quinta-feira, 9 de setembro de 2010

the infinite playlist

Estou relendo Nick e Norah, as imagens deles se formam por trás das minhas retinas, e eu os acompanho, e eu os sigo pela noite de Nova York dentro de um Yugo velho. 

Estou completamente apaixonada por Nick e Norah, completamente apaixonada pela blusa de flanela dela, pelos mixes deprimentes e adoráveis dele, pelos diálogos desajeitados dos dois, e até mesmo por suas desilusões amorosas e seus romances cheios de términos ainda que sem fim.

Estou completamente apaixonada por Nick, e completamente apaixonada por Norah, porque é uma identificação tão grande por ele, um reconhecimento tão grande nela, que pode até parecer bobo, mas eu juro que não é, é só que insegurança é insegurança em qualquer lugar, e eles são assim, desse jeito, inseguros por mim e comigo e de um jeito parecido com o meu, entende?

Ela vai fugir o tempo todo sem dizer nada. (...) E, no fundo, não acho que Norah queria fugir também. Ela só acha que tem que fazer isso. Em parte porque ela é uma mimadinha entediada e inteligente sem nenhum senso da moda. E em parte porque ela é um ser humano.

Um jeito parecido de fugir e sabotar a própria felicidade, sabe? E ao mesmo tempo, ao mesmo tempo essa vontade de diminuir a sabotagem, de deixar o Dick Vigarismo para trás e vencer a corrida logo de uma vez, uma vontade gigantesca de viver minha própria playlist infinita, minha noite inteira de amor e, quem sabe, de música também.

Ainda sinto a dor, mas sinto muito menos vontade de mitigá-la.

Talvez eu encontre alguém legal no ônibus, talvez eu encontre alguém legal num show, talvez eu encontre um baixista interessante e que me faça rir, que me deixe à vontade e que me deixe com vontade de tentar fazer as coisas certas, vontade de fazer coisas diferentes de correr na direção oposta daquilo que eu tenho certeza que pode me fazer feliz, ou ao menos alguém que traga uma nova perspectiva, uma perspectiva mais alegre e positiva e otimista com relação à vida. 

Vamos nessa ou não?

Talvez eu sente num meio-fio e converse com um amigo até o dia amanhecer, talvez eu veja o sol nascer da janela de um ônibus enquanto estou voltando pra casa, ou então do banco de uma praça resolvo ver o céu clarear aos poucos. Talvez a minha vida mude numa noite, talvez continue a mesma coisa, talvez eu mude sozinha quando terminar de ler o livro de novo, talvez eu mude sozinha mesmo sem um livro pra ler. 

Atirar-me na brecha de nossa linha divisória será um salto de fé.

Talvez eu só precise tentar, tentar com afinco, tentar de verdade, e acreditar que alguma coisa pode ser diferente pra melhor.
Preparar.
Apontar.
Pular.

2 comentários:

Tangerina disse...

Infinitos corações.


Eu sou o contrário, me identifico com a Norah e tenhos sentimentos de admiração pelo Nick, haha.

rafa disse...

own, eu morro de vontade de ler esse livro, vi o filme só.

mais um pra lista. :*