segunda-feira, 9 de agosto de 2010

#14

Minha querida Annie,

Essa não ia ser pra você. Ia ser uma carta triste pra outras pessoas, mas não ia ser pra você. Ia ser uma carta cheia de mágoas, cheia de raiva, mas não pra você. E não ia ser pra você porque não queria te chamar de "a pessoa de quem me afastei", sabe? Acho que era doloroso demais pensar nisso, pensar que realmente me afastei de você a ponto de te cogitar como destinatário - e seria mais doloroso admitir isso em forma de carta.

Tu vê, tu sempre foi minha querida, e eu te fiz tantas e tantas promessas de estar perto! E de repente eu me vi tão longe que comecei a sentir vergonha de mim mesma, ao mesmo tempo que não sabia nem tinha ideia de como voltar. E eu quis muito, quis demais voltar pra você, voltar pra um espaço tempo onde a gente podia ser próximas como antes, já que era uma sensação muito estranha estar tão distante - mais que os quilômetros que separam a gente, Belinha.

Tu sempre foi minha querida, ainda é. Marco uma viagem, e a consciência sempre pesa porque penso que devia estar te vendo, antes de todas as outras pessoas, porque tu foi minha primeira promessa de abraço, de viagem, disso tudo. Não faço por mal, de verdade. Não marco as datas nem os lugares por critério de afinidade, juro pra ti! Comigo não tem isso de ser mais ou menos amigo, tu sabe - bem, eu espero que tu saiba, que tu lembre. Eu marco mesmo por oportunidade, talvez pelo fator proximidade no momento, não sei. Talvez se a gente estivesse mais próximas eu fosse praí; na verdade, na verdade talvez se as nossas vidas estivessem mais próximas eu estivesse indo praí - percebi agora que o coração sempre tá próximo, e que o que atrapalha um pouco mesmo é a vida. Não sei, querida. Eu te amo, Beli, amo tanto! Nos tempos difíceis, mesmo longe, mesmo com essa distância estranha entre a gente, tu foi minha âncora, sabe? Tu foi a lembrança boa no meio de toda aquela coisa bizarra na qual eu me vi de repente. Eu te amo demais, minha querida.

Queria te pedir desculpas por todas as minhas promessas quebradas até agora, por atraso em ir te ver, pela minha ausência nos momentos complicados, nos momentos onde eu costumava estar presente. Queria que tu soubesse que sempre pensei em você, durante todo esse tempo, e que ainda penso quando penso DG, quando penso clarinete, quando penso vinho barato na última rua da cidade. Queria que tu soubesse que em momento algum deixei de cruzar meus dedos por você.

Years, for you and I, Annie.

Daquela que te ama pra sempre,

Cah.

Nenhum comentário: