sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

the yellow brick road

cause tonight's the night the world begins again

'cause i don't need boxes wrapped in strings,
and desire and love and empty things.
just a chance that maybe we'll find better days


Semana retrasada e passada eu estava em São Paulo, e eu ainda vou falar mais sobre isso.
Hoje faz cinco dias que estou em Florianópolis, e eu ainda vou falar mais sobre isso.
Daqui a seis dias vou para Porto Alegre, e eu ainda vou falar mais sobre isso.

Mas agora, nesse exato momento, eu queria dizer que faltam 22h para o ano acabar, e que eu não terei outra oportunidade de escrever algo antes de 2011, se eu não sentar e escrever agora. Eu só queria contar pra todo mundo que todos os meus desejos para 2010 acabaram se realizando, mesmo que não tenha sido da maneira que eu idealizei e sonhei milimetricamente e cuidadosamente. Eu queria dizer agora, antes que ônibus parta, antes de eu ir dormir, antes de eu sair de escuna amanhã, antes de eu ir pra praia, que 2010 foi intenso do início ao fim. Que foi um tédio, que foi horrível, que foi irritante, que foi cheio de ansiedade, que foi cheio de espera, mas que foi feliz. Especialmente o final de 2010. Eu quero dizer agora, antes que eu fique sem mais tempo, que tudo isso valeu a pena, que as pessoas valeram a pena, que o meu choro valeu a pena. E não é só esse sentimento de nostalgia que sempre bate no fim do ano não, é de verdade. Eu só queria contar pra vocês que apesar de postar menos aqui, eu SINTO que REGISTREI mais as coisas. Registrei mais as pessoas, os momentos, os pensamentos, as lições, os lugares. Eu vivi, e guardei tudo dentro de mim, ainda que eu não tenha divido com vocês. E dependendo de quem você seja, de quem você for, é possível que eu tenha dividido com você sim, também. Eu estou feliz. Eu estou feliz eu estou feliz eu estou feliz. E continuo com essa vontade de ser feliz pra sempre, e de fazer as coisas caminharem pra isso, mesmo que seja tortuoso, mesmo que seja difícil, mesmo quando parece impossível. Eu quero contar que eu conheci pessoas maravilhosas esse ano, que eu me aproximei de pessoas maravilhosas esse ano, que eu mantive na minha vida pessoas maravilhosas esse ano. Quero contar que fazer um bolo colorido com Alex, Lih, Duds e Camis é divertidíssimo; que dormir em um albergue pra passar mais tempo com a Mylla no Rio é uma loucura fucking adorável; que uma tarde inteira e um início de noite com a Giu no Arpoador é uma coisa épica; que ficar mais de uma hora numa ligação pra Porto Alegre com a Júlia, que não gosta de telefone, e que ainda me manda como presente de aniversário um livro que eu gosto, é absurdamente amável; que sair do trabalho e ficar até tarde na casa da Diana, ou até tarde no trabalho do Shade, são coisas impagáveis e queridas demais. Que passar o meu tempo com eles, ou jogando videogame com o Fabi e o Dani e a Mayara é improvável e bizarro e feliz. Quero contar muitas coisas. Quero contar todas as partes boas e que eu nunca soube escrever aqui porque sempre foi tanta felicidade que eu achava que simplesmente não cabia aqui, e acho que ainda não cabe, mas eu vou tentar reproduzir metade disso, sim. Ainda faltam 22h para 2010 acabar. E eu estou esperando por isso também, e você pode acabar, 2010, mas você acabar não significa que a minha felicidade vai junto. Ela vai ficar, ela vai querer fugir, ela vai escapar por entre os meus dedos porque ela é mesmo arisca por natureza, mas isso vai durar alguns segundos apenas, porque eu vou continuar atrás dela nessa estrada de tijolos amarelos, e eu vou alcançá-la de novo, e a gente vai sempre brincar de pega-pega assim, e mesmo que 2011 tente me dizer que eu nunca vou conseguir alcançá-la de novo, eu sei que vou, eu sei que vou. Eu quero mesmo contar, antes que o ano acabe, que 2010 me deu tudo aquilo que 2009 não me deu. E eu nunca me senti tão feliz. E que eu sei que isso é só o começo.



Um feliz ano-seguinte para nós ♥
:*

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

dezembro

eu tô com essa sensação de gratidão por você ter me ouvido a tarde inteira. pela primeira vez em semanas a gente conseguiu isso, essa proeza de passar tanto tempo conversando e rindo e se divertindo. eu tô oscilando feito um pêndulo estranho e descontrolado, mas eu conheço o meu lugar.

setembro

"Ok, eu disse que passaria a noite contigo, e eu quero de verdade, mas você fica aí sentada no parapeito da janela olhando a cidade do alto, e eu não sei mais o que fazer pra te tirar desse estado de inércia".

Ergo minhas sobrancelhas e olho pra ele como se o visse pela primeira vez. Não faço ideia de quanto tempo faz desde que a gente subiu, não faço ideia de quanto tempo faz desde que eu aceitei que ele viesse pra cá e dormisse aqui, sei só que estou dispersa, pensando em três pessoas além dele que mexem comigo de um jeito que eu não entendo.

novembro

É sobre mesas e corações. É sobre desenhar corações na mesa, talhar a madeira com aquele canivete velho do seu pai e escrever nomes e vontades e três desejos.

cah, sua idiota, música errada

fechei os olhos agora e de repente as pálpebras pareciam mais pesadas que o normal. essa vontade de dormir e esse não conseguir me atormentando. os músculos do corpo se contraindo, tão pesados, movimentos tão penosos. eu não consigo nem digitar direito. parece que eu não vou ter forças o suficiente pra erguer a mão e apertar a próxima tecla, mas eu tenho, eu sempre tenho porque sempre tenho e encontro forças pra escrever. escrever o que for, seja lamento, seja ficção, seja uma nota pra mim mesma. mas agora tudo dói. não sei se é o jeito completamente absurdo que tô sentada, talvez seja isso. eu fecho os olhos de novo, e ouço o barulho do ventilador de teto. fez calor o dia inteiro, mas agora estou pensando seriamente em pegar o edredom pra me cobrir. essas coisas que não fazem muito sentido. como o cheiro de cigarro que eu estou sentindo, o cheiro do cigarro que eu não fumei. eu olho pra mim mesma assim de fora, e chego à conclusão de que tem algo em mim que simplesmente não está dando certo.

today is tomorrow

Nesse exato momento, eu tenho uma bola de canhão no lugar do coração.

sábado, 11 de dezembro de 2010

saturday morning

Eu tô vendo o céu clarear da janela do meu quarto e ainda não dormi. Eu não te esperava, e mesmo assim você veio. Eu fiquei com todas essas falas suspensas no ar enquanto minha cabeça girava e girava e girava. E eu pensava que podia ser álcool, mas na verdade era só sono. Nós nas gargantas, dedos reticentes nas teclas do telefone e do teclado. E eu com todas essas coisas pra dizer que não mudariam nada. Essas coisas que nunca mudam nada, que são só discursos reaproveitados, e de repente eu só queria descansar a minha cabeça num travesseiro confortável e sonhar um mundo melhor pra gente, mais fácil. E tudo o que eu faço é desejar, e isso também não muda nada. Nada muda nada. A impotência latente desses músculos que não movem montanhas, e dessa vontade que não move rios ou mares. Eu teria fé, mas fé também não muda nada. E te amaria, mas amar não muda nada. Eu te amo e não muda nada. Só me resta esperar.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

the only exception

Essa música está no meu repeat tem uns dez minutos, e tudo no qual eu consigo pensar é no clipe dela e na Hayley Williams atravessando paredes.
 
 
 
 
 
 
 
 
E fica aqui o meu desejo de atravessar todas essas paredes também.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

três vezes você

I

De repente você de repente. Assim do nada, assim das mensagens, assim das músicas, assim de tudo. Você vem disso tudo, e eu aqui, esperando pra ser algo do nada também, pra ir de tudo isso também. De repente eu de repente. De mim para você.

II

Cada dia que passa, um passo para além de você. Tão silencioso, tão sorrateiro, que parece até uma brisa de inverno às cinco da manhã. E mãos geladas, e pés gelados. Essa distância em notas, toda pautada e simétrica, e eu esperando um momento, um bom momento pra voltar, mas ele nunca vem, e então outro dia passa, e mais um passo para longe de você.

III

Ouço a progressão da música e lembro da progressão da sua voz, a progressão da sua narrativa, da progressão do seu sentimento. A batida, a cadência, você ali do início ao fim, nas palmas, na voz, nas cordas e pratos e tambores e palhetas e instrumentos. E o refrão. Você completamente tomada pelo refrão, você profundamente marcada pelo refrão. É a sua música, é o seu ritmo, é a única prova que eu tive de que você era real. Eu sempre soube, pra mim você sempre foi. Real.

wave

Na minha lista de contatos, o seu nome estático e a minha vontade oscilante de discar seu número e ouvir sua voz, e ouvir sua risada, e estar perto de você mesmo que através de ondas eletromagnéticas, meu tom e meu timbre se propagando e tomando forma até te encontrar, até esbarrar em seu tímpano, nos ossículos do seu ouvido, e alcançar, de alguma forma, o seu pensamento e o seu coração.

fulminante

Se eu morresse hoje, e se nossas almas se separassem, e se nossas vidas tomassem rumos completamente diferentes, e se depois elas se cruzassem de novo em outro lugar, em outra época, em outro plano, eu sei, eu tenho certeza, eu te reconheceria em três segundos.

what if?

"Eu me apaixonaria por você".

"Ah, é? E por que não se apaixona, então?", pergunta sorrindo.

"Ah... É que eu não saberia o que fazer, se você não se apaixonasse de volta".

"Hmm, entendo"

 -silêncio-

"Mas e se eu dissesse que poderia me apaixonar de volta?"

-silêncio-

"Bem. Então eu acho que diria a verdade. Que eu já me apaixonei por você".