terça-feira, 28 de setembro de 2010

a gente não conta piadas, só ironias

Passou o encanto, passou a tormenta, passou o suspiro, mas eu continuo, às vezes procuro seu nome na lista e comemoro que hoje isso aconteça desse modo, às vezes e não mais sempre, comemoro a falta de vontade de falar contigo, e comemoro o fato de já não pensar tanto em você no almoço. Na maior parte do tempo eu sei que tu não vem por estar estudando, por causa do horário, porque tem que ir ao banco, porque tem que acompanhar um amigo, e nos dias que você aparece você aparece com ela, rindo com ela e sendo amigo dela, diz que é porque nossos horários não batem e eu entendo, e eu sorrio, e eu cumprimento vocês dois e aceito, tu é meu amigo, tu quer ser amigo dela e é complicado, e eu entendo, eu aceno a cabeça e aprovo, vai em paz, não te preocupa, eu já estava preparada pra isso. Não é uma batalha, mas eu perdi; perdi pra lei do menor esforço, perdi porque eu sou aquela que vai ceder, perdi sem nem sei por que ao certo, não é uma guerra, não é uma competição, mas aí quando a falta bate  não tem como dizer que eu não perdi algo nessa situação. Tá tudo bem. Quando os dementadores chegam muito perto, eu repito e repito até cansar expecto patronum, fecho os olhos, e lembro minha memória favorita.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

my new directions

Não é que eu não entenda essa coisa do pessoal comentar Glee a sério, mas agora tenho certeza de que essa é uma vibe que eu não consigo acompanhar. Fui ler agora uns comentários num tópico de discussões, sobre o primeiro episódio da segunda temporada (depois de tê-lo visto, é claro), e quanto mais eu lia mais eu desanimava da série, de tão dissecada que ela ia ficando ao longo dos posts. 

Bem, isso não é uma bronca pra eles, não estou pedindo que eles parem de fazer isso (porra, seria muito imbecil pedir pra eles pararem de falar do seriado no tópico do seriado -q), mas queria comentar que as tais análises que eles fazem sempre me desmotivam, é impressionante! E o pior é que eles geralmente têm razão, HAHAHAH. Geralmente concordo com as falhas que eles apontam, sabe, mas daí eu vou lembrando dos episódios, das músicas, dos personagens, e então penso que adoro ser ignorante vendo Glee, que assim eu me divirto muito mais. Considero essa a minha série de férias - eu geralmente penso muito, sobre qualquer coisa, e quando vejo Glee me permito não pensar e só curtir as músicas no contexto daqueles personagens. Aprendi isso com meu irmão.
"Carolina, você vai sofrer cada vez que ouvir uma música se pensar que ela é sua com mais alguém. Agora, se você só parar pra escutá-la, se você simplesmente não pensar enquanto a ouve, então você vai aproveitar muito mais".

sábado, 18 de setembro de 2010

minutos para a meia-noite

as coisas que a gente pensa, tão distantes das coisas que a gente sente, tão mais longe das coisas que a gente diz

Não sei o que vai na minha cabeça que mexe com meu peito que me faz te olhar assim. Eu te amei um dia. Eu te amei tanto que morreria por você, e amei tão mais que mataria por você, e agora tenho esse sentimento dentro de mim de que seria capaz de estalar o seu pescoço e te ver cair no chão, talvez por amor também. Eu não sei. Não se trata realmente de morrer e de matar, estou falando só como metáfora. O ponto é que às vezes eu te olho e minha vontade é te destruir, te quebrar, te magoar de um jeito tão cruel e tão fundo que você nunca vai esquecer. É um desejo tão brutal, tão intenso!, e eu fico pensando em inúmeras maneiras de arrancar essa tua vontade de viver e fazer dela nada além de uma lembrança distante, mas então tem algo em mim que me faz parar, eu ficaria pra te assistir morrer, e ainda assim não consigo te fazer mal, eu troco as letras e as palavras e de repente está tudo bem, eu digo e repito numa voz entrecortada que está tudo bem, tudo muito bem

as coisas que a gente pensa, 
tão distante das coisas que a gente sente, 
tão mais longe das coisas que a gente diz

quando na verdade você passa do meu lado e eu quero socar a parede, a mesa, a porta. Não sei o que acontece que me muda desse jeito, eu te amo tanto, eu sei disso, eu sinto isso e já senti isso tantas vezes que perdi a conta, todos os dias e todas as noites, mas me dá um desespero também, um desespero tão forte e eu não posso te ver inteira, eu não consigo, eu não suporto, acho que sou egoísta, eu digo que te amo, eu sinto de verdade, eu toco seu rosto com delicadeza e isso é verdade, você sabe que é, você sente também, por que não vê todo o resto então?, a parte ruim?, seria tão mais fácil pra mim, e não sei se é só sobre o amor, tem todo o carinho também, essa coisa de querer te proteger de todo o mal, de todos os males do mundo, essa vontade de violência cada vez que eles cogitam violentar você e te atacar, essa vontade de guerra cada vez que eles insinuam qualquer perturbação à sua paz. 

Às vezes acho que minha cabeça vai explodir, quem é que vai entender esse tipo de coisa, eu não entendo, a raiva não some nunca, eu sinto a adrenalina se espalhando pelo corpo, a vontade de gritar mais e mais alto, minhas veias saltando o pescoço, o rosto vermelho e as pupilas dilatadas, eu estou prestes a explodir, eu quero destruir tudo isso, colocar a casa abaixo, minha respiração está cada vez mais ofegante e eu não posso te olhar sem sentir nojo, sem sentir desprezo, todos os momentos felizes dançando na minha cabeça e eu passando as mãos pelos cabelos, andando de um lado para o outro, estalando os nós dos dedos enquanto as cordas vocais vibram, e eu sinto elas vibrarem enquanto berro coisas que não gostaria de ter dito embora pensasse nelas há tanto tempo. 

Sim, eu percebo, eu sei disso, eu estou vendo e fazendo e falando coisas das quais vou me arrepender seriamente depois de tudo, eu estou com uma vontade tão grande de chorar, de ir embora, de ficar, de suspender o relógio, o tempo e o espaço e repetir até o último segundo da minha vida que eu te amo, amo tanto, tanto, tanto! Eu não te amei um dia não, eu te amo agora, eu te amo pra sempre, eu quero te amar pra sempre e com cada osso, e músculo, e célula, e átomo que compõe o meu corpo nessa vida, em outras vidas, nas vidas passadas e nas que virão um dia se isso realmente existir.

Não consigo parar de pensar em maneiras de te fazer sofrer, de te ver devastada, completamente devastada, essa imagem é que a mais surge na minha mente, a que ficou realmente marcada atrás da minha retina, mas acredita nisso, acredita nisso por favor, eu te imploro, acredita que eu te amo, que eu te amo de verdade, você sabe disso, ignora a adrenalina tomando conta do meu corpo, ignora esse meu ímpeto de matar, de quebrar, de jogar os copos contra a parede e de querer ver o vidro se partindo ao nosso redor, essa chuva de cacos e estilhaços sobre a gente, ignora isso tudo e acredita que não passa de um pesadelo ruim, de uma história de mal gosto, olha nos meus olhos e acredita em mim, acredita que -

as coisas que a gente pensa, tão distante das coisas que a gente sente, tão mais longe das coisas que a gente diz as coisas que a gente pensa, tão distante das coisas que a gente sente, tão mais longe das coisas que a gente diz as coisas que a gente pensa, tão distante das coisas que a gente sente, tão mais longe das coisas que a gente diz.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

#4

Aos meus queridos:

Enquanto escrevo essa carta, vejo você dormindo, Teso, e vejo você se distraindo, Beto. Enquanto escrevo essa carta, vejo vocês dois assim de longe mesmo estando perto, e me pego lembrando da época em que não haviam espinhas ou pelos nos rostos de vocês; época em que a voz saía meio aguda, totalmente infantil, e a língua enrolava e vocês não conseguiam pronunciar o "ele" do meu nome: "Caronina", vocês diziam e repetiam e gritavam e faziam birra.

Enquanto escrevo essa carta me dá uma saudade tão grande daquela época, meninos, porque eu soube, eu sempre soube, que ela não duraria muito. Logo logo vocês teriam a minha idade e, por deus!, eventualmente fariam as mesmas coisas que eu, e isso era tão aterrorizante! Sempre foi aterrorizante demais pensar que um dia vocês poderiam se magoar e se machucar tanto quanto eu, senão mais, entendem? A ideia dos seus corações quebrados, partidos, me dói tanto tanto tanto, que é como se fosse a minha dor multiplicada infinitas vezes por números exponenciais, intransponíveis e inimagináveis! Eu nunca desejei isso pra vocês, sempre quis que vocês tivessem as minhas coisas boas, jamais isso, jamais esse sentir demais, esses corações colados às pontas dos dedos, esses olhos de caleidoscópio e esse peito inflável, os braços e os sonhos ao redor do mundo. Mas meu desejo foi em vão, e vocês cresceram rápido, cresceram tocando músicas tristes e escrevendo tragédias de amor. Tão teatrais! Tão dramáticos, tão sinceros, tão ingênuos!

Queria dizer que nada disso vai doer, meninos. Queria dizer que depois de um tempo melhora, mas eu já esbarrei naquilo que vocês não têm coragem de me mostrar e sei que não tem mais volta. O peito de vocês vai inflar tanto que vai parecer prestes a explodir, e vocês vão querer que exploda de uma vez, mas daí ele vai esvaziar aos poucos até que comece tudo de novo.

Vocês não são como eu, sei disso. Calhou só de vocês também amarem demais, e é por isso que sei que vão sofrer demais, também, porque vocês vão sentir tudo, e tudo será de verdade, e a verdade é sempre confusa, muitas vezes dolorida, mas é também uma espécie de compensação quando todo o resto vai mal e uma espécie de benção quando tudo vai bem - acreditem, algumas coisas podem ir bem, também. Mas isso vocês já sabem. Não nasceram sabendo, mas aprenderam rápido, porque escritores que são, compositores que são, apaixonados que são, o mundo se encarregou de ensinar.

Ah. Sou a irmã mais velha aqui e me sinto tão ausente! Queria que vocês soubessem que não precisam passar por tudo isso sozinhos. Essa quest não precisa ser solitária, vocês não precisam ser mártires, sempre aparece um guerreiro novo pra fazer parte do grupo, e eu não ligo de ser a Maga de Cura de vocês, de qualquer forma, não ligo nem de morrer tentando, se for o caso. Eu quero só que vocês fiquem bem, meus amores. Esse sempre foi o meu desejo pra vocês. O maior deles.

Amor pra sempre da irmã de vocês,

Carolina.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

teu nome significa amável

Olha, queria dizer que gostei de você, mas não pelo fato de você ter me deixado um comentário, e sim pelo comentário que você me deixou. É que foi um tanto inesperado, nunca tinha te visto por aqui, mas daí tu mencionou que voltou com seu blog influenciada, de certa forma, pelo meu, e achei gentil da sua parte me permitir saber disso, achei um gesto muito amável esse, o de dividir essa informação comigo, de deixar que eu soubesse. Pra mim, é como se tu estivesse dizendo: "olha, tu foi importante". E não ligo se tenha durado dez segundos, mas é o tipo de coisa que pode, sim, mudar a vida de uma pessoa pra melhor. E acho que tu não sabe, tu não deve mesmo saber disso porque não escrevi aqui e nem te contei e nem comentei com a Clarissa (tu é a Amanda da Clah, né? Se for, então prazer! E se não for, desculpa pelo engano, mas de qualquer forma o prazer - ou a satisfação - permanece), mas é aconteceu de verdade, entende, aquele teu comentário meio que fez o meu dia. Porque não é como se eu estivesse esperando retorno, esse blog é uma espécie de blog diário, e por causa disso eu realmente não espero das pessoas que elas comentem o que eu escrevo, mas da mesma forma que tu te sentiu compelida a comentar, eu me sinto compelida, agora, a contar pra ti que foi uma boa surpresa te ler naquela sexta-feira. Eu poderia simplesmente agradecer, sabe, mas é que não vejo teu gesto como um favor, vejo ele mais com uma coisa bonita e querida. Então queria dizer isso, que fiquei feliz. E que gostei de você por isso, pela sensação boa que tu me trouxe, e que tu me dá quando lembro que tu voltou com teu blog influenciada, de certa forma, pelo meu. Assim, teu nome significa amável, digna de amor, e eu acho mesmo que tu seja isso. E acho que talvez um nome nunca tenha caído tão bem a alguém.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

malabares

Quero escrever. Quero escrever como se minha vida dependesse disso, mas de uns tempos pra cá venho percebendo que minha vida ainda não depende disso pra que eu consiga escrever desse jeito agora. Talvez eu precise amadurecer um pouco mais, amadurecer a cabeça e o pulso, as idéias e os músculos dos dedos, antes de tentar de verdade, antes de tentar como gente grande e todo esse jazz. É que acho que escrevo como adolescente, entende?, uma eterna adolescente, ou então de um jeito muito infantil e ingênuo, só. E tudo o que eu quero é escrever, escrever a sério e da vida fazer só isso, e se tiver de me preocupar me preocupar apenas com isso, de um jeito que esse isso não seja uma preocupação e sim uma ocupação. É que sou uma espécie de paranormal sem treinamento, uma daquelas pedras preciosas que precisam ser lapidadas antes de irem para uma vitrine. Escrevo com intuição, escrevo com o ouvido, escrevo com os olhos semicerrados e em ziguezague, e me falta a técnica, me falta a linha reta, me faltam o mapa e o passo a passo de como transcrever cada artéria e vaso sanguíneo ligado ao meu coração sem me perder nos fios dessa meada emocional. Eu quero e vou escrever, sabe? É só questão de tempo, é só questão de eu aprender primeiro a pensar naquilo que quero dizer e contar, porque a bem da verdade é que eu não penso tanto no que escrevo, não mudo tanto, e tudo o que você vê aqui é cópia fiel do estado da minha alma, toda essa honestidade e transparência em dados e códigos númericos suspensos numa nuvem que não existe. Vou aprender primeiro, então, e assim quem sabe não crio algo realmente bom com a quantidade de honestidade que tem em todo o resto? Sim, eu vou escrever. Antes disso, preciso só de uma habilitação em malabares na corda bamba: a arte de equilibrar e não (me) deixar cair.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

the infinite playlist

Estou relendo Nick e Norah, as imagens deles se formam por trás das minhas retinas, e eu os acompanho, e eu os sigo pela noite de Nova York dentro de um Yugo velho. 

Estou completamente apaixonada por Nick e Norah, completamente apaixonada pela blusa de flanela dela, pelos mixes deprimentes e adoráveis dele, pelos diálogos desajeitados dos dois, e até mesmo por suas desilusões amorosas e seus romances cheios de términos ainda que sem fim.

Estou completamente apaixonada por Nick, e completamente apaixonada por Norah, porque é uma identificação tão grande por ele, um reconhecimento tão grande nela, que pode até parecer bobo, mas eu juro que não é, é só que insegurança é insegurança em qualquer lugar, e eles são assim, desse jeito, inseguros por mim e comigo e de um jeito parecido com o meu, entende?

Ela vai fugir o tempo todo sem dizer nada. (...) E, no fundo, não acho que Norah queria fugir também. Ela só acha que tem que fazer isso. Em parte porque ela é uma mimadinha entediada e inteligente sem nenhum senso da moda. E em parte porque ela é um ser humano.

Um jeito parecido de fugir e sabotar a própria felicidade, sabe? E ao mesmo tempo, ao mesmo tempo essa vontade de diminuir a sabotagem, de deixar o Dick Vigarismo para trás e vencer a corrida logo de uma vez, uma vontade gigantesca de viver minha própria playlist infinita, minha noite inteira de amor e, quem sabe, de música também.

Ainda sinto a dor, mas sinto muito menos vontade de mitigá-la.

Talvez eu encontre alguém legal no ônibus, talvez eu encontre alguém legal num show, talvez eu encontre um baixista interessante e que me faça rir, que me deixe à vontade e que me deixe com vontade de tentar fazer as coisas certas, vontade de fazer coisas diferentes de correr na direção oposta daquilo que eu tenho certeza que pode me fazer feliz, ou ao menos alguém que traga uma nova perspectiva, uma perspectiva mais alegre e positiva e otimista com relação à vida. 

Vamos nessa ou não?

Talvez eu sente num meio-fio e converse com um amigo até o dia amanhecer, talvez eu veja o sol nascer da janela de um ônibus enquanto estou voltando pra casa, ou então do banco de uma praça resolvo ver o céu clarear aos poucos. Talvez a minha vida mude numa noite, talvez continue a mesma coisa, talvez eu mude sozinha quando terminar de ler o livro de novo, talvez eu mude sozinha mesmo sem um livro pra ler. 

Atirar-me na brecha de nossa linha divisória será um salto de fé.

Talvez eu só precise tentar, tentar com afinco, tentar de verdade, e acreditar que alguma coisa pode ser diferente pra melhor.
Preparar.
Apontar.
Pular.