sábado, 18 de setembro de 2010

minutos para a meia-noite

as coisas que a gente pensa, tão distantes das coisas que a gente sente, tão mais longe das coisas que a gente diz

Não sei o que vai na minha cabeça que mexe com meu peito que me faz te olhar assim. Eu te amei um dia. Eu te amei tanto que morreria por você, e amei tão mais que mataria por você, e agora tenho esse sentimento dentro de mim de que seria capaz de estalar o seu pescoço e te ver cair no chão, talvez por amor também. Eu não sei. Não se trata realmente de morrer e de matar, estou falando só como metáfora. O ponto é que às vezes eu te olho e minha vontade é te destruir, te quebrar, te magoar de um jeito tão cruel e tão fundo que você nunca vai esquecer. É um desejo tão brutal, tão intenso!, e eu fico pensando em inúmeras maneiras de arrancar essa tua vontade de viver e fazer dela nada além de uma lembrança distante, mas então tem algo em mim que me faz parar, eu ficaria pra te assistir morrer, e ainda assim não consigo te fazer mal, eu troco as letras e as palavras e de repente está tudo bem, eu digo e repito numa voz entrecortada que está tudo bem, tudo muito bem

as coisas que a gente pensa, 
tão distante das coisas que a gente sente, 
tão mais longe das coisas que a gente diz

quando na verdade você passa do meu lado e eu quero socar a parede, a mesa, a porta. Não sei o que acontece que me muda desse jeito, eu te amo tanto, eu sei disso, eu sinto isso e já senti isso tantas vezes que perdi a conta, todos os dias e todas as noites, mas me dá um desespero também, um desespero tão forte e eu não posso te ver inteira, eu não consigo, eu não suporto, acho que sou egoísta, eu digo que te amo, eu sinto de verdade, eu toco seu rosto com delicadeza e isso é verdade, você sabe que é, você sente também, por que não vê todo o resto então?, a parte ruim?, seria tão mais fácil pra mim, e não sei se é só sobre o amor, tem todo o carinho também, essa coisa de querer te proteger de todo o mal, de todos os males do mundo, essa vontade de violência cada vez que eles cogitam violentar você e te atacar, essa vontade de guerra cada vez que eles insinuam qualquer perturbação à sua paz. 

Às vezes acho que minha cabeça vai explodir, quem é que vai entender esse tipo de coisa, eu não entendo, a raiva não some nunca, eu sinto a adrenalina se espalhando pelo corpo, a vontade de gritar mais e mais alto, minhas veias saltando o pescoço, o rosto vermelho e as pupilas dilatadas, eu estou prestes a explodir, eu quero destruir tudo isso, colocar a casa abaixo, minha respiração está cada vez mais ofegante e eu não posso te olhar sem sentir nojo, sem sentir desprezo, todos os momentos felizes dançando na minha cabeça e eu passando as mãos pelos cabelos, andando de um lado para o outro, estalando os nós dos dedos enquanto as cordas vocais vibram, e eu sinto elas vibrarem enquanto berro coisas que não gostaria de ter dito embora pensasse nelas há tanto tempo. 

Sim, eu percebo, eu sei disso, eu estou vendo e fazendo e falando coisas das quais vou me arrepender seriamente depois de tudo, eu estou com uma vontade tão grande de chorar, de ir embora, de ficar, de suspender o relógio, o tempo e o espaço e repetir até o último segundo da minha vida que eu te amo, amo tanto, tanto, tanto! Eu não te amei um dia não, eu te amo agora, eu te amo pra sempre, eu quero te amar pra sempre e com cada osso, e músculo, e célula, e átomo que compõe o meu corpo nessa vida, em outras vidas, nas vidas passadas e nas que virão um dia se isso realmente existir.

Não consigo parar de pensar em maneiras de te fazer sofrer, de te ver devastada, completamente devastada, essa imagem é que a mais surge na minha mente, a que ficou realmente marcada atrás da minha retina, mas acredita nisso, acredita nisso por favor, eu te imploro, acredita que eu te amo, que eu te amo de verdade, você sabe disso, ignora a adrenalina tomando conta do meu corpo, ignora esse meu ímpeto de matar, de quebrar, de jogar os copos contra a parede e de querer ver o vidro se partindo ao nosso redor, essa chuva de cacos e estilhaços sobre a gente, ignora isso tudo e acredita que não passa de um pesadelo ruim, de uma história de mal gosto, olha nos meus olhos e acredita em mim, acredita que -

as coisas que a gente pensa, tão distante das coisas que a gente sente, tão mais longe das coisas que a gente diz as coisas que a gente pensa, tão distante das coisas que a gente sente, tão mais longe das coisas que a gente diz as coisas que a gente pensa, tão distante das coisas que a gente sente, tão mais longe das coisas que a gente diz.

Um comentário:

Tangerina disse...

pareceu um pensamento meu, posto de uma maneira poética.

medo.