quinta-feira, 15 de julho de 2010

#12

you're just a sad song with nothing to say
about a life long wait for a hospital stay


Oi, Guta.

É um pouco estranho ainda te chamar pelo apelido, mesmo depois de dois anos, mas acho que essa intimidade é daquelas que transcendem tempo, lógica e contexto - vai ver porque é intimidade inventada, né, daquelas forçadas, enfiadas pela garganta a baixo. Quem não te chama de Guta? Só os estranhos na rua que não conhecem teu nome, ou que nunca falaram contigo mais que uma ou duas palavras (“desculpe”, “com licença”). Tu é Guta pra todo mundo.

Divagações à parte, esse é teu lugar nos meus trinta dias, florzinha: a pessoa que mais me causou dor.

Não é perseguição não, Guta, nem obsessão, como tu chamaria – e já chamou uma vez, né? Isso aqui é só uma constatação. Infelizmente, tu passou pela minha vida e deixou essas marcas, fez tua história em cima da minha desse jeito. Mas se te faz mais feliz, se te consola, se infla teu ego, então toma essa verdade: tu foi importante, afinal. Tu foi crucial, Gutinha, pra que eu não conseguisse mais olhar para as pessoas sem esperar algo ruim, sem esperar algum comentário maldoso, sem esperar que se aproveitassem. Tua existência meio que me abriu os olhos para o mundo e do que ele é capaz, e eu fiquei arrasada durante muito tempo, e mesmo agora eu não consigo fugir do que tu me deixou, não consigo escapar dessa desconfiança que ajuda a sabotar meus relacionamentos, independente da natureza deles.

Mas eu não te odeio, não te maldigo, não desejo coisas ruins a você – pelo contrário, até; que tu sejas feliz, ao teu modo. Só quero que tu saiba das coisas com exatidão, florzinha, que antes de ti não esperava nada de ninguém, e que depois de você eu espero sempre o pior das pessoas – eu espero de todos todas as coisas ruins que tu já fez pra mim.

(sabe que música tu é pra mim, Guta? A tua preferida do MCR, a música que abre essa carta)

Eu fiquei pensando, durante muito tempo, o que te levava a fazer as coisas que você fazia. Fiquei horrorizada quando percebi que fazia o mesmo, que te acompanhava, e que quando não te ajudava, me omitia e ria de longe, achando tudo muito bonito e engraçado – porque não era comigo. Hoje eu sinto remorso disso tudo, Guta. Fico imaginando se tu sente remorso também, de alguma coisa, de qualquer coisa! Ou se isso nem passa pela tua cabeça, se tu nem lembra, mesmo quando tu ouve as músicas que te apresentei, se tu ainda faz a egípcia...

Eu não te odeio não, Gutinha. É só que o tamanho da minha decepção foi proporcional ao tamanho da amizade que eu tinha por você, sabe? Que eu tinha por você, vale frisar, e não o contrário. É só que eu não entendo como alguém que perdeu tanta gente (e se importou com isso) pode e consegue perder tantas outras pessoas por não dar a mínima. Sempre foi sobre você, então?

O pior nisso tudo é que tu foi a primeira a se aproximar, foi gentil, foi simpática. Tu ouvia, dava conselhos, ajudava com trabalhos de escola, ria junto e dava colo. Tu dividiu tua vida comigo, falou do rapaz pelo qual tu era apaixonada, falou dos dias em que tu quis morrer! Como não te considerar minha amiga depois de tudo, Guta?

Mas fazia parte do teu show ser assim. Eu te conheci depois, e devia ter perguntado diferente: como acreditar que tu era minha amiga, Guta, sabendo de tudo, sabendo como tu era com os outros? Como acreditar que comigo tu seria diferente, se tu sempre foi Guta pra todo mundo?

this never meant nothing to you

Apesar de tudo, de tudo mesmo, espero que tu seja feliz, Florzinha; de verdade e de coração, em memória da amiga que tu foi pra mim um dia - mesmo que nem fosse verdade.


Sem ódio, sem raiva, sem mágoas,

Cah.

8 comentários:

Anônimo disse...

valeimedeus.

vou ali beber uma água dpois disso e volto já.

florzinha hahaa ri alto.

;*

pottah.

Anônimo disse...

nego que curte edward cullen é suspeito!


e nego que tem amizade com quem não usa sutiã tbm é suspeito.

fernanda disse...

:*

Anônimo disse...

sinto que a buh assinaria embaixo dessa carta.

.moony. disse...

(L)

(é tudo o que eu posso dizer, acho)

.laurel. disse...

Meu coração pra ti ♥

Mylla disse...

Bruno Melo disse...

Eu li esse texto, na sua frente, atráves da tela do seu celular, e ouvindo detalhes a história.

Você é a cah, você é simplesmente a cah. Justamente o que torna impossivel não gostar de ti.

Eu demorei a vir aqui, as vezes eu gostaria de lembrar mais vezes de voltar no seu blog, porque tudo escrevepracaraleo, mas sabe, eu demorei a vir aqui, e eu nunca fui chegado a chegar na hora certa mesmo.

bjs