sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

três vezes você

I

De repente você de repente. Assim do nada, assim das mensagens, assim das músicas, assim de tudo. Você vem disso tudo, e eu aqui, esperando pra ser algo do nada também, pra ir de tudo isso também. De repente eu de repente. De mim para você.

II

Cada dia que passa, um passo para além de você. Tão silencioso, tão sorrateiro, que parece até uma brisa de inverno às cinco da manhã. E mãos geladas, e pés gelados. Essa distância em notas, toda pautada e simétrica, e eu esperando um momento, um bom momento pra voltar, mas ele nunca vem, e então outro dia passa, e mais um passo para longe de você.

III

Ouço a progressão da música e lembro da progressão da sua voz, a progressão da sua narrativa, da progressão do seu sentimento. A batida, a cadência, você ali do início ao fim, nas palmas, na voz, nas cordas e pratos e tambores e palhetas e instrumentos. E o refrão. Você completamente tomada pelo refrão, você profundamente marcada pelo refrão. É a sua música, é o seu ritmo, é a única prova que eu tive de que você era real. Eu sempre soube, pra mim você sempre foi. Real.

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