você tinha que escrever sobre a gente de um jeito que parecia certo. E é claro que eu tinha que eu ouvir que não era nada sério. E é claro que a gente tinha que discutir no terceiro dia do ano novo, e eu tinha que te falar uma série de coisas que você até precisava ouvir mas não de mim. A gente precisou de palavras duras e socos na cara, antes seguir em frente. Porque como disse uma amiga nossa, há algum tempo, ainda haviam sentimentos demais misturados pra que qualquer coisa ficasse realmente clara – e porque a vida sempre dá porrada, mesmo, antes de estender a mão oferecendo colo de novo.

wake you up in the middle of the night to say
i will never walk away again, i'm never gonna leave this bed

E te ligar no meio da madrugada pra avisar, só avisar, que já que tu ia continuar falando sobre aquilo, então era bom que pelo menos tu soubesse o que eu sentia por você - e que eu ficaria do teu lado de qualquer forma, e que eu não tinha intenção alguma de te deixar de novo, já estava implícito.

i would like, if i may, to take you on a strange journey

Um mês atrás. Foi aqui que a gente se tornou você&eu. E um mês depois parece até que tem mais tempo, parece até que sempre foi assim, parece até que não devia ter sido de outro modo. E as coisas se ajeitam, e parece que o universo começa a conspirar a nosso favor, ainda que Deus continue calhorda e tirando uma com a nossa cara, que nem no dia da chuva. E eu deito quase todas as noites com a sua voz nos meus ouvidos, e de alguma forma isso faz com que você esteja mais perto, e que os quatrocentos e cinquenta quilômetros não signifiquem mais nada. E eu quero te abraçar, e eu quero estar contigo, e eu quero trace your spine e sentir tua respiração na minha pele, quero perder meu tempo colocando seus fios de cabelo atrás da sua orelha, enquanto digo e repito que te amo e eu te amo e eu amo você, pra você sorrir e abaixar os olhos antes de me encarar e responder de volta que me ama também, e então sermos as duas juntas o verdadeiro ícone do romantismo contemporâneo.

she's a marshmallow

Feliz aniversário de um mês, amor.
(e ainda por cima com cheat!)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

#28

so i sing a song of love, julia

someone that changed your life


Você mudou minha vida no instante em que decidiu fazer parte dela de verdade.

Você sempre esteve num lugar à parte, sempre do outro lado da rua e do caos que era aquela época, onde eu era uma estranha e uma stalker, e você era a amiga dela – e não é que você me odiasse – acho que nunca odiou ninguém de verdade, odiou?; você só ouvia as histórias e não tinha interesse em saber se eram verdade ou não, aqueles teus desinteresse e desprezo característicos e reservados a algumas pessoas. E ela era sua amiga, por que mentiria (tanto) pra você, afinal?

Mas a vida tem dessas reviravoltas bizarras, e, numa delas, você que vivia do outro lado da linha veio parar do meu lado. Ou eu que fui parar do teu lado, eu não sei. Eu sei que no segundo seguinte você – e não eu, mas você – abriu todas as portas e escancarou todas as janelas, e quebrou minhas paredes e arrancou o meu telhado: você me contou verdades. Sim, sim, foi ela quem me fez mal, mas foi você quem jogou isso na minha cara porque era a coisa certa a se fazer, parar de mentir pra mim, parar de omitir, deixar de fazer parte disso. E eu fui grata. Eu ainda sou grata por isso, diga-se. Mas o que eu quero registrar aqui é que tu não mudou agora, tu começou a mudar naquela época, já. Eu sei. Eu vi. Eu estava lá quando começou a acontecer.

Vamos saltar no tempo, três anos.

(planos de viagem, choro de madrugada, horas no telefone, viagem, abraço, phoenix wright, comida vegana, noites agradáveis, chicago, chuva fininha, sutis demonstrações de afeto, eu te amo eu te amo eu te amo, fica bem, sentimentos em corredeiras, abraço, corações, rainhas sem cabeça, planos, sonhos, vontades, escreve escreve escreve, eu acredito eu acredito eu acredito, barca pra niterói com uma inscrição no meio do expediente, telefonema às duas da manhã, preciso falar com você, preciso te contar umas coisas, tô com saudade, fica bem fica bem fica bem, silêncio, risadas, piadas, não sei mais o que fazer, não sei mais o que falar, silêncio, eu queria te fazer uma surpresa, surpresa, embrulho no sábado de manhã, caio fernando abreu, vida vida vida vida vida vida vida vida vida vida vida vida vida, nós).

Foram bons três anos.

E eu queria que você soubesse, me dói muito mais do que você imagina. E eu queria que você soubesse, eu sinto saudades, saudades do tamanho de arranha-céus. E me sinto culpada – não pelas coisas que você disse, mas por coisas que eu realmente não sei nem entendo porque estou sentindo, e só sei que estou sentindo, e queria não sentir porque eu sou grata, porque eu sempre valorizei e ainda valorizo cada dia dos três anos, porque eu sei que amo, eu amo, eu só não sei o que eu ainda amo (se a lembrança, ou se hoje, o hoje).

E então uma errata: você não mudou minha vida. Eu mudei a minha vida. Mas o que você fez foi tão importante quanto, você acreditou que eu podia, que eu conseguia, que eu iria mudar - você acreditou, ponto. E me fez acreditar que eu podia acreditar em você. E eu acreditei em você. Porque tu nunca me deu motivos pra desconfiar que seria doce.

Eu ainda não sei o que fazer daqui. Mas eu concordo. Foram bons três anos, Verônica.

Amor, sempre,

Cah.