sábado, 11 de dezembro de 2010

saturday morning

Eu tô vendo o céu clarear da janela do meu quarto e ainda não dormi. Eu não te esperava, e mesmo assim você veio. Eu fiquei com todas essas falas suspensas no ar enquanto minha cabeça girava e girava e girava. E eu pensava que podia ser álcool, mas na verdade era só sono. Nós nas gargantas, dedos reticentes nas teclas do telefone e do teclado. E eu com todas essas coisas pra dizer que não mudariam nada. Essas coisas que nunca mudam nada, que são só discursos reaproveitados, e de repente eu só queria descansar a minha cabeça num travesseiro confortável e sonhar um mundo melhor pra gente, mais fácil. E tudo o que eu faço é desejar, e isso também não muda nada. Nada muda nada. A impotência latente desses músculos que não movem montanhas, e dessa vontade que não move rios ou mares. Eu teria fé, mas fé também não muda nada. E te amaria, mas amar não muda nada. Eu te amo e não muda nada. Só me resta esperar.

Um comentário:

menina disse...

que liindo. sério. me fez chorar.
você escreve com o coração e deposita tanto sentimento em cada palavra que quase é possível tocar o misto de esperança e ao mesmo tempo redição que emana do texto.

amei mesmo.
:')