sexta-feira, 30 de julho de 2010

chove

Às vezes digo que gosto de chuva, mas acho que isso é um pouco de mentira - gosto mesmo é daqueles minutos antes, quando venta forte, quando as folhas das árvores caem, quando as gotas ainda são finas demais e apenas salpicam o rosto.

Gosto mesmo é dos minutos antes da tempestade, da sensação de tempo suspenso, e de que o mundo pode e vai acabar em três dois um...

quinta-feira, 29 de julho de 2010

symphony

bitter
ouço teu choro de agora e sinto as pontas dos meus dedos gelarem, o nó na garganta e o pânico descendo a nuca, percorrendo a espinha e se espalhando pelo corpo. ouço teu choro de agora e me dá uma vontade de chorar também, um desespero, uma sensação ruim e um medo tão grande de voltar, voltar praquela vida, praquele contexto, praquela época onde se rezava pra morrer dormindo. ah, eu não quero voltar... já faz muito tempo, nem lembro mais que músicas eu cantava enquanto as coisas ruins aconteciam, enquanto você me machucava, nem lembro mais, nem sei o que fazer se acontecer de novo, minha vida tão diferente agora, e um pouco menos de tudo aquilo que me segurava antigamente. eu ouço teu choro, eu sinto a tua dor porque durante muito tempo tu precisou me magoar também, pra eu sentir tudo o que você sentia, então eu entendo, entendo e me desespero, porque eu não quero voltar, e sinto teu medo de que volte, mas por favor, por favor resiste. por mim e por você, por favor resiste. por favor, por favor, por favor, por favor... chorar por isso de novo vai acabar comigo.

sweet
sair da casa dela às 2h da manhã no dia do amigo e depois, a corrida no domingo, davi e golias, a noite estrelada, a volta pra casa, o ponto de ônibus, o metrô do Largo do Machado, o 711, a derrota no futebol, a volta pra casa numa quinta-feira à noite com eles três e eu rindo, a viagem nas férias, e as coisas boas, todas elas, se lembra disso, se lembra disso, se lembra disso, fica com isso.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

#19

Fabi, essa é a terceira vez que escrevo pra você.

É que não tem mais ninguém com lugar cativo na minha mente, pelo menos não por enquanto. E isso é meio irônico, já que ontem eu te disse que precisava de um tempo de nós dois, já que cada vez que a gente ficava se olhando em silêncio meu peito se enchia cada vez mais de calor e carinho e todas essas coisas que fazem sorrir, que me faziam sorrir de orelha a orelha, e que era meio injusto se a gente parasse pra pensar e reparar que quando você me olhava o carinho era diferente do de antigamente, que o carinho de hoje era carinho de amigo, de grande grande amigo, e mais nada. Então eu disse isso ontem pra você, Fabi, que precisava de um tempo, que eu tinha que parar de fazer as coisas com a motivação errada, só pra te ver, só pra ter mais alguns momentos contigo. Porque eu sei que não daria certo, sabe? Todo esse sentimento reprimido, às vezes externado, e sem retorno, sem qualquer tipo de retorno, agora ou depois, talvez nunca mais um retorno.

Ah.

Você tá sempre lá quando eu olho, quando eu subo e desço as escadas, quando eu desço a rua, quando eu pego o ônibus, quando vejo a UERJ, quando penso Arpoador. Tu é tão onipresente, Fabi! Que chega a ser assustador, sabe? Não imaginei nunca que chegaria a esse ponto, nem que duraria tanto, mas durou, tem durado, e eu aqui tentando me distrair de você, do meu pensamento em você.

Você tá sempre lá, Fabi. É impressionante, mas você tá sempre lá. Tu é minha promessa de Amsterdã, e eu não tenho mais vontade de ir até o Vondelpark se não for contigo, se não for pra cumprir o que a gente combinou naquele dia de chuva. Eu te disse isso, não foi? E disse também pra você nunca se sentir o segundo, porque você não é o segundo e eu não te sinto como o segundo; você é muito mais especial que isso. Você é e sempre vai ser minha Noite Estrelada.

E você bem sabe o que isso significa.

Amor, sempre,

Carol.


P.S.: O que você não merece é o que eu não mereço também, Fabiano, esse meu sofrimento insistente. Mas o amor ainda pode ser teu - o amor sempre poderá ser teu, aliás. Esse, acho que você nunca vai deixar de merecer.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

#20

...is my crash

Todas as coisas que tu me diz quebram o meu coração. Despedaçam, deixam em cacos, estilhaçam. Tu sempre transforma em pó todas as coisas que eu sinto e as sopra ao vento - ao vento, pra me deixar livre; mas a que preço, meu amor?

Foi uma relação injusta desde o início. Tu me querendo mais do que eu te queria, e agora eu te querendo mais do que algum dia tu me quis. É cômico de um jeito triste, o fato de que quanto mais eu sinto por ti, mais eu percebo que tu nunca sentiu tanto por mim. Tu é orgulhoso, fez birra quando eu disse o que sentia, e não acreditou nas coisas que eu dizia porque na tua cabeça aquela não poderia ser eu. Justo eu, meu amor. Conhecendo como tu dizia conhecer, tu devia saber que eu não mentiria sobre um assunto tão sério, e que seria o tipo de sentimento verdadeiro até os ossos, até o último átomo do meu corpo, sentimento de quem escreve a alma e com a alma – e eu escrevi você assim tantas vezes!

Tu não é muito diferente dela. Sei que faltou a coragem de dar o passo seguinte e correr o risco de sentir a dor que eu sinto todas as vezes que te vejo. Tu sabe que desistiu antes que pudesse sofrer. Tu disse, até, que não queria sofrer por amor – e eu tomei a liberdade de entender que tu não quis sofrer por mim.

Mas sabe pior nisso tudo, querido? O pior nisso tudo não é ouvir de você que você resolveu trancar todas as coisas que sentia por mim pra não ter que passar pela parte mais difícil - o pior nisso tudo é eu estar disposta a passar pela parte mais difícil por nós dois.

Eu te amo tanto! Só não tenho mais certeza se tu merece isso.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

#2


my crush...

Tava pensando no que eu poderia te dizer de diferente, mas eu não sei - digo, até sei o que te dizer, mas como? Minha vontade é dizer pra você tudo o que eu sinto, o quanto eu sinto por você, o quanto eu queria te fazer feliz, a quantidade de vezes que prendo a respiração quando você está bem próximo, o quanto fico ansiosa pelo horário do almoço só pra te ver, mesmo de longe, às vezes só de longe.

Queria te dizer coisas bonitas todos os dias, sem que isso significasse um momento constrangedor logo em seguida.

E, sabe, estou irreconhecível. Às vezes me pego pensando em como nossos sobrenomes ficariam juntos, fico fazendo combinações, várias delas, e me divertindo com isso, rindo sozinha. Coisa que eu não fazia desde minha terceira série, faz ideia disso? Mas nem acho bobo, nem tenho vergonha disso, porque é um gesto que me deixa tão involuntariamente feliz que não tem porque eu diminuir.

Queria passar mais tempo contigo. Sabe, tudo bem se não for desse jeito romântico, desde que tu esteja por perto, desde que tu fique mais tempo no ônibus, e eu tenha mais tempo pra tocar no teu braço ou pra esbarrar minha perna na tua por acaso. É engraçado como tua presença me basta, teu nome online no Skype pra fazer meu coração saltar, você atravessando a porta do refeitório pra me fazer sorrir. Fico torcendo pra encontrar contigo no ponto de ônibus, às vezes, pra gente poder sentar junto e eu seguir viagem ouvindo tua voz.

Não queria repetir isso, porque repetir é reforçar e reafirmar, e eu já reforço e reafirmo tanto pra mim mesma, que não tenho coragem de fazer o mesmo contigo. Na verdade, tenho tanto medo de ficar te dizendo todas essas coisas e acabar te afastando! Estragar o que a gente tem hoje, que é a coisa mais próxima do que a gente tinha e que tem me feito bem – na medida do possível.

Eu não sei. Quero te ver feliz, e de uns tempos pra cá você tem realmente chegado perto disso, então fico com medo de estragar isso também. Tua felicidade é tão importante pra mim, você é tão importante pra mim, que eu não sei... O que eu sei é que por mim teu ponto de ônibus não chegava nunca, que o toque das nossas mãos jamais seriam interrompidos, que as coisas seriam todas diferentes! Mas olha só como é entrar louca num sentimento desses: fico te olhando e pensando que talvez tu esteja bem próximo de encontrar o amor da tua vida, e que essa pessoa não sou eu. E que talvez esteja tudo bem, se ao menos tiver um 711 pra gente - em qualquer tempo ou lugar.

Sou completamente apaixonada por você, você sabe...

Com amor,

Carol.

terça-feira, 20 de julho de 2010

à parte

Não é que eu esteja esperando alguma coisa agora, mas recebo lindas declarações de pessoas pelas quais ainda sou apaixonada, com a certeza de que não ficarei com nenhuma delas por causa da falta de contexto para ficarmos juntas. Sou especial na medida certa; apenas no tempo errado.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

#24


Não tinha certeza se era você até lembrar.

Quase dois anos atrás, tu me deu o Arpoador, querida. Numa quinta-feira de agosto, no terceiro dia, enquanto o sol se punha.

Não sei se você se recorda, mas naquela tarde eu estava dispersa. Era o terceiro dia sem minha avó, e eu tinha me encontrado contigo porque precisava desesperadamente sair de casa e porque precisava desesperadamente te ver. Era uma mistura de ansiedade, com confusão, com culpa, com tudo. Mas atravessar a prefeitura e te encontrar do outro lado, em frente à estação do metrô, fez meu corpo ficar mais leve. A gente se abraçou, e foi um abraço desajeitado, de quem não sabia o que esperar do momento seguinte. E, de fato, não havia momento seguinte porque não havia planejamento. Escolhemos o Arpoador por mero acaso, porque era seu lugar preferido, e porque eu tinha a vaga lembrança de que era um lugar bonito.

Não lembro de ter te contado sobre minha mãe, e sobre tudo o que aconteceu na minha vida no primeiro semestre de 2006. Tenho quase certeza de que não mencionei nada a respeito, então você não devia saber na época - como não sabe ainda -, que a única vez que eu tinha ido ao Arpoador até então foi antes de voltar para casa – depois da crise da minha mãe, depois de uma semana fora. Era final de maio de 2006, e foi um dos dias mais tristes da minha vida. Foi a primeira vez que a paisagem da pedra me engoliu, a primeira vez que eu quis desaparecer daquele jeito – porque ainda havia um medo muito grande de voltar para casa, para ela.

Quando voltei lá pela segunda vez, contigo, tinha tudo pra me sentir do mesmo jeito, a mesma tristeza querendo me levar com a maré, mas não – não foi isso o que aconteceu. Quando voltei lá pela segunda vez, contigo, foi como se aquilo fosse uma espécie de presente, uma recompensa. Hoje percebo que não só por você, mas por tudo. Pelo dia bonito, pelo clima ameno, pelo beijo que a gente trocou - marcando uma espécie de recomeço, pra mim. Você não sabe, mas naquele dia você me deu o Arpoador e uma nova vida, um novo sentido de continuar aqui – nessa cidade, nessa terra que não me prendia, e ainda não prende, mas que hoje ao menos me atrai com a força de um campo gravitacional.

Depois do Arpoador, você me deu todo o resto. Você me deu todas as lembranças que eu precisava para aprender a amar o Rio, meu lar.

Não foi você quem me fez ficar, coração, preciso deixar isso bem claro; mas foi você quem me fez buscar motivos para querer continuar aqui – e me fez ver beleza nos motivos que eu encontrava pra mim.

Sou imensamente feliz por isso.


Com amor,

Cah.

#7

Ah, garoto...

Não tem muito tempo eu estava pensando em você. Estava contando a ele como foi quando te conheci, como foi quando fiquei contigo pela primeira vez, como foi que não te namorei. Uma história que poderia ser engraçada, se não significasse todas as coisas que vieram depois, todos os desencontros que tive até hoje.

Ah, garoto! Ainda tenho a lembrança do nosso primeiro beijo. Você não foi o primeiro de fato, mas às vezes penso que é como se tivesse sido. Esses seis anos não me tiraram da mente o jeito como você sorriu pra mim quando levantei para ir embora, ou antes de me puxar para sua cama, sua mãe na cozinha falando alguma coisa contigo. Foi rápido, tinha gosto de baunilha, suas mãos ainda estavam geladas, e a gente riu no final. Uma risada do tipo cúmplice, antes da sua irmã entrar no quarto e perguntar se eu já tinha arrumado minhas coisas.

Eu era amiga dela, antes de ser qualquer coisa tua, mas ela sabia da gente e torcia por nós dois. Eu também torcia por nós dois, sabe? Só não acreditava que você, desapegado do jeito que era, poderia um dia perguntar se eu não queria ser tua namorada. Não esperava isso nem de brincadeira! Acontece que tu perguntou, perguntou no teu tom de sempre, como se fizesse piada, se eu não queria namorar contigo. Pediu três vezes, e na terceira parecia até verdade! "Namora comigo". E eu disse não.

Depois disso não houveram mais beijos, não houve você prendendo meu corpo na parede da sua casa, não houve você tentando pegar a bala da minha boca, ou eu tentando roubá-la da sua, não houve você me chamando de garota só pra me provocar, ou repetindo meu nome, Aninha Aninha Aninha, só pra eu ter motivos de te olhar. Depois disso não houve mais nós dois.

Pode ter sido uma grande coincidência, é claro, mas não sei. E é isso o que me mata, garoto, é isso o que acaba comigo - eu não sei. Não sei se tu estava falando sério, e depois que não houve mais nada entre a gente fiquei com medo de perguntar, ouvir que era sério sim, que tu queria, e então descobrir que eu tinha acabado de verdade com minhas chances de ficar contigo, do jeito que eu torcia pra ficar. Talvez tudo fosse diferente, se eu tivesse dito sim; toda a minha vida, todo o meu jeito de agir com os que vieram depois de você, mas eu não sei. Não vou saber nunca.

Por via das dúvidas, queria que tu soubesse. Tu não foi o primeiro beijo, garoto, mas foi o primeiro desencontro. Meu primeiro acidente de carro.

Como te esquecer, então?



Com carinho,

Aninha.

domingo, 18 de julho de 2010

#11

Minha tia disse que seu nome era Roberto. Ela disse também que você era o filho mais velho do meu tio-avô, que era bonito, que era simpático, rico e inteligente, e que se matou. Disse que o dia estava bonito, quando você chegou em casa e tomou uma caixa de veneno pra ratos.

Não lembro quantos anos ela disse que você tinha, mas lembro que disse que você era novo. Lembro também que de todas as mortes das quais tive conhecimento, a sua foi uma das que mais me tocou, sabe? Eu não te conheci. Tu seria meu primo, mas por algum motivo que ninguém sabe eu não te conheci.

Tu tinha tudo o que muita gente queria, diziam. Era o filho favorito do Tio, o que ele sempre pedia pra voltar pra casa, mas tu nunca voltava. Tu não era muito feliz lá, era? Mas ao mesmo tempo, tu também não era feliz aqui, se tu te matou.

Robertinho era como minha tia te chamava, e acho que era como todo mundo te chamava também. Eu queria ter te conhecido, sabe? De todos os primos, de todos os mortos da nossa família que não cheguei a conhecer, de todos os que de fato conheci e os quais até cresci junto, tu é aquele que me desperta a maior empatia, o maior carinho, o maior interesse.

Não sei por que, mas acho que eu gostaria muito de ti, e que talvez tu fosse um dos meus preferidos também, mesmo que meus motivos fossem diferentes dos do Tio. Tem algo em você, primo, algo na tua história, na maneira como tu fez as coisas, que eu não consigo esquecer, que eu não consigo ignorar. Não faço ideia do que passou pela tua cabeça, mas entendo isso de um jeito tão violento que depois que minha tia entrou de novo na casa dela, me reservei o direito de chorar por você, com você, nem sei.

Minha tia disse que tu deixou tuas coisas pra um amigo, inclusive tua bicicleta, que era teu bem mais precioso, o teu favorito. Ela disse que, na verdade, até mesmo a única carta que tu deixou foi pra ele, e que a família não reagiu bem a isso, como se tu te importasse mais com ele do que com quem era do teu sangue.

Minha tia não ligou. Acho que ela até entendeu, assim como eu penso ter entendido também.

Sabe, talvez não mudasse nada, mas eu gostaria de ter tido a oportunidade de mostrar a você todas as coisas que me fazem ficar, Roberto, ainda que me faltem as raízes – as mesmas que te faltaram. Tem sempre algo puxando a gente, primo, sempre. Especialmente a gente, que é meio diferente e carrega essa tristeza nos olhos como se fizesse parte de nós. Mas eu tenho tentado lembrar, primo, que essa tristeza não tem que fazer parte da gente não. E que uma hora ou hora a gente acaba encontrando algo pra preencher esse vazio dentro do peito – durante algumas horas, durante um dia, talvez pra sempre.

Um dia eu descubro, primo. Um dia eu descubro um jeito de tapar esse buraco por nós dois.

Da prima que você não conheceu,

Ana Carolina.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

#17

Vó,

Não tem como pensar na minha infância e não lembrar de você. Aliás, pra ser sincera, a maioria das lembranças da minha infância estão relacionadas à senhora. A gente era tão próxima, Vó, naquela época, que às vezes eu me pego pensando no porquê da gente ter se afastado tanto. Lembro que a senhora me levava para a escola todos os dias, e no caminho nós sempre parávamos naquela padaria de esquina pra comprar um chocolícia pra merenda. Lembro que, apesar de caro, eu sempre pedia chocolícia porque era o que tinha a embalagem mais bonita, com aquela caixa de tons quentes, e dentro dela o biscoito naquele embrulho transparente - eu adorava aquilo, ainda não fosse nada demais.

Na volta do colégio, tinha um barzinho que ficava em frente ao armazém da Antônio Rêgo, e a senhora sempre parava lá pra tomar um ar antes de continuar o caminho; pagava uma cerveja pra senhora, e um 7 Up pra mim. Não lembro o que a senhora conversava comigo, nem lembro se a senhora de fato dizia algo, mas lembro da senhora passando as mãos pelo rosto antes de sentar do meu lado na cadeira e suspirar.

É engraçado, Vó. Lembrar dessas coisas hoje quando tudo parece distante demais – são uns dezesseis, quinze anos, já. É engraçado lembrar dessas coisas quando hoje a embalagem do chocolícia é diferente, quando o barzinho fechou, quando eu nem sei se ainda existe o 7 Up. E como se nada disso bastasse, fico lembrando e contando tudo através de carta, quando a senhora nem sabia ler direito, Vó.

Aliás, lembrança da minha infância também é quando eu tentava ensinar a senhora a ler. Era tão trabalhoso, eu era tão nova e achava tudo aquilo tão chato! Às vezes eu perdia a paciência com a senhora e deixava todos os livros de lado pra fazer qualquer outra coisa. Com oito ou nove anos eu era uma criança bastante difícil, fazia birra quando estava chateada por ficar enfurnada no quarto da senhora te ensinando o bê-a-bá.

Mais tarde, mais precisamente depois da senhora ter morrido, lembrei que o pouco que a senhora lia, a senhora lia por minha causa - isso ainda me emociona demais, Vó. A senhora tinha aprendido um pouco, afinal, e aquelas horas que antes eu julgava serem perdidas acabaram valendo um monte. Com aqueles óculos enormes e com a minha pouca paciência infantil, a senhora conseguia fazer um pouco daquilo que hoje eu amo – e que eu queria ter amado muito antes, pra poder ensinar isso a senhora também.

Ai, Vó. Quando a senhora morreu, grande parte da minha infância foi junto. Algo em mim meio que se desligou, como se uma luz tivesse sido apagada. Às vezes eu reacendo a lâmpada e nos vejo antigamente, com ajuda da minha mãe, que me lembra uma época em que não podia te ver de camisola que eu chorava e pedia pra senhora tirar a roupa feia, que a gente tinha que sair – não importando se já tivesse passado da meia-noite.

Sinto tanto a sua falta, Vó. Da sua comida, do seu cheiro, da sua voz! Não sinto falta da Vó que você era quando morreu, meio amarga, meio reclamona e sem paciência com a gente, aquela que dizia coisas horríveis pra mim. Sinto falta da Vó de quando eu era pequena, da Vó que significava e sintetizava toda a minha infância, tudo o que eu fui e tudo o que eu fiz. Sinto falta da gente, da época em que eu trocava o meu quarto pela cama da senhora e achava que tudo estava bem. Porque com a senhora tudo sempre estava bem, Vó.

Obrigada.

Devia ter dito isso antes, quando a senhora era viva ainda; devia ter dito que a senhora conseguiu me fazer feliz aquilo que a senhora não consegui pelos meus tios e pela minha mãe. Mesmo que tenha sido só durante aquela época, obrigada por ser meu momento tenro, Vó, o momento mais ingênuo e querido da minha vida. A senhora sempre esteve lá e sempre vai estar.

Com amor,

Li.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

#12

you're just a sad song with nothing to say
about a life long wait for a hospital stay


Oi, Guta.

É um pouco estranho ainda te chamar pelo apelido, mesmo depois de dois anos, mas acho que essa intimidade é daquelas que transcendem tempo, lógica e contexto - vai ver porque é intimidade inventada, né, daquelas forçadas, enfiadas pela garganta a baixo. Quem não te chama de Guta? Só os estranhos na rua que não conhecem teu nome, ou que nunca falaram contigo mais que uma ou duas palavras (“desculpe”, “com licença”). Tu é Guta pra todo mundo.

Divagações à parte, esse é teu lugar nos meus trinta dias, florzinha: a pessoa que mais me causou dor.

Não é perseguição não, Guta, nem obsessão, como tu chamaria – e já chamou uma vez, né? Isso aqui é só uma constatação. Infelizmente, tu passou pela minha vida e deixou essas marcas, fez tua história em cima da minha desse jeito. Mas se te faz mais feliz, se te consola, se infla teu ego, então toma essa verdade: tu foi importante, afinal. Tu foi crucial, Gutinha, pra que eu não conseguisse mais olhar para as pessoas sem esperar algo ruim, sem esperar algum comentário maldoso, sem esperar que se aproveitassem. Tua existência meio que me abriu os olhos para o mundo e do que ele é capaz, e eu fiquei arrasada durante muito tempo, e mesmo agora eu não consigo fugir do que tu me deixou, não consigo escapar dessa desconfiança que ajuda a sabotar meus relacionamentos, independente da natureza deles.

Mas eu não te odeio, não te maldigo, não desejo coisas ruins a você – pelo contrário, até; que tu sejas feliz, ao teu modo. Só quero que tu saiba das coisas com exatidão, florzinha, que antes de ti não esperava nada de ninguém, e que depois de você eu espero sempre o pior das pessoas – eu espero de todos todas as coisas ruins que tu já fez pra mim.

(sabe que música tu é pra mim, Guta? A tua preferida do MCR, a música que abre essa carta)

Eu fiquei pensando, durante muito tempo, o que te levava a fazer as coisas que você fazia. Fiquei horrorizada quando percebi que fazia o mesmo, que te acompanhava, e que quando não te ajudava, me omitia e ria de longe, achando tudo muito bonito e engraçado – porque não era comigo. Hoje eu sinto remorso disso tudo, Guta. Fico imaginando se tu sente remorso também, de alguma coisa, de qualquer coisa! Ou se isso nem passa pela tua cabeça, se tu nem lembra, mesmo quando tu ouve as músicas que te apresentei, se tu ainda faz a egípcia...

Eu não te odeio não, Gutinha. É só que o tamanho da minha decepção foi proporcional ao tamanho da amizade que eu tinha por você, sabe? Que eu tinha por você, vale frisar, e não o contrário. É só que eu não entendo como alguém que perdeu tanta gente (e se importou com isso) pode e consegue perder tantas outras pessoas por não dar a mínima. Sempre foi sobre você, então?

O pior nisso tudo é que tu foi a primeira a se aproximar, foi gentil, foi simpática. Tu ouvia, dava conselhos, ajudava com trabalhos de escola, ria junto e dava colo. Tu dividiu tua vida comigo, falou do rapaz pelo qual tu era apaixonada, falou dos dias em que tu quis morrer! Como não te considerar minha amiga depois de tudo, Guta?

Mas fazia parte do teu show ser assim. Eu te conheci depois, e devia ter perguntado diferente: como acreditar que tu era minha amiga, Guta, sabendo de tudo, sabendo como tu era com os outros? Como acreditar que comigo tu seria diferente, se tu sempre foi Guta pra todo mundo?

this never meant nothing to you

Apesar de tudo, de tudo mesmo, espero que tu seja feliz, Florzinha; de verdade e de coração, em memória da amiga que tu foi pra mim um dia - mesmo que nem fosse verdade.


Sem ódio, sem raiva, sem mágoas,

Cah.

all the right reasons

30 Days Letter

Day 1 — Your Best Friend
Day 2 — Your Crush
Day 3 — Your parents
Day 4 — Your sibling (or closest relative)
Day 5 — Your dreams
Day 6 — A stranger
Day 7 — Your Ex-boyfriend/girlfriend/love/crush
Day 8 — Your favorite internet friend
Day 9 — Someone you wish you could meet
Day 10 — Someone you don't talk to as much as you'd like to
Day 11 — A Deceased person you wish you could talk to
Day 12 — The person you hate most/caused you a lot of pain
Day 13 — Someone you wish could forgive you
Day 14 — Someone you've drifted away from
Day 15 — The person you miss the most
Day 16 — Someone that's not in your state/country
Day 17 — Someone from your childhood
Day 18 — The person that you wish you could be
Day 19 — Someone that pesters your mind—good or bad
Day 20 — The one that broke your heart the hardest
Day 21 — Someone you judged by their first impression
Day 22 — Someone you want to give a second chance to
Day 23 — The last person you kissed
Day 24 — The person that gave you your favorite memory
Day 25 — The person you know that is going through the worst of times
Day 26 — The last person you made a pinky promise to
Day 27 — The friendliest person you knew for only one day
Day 28 — Someone that changed your life
Day 29 — The person that you want tell everything to, but too afraid to
Day 30 — Your reflection in the mirror

domingo, 11 de julho de 2010

sem cartas para elise

Desisti das cartas. Fiquei paranóica por causa delas e entrei em pânico de novo, não conseguia escrever nem metade do que queria dizer - não conseguia escrever nada, na verdade, e isso estava começando a me fazer mal.

//

Então numa aula eu era Lavínia lasciva em lilás e era fácil e divertido, e talvez eu estivesse com o diabo no corpo, porque não foi difícil agir como se nada tivesse acontecido, nem foi difícil não aparecer nos dias seguintes. Acontece que tive três casos rápidos, enquanto uma garotinha apaixonada não saia do meu corpo - e não dá pra ser devassa com uma garotinha apaixonada dentro do seu corpo.

Corri atrás dele duas vezes na semana, talvez um pouco mais, enquanto havia convites para Amsterdã na noite de quarta-feira e nas chamadas perdidas do celular. Não bebi uma gota de álcool, mas matei quatro aulas, uma delas pra fazer sexo, e isso o deixaria indignado. Tudo bem. Ele não precisa saber de nada disso, a vida segue e não é em função dele, mesmo. Mas também não faz mal convidá-lo para fazer companhia enquanto pago uma conta, e no caminho a gente dividir uma pipoca. Temos então cócegas, e conversas mórbidas sobre os riscos estatísticos dele morrer e eu ser a última pessoa próxima a vê-lo com vida. A hipótese me deixa obviamente assombrada, e de repente não existe muita perspectiva para o futuro.

A semana continua cheia, e voltando pra casa eu descubro que algumas amizades não encontram tempo para uma conversa importante, mas encontram tempo para ensaiar uma pegação com um pretendente. Tudo bem. Pra quem já esperou mais de um mês e foi esquecida ao longo desse tempo, o que são mais alguns dias? Isso não parece ser nada demais, até que uma das poucas pessoas que realmente se importam dá a notícia de que vai embora, e então a imagem dos dias seguintes com menos uma cadeira no almoço e todas as lembranças agradáveis e felizes e divertidas saltam na mente e me fazem chorar como criança. Sábado a gente se vê, eu sei, ela vai feliz, eu sei, mas vou sentir saudades e quero chorar um pouco por causa disso, vê?

O irônico nisso tudo é ser amparada  no sábado justamente por ele, enquanto choro copiosamente em seu ombro por sentir que na realidade talvez eu sinta mais falta deles do que eles de mim. Ele me abraça, me consola, dança no ônibus e canta musiquinhas aleatórias pra arrancar um sorriso do meu rosto, e promete estar por perto enquanto desce do ônibus para encontrá-la e ver se ela está melhor da febre, enquanto eu sigo meu caminho como de costume - dessa vez, com a sensação de que talvez eu esteja um pouco mais sozinha do que antes.

A garotinha apaixonada parece agonizar dentro de mim, mas todos sabemos que ela não morre e que ela sempre volta do coma.

domingo, 4 de julho de 2010

fragmento de três de julho

Aí eu encosto a cabeça no banco do ônibus, e ele pergunta o que tá me incomodando. Eu digo que nada, mas ele não acredita em mim. Diz que me conhece tempo o suficiente pra saber que tem alguma coisa errada comigo, e que até a UERJ eu vou dizer o que é, mas a UERJ passa e eu não digo nada. Ele continua me olhando com aquela cara de impaciência, que me irrita porque não tem mesmo nada demais e ele está só fazendo tempestade em copo d'água. Aí eu encosto a cabeça de novo no banco do ônibus e sorrio. A gente está no alto do viaduto, eu olho pela janela e vejo o Maracanã, os prédios da UERJ, e o joelho dele tá encostado no meu, e o braço dele tá encostado no meu, e meu sorriso se estende, e quando ele ameaça dizer alguma coisa eu digo que estou só curtindo o momento. Ele me olha com aquela outra cara, a de quem não entende, e eu explico que não estou estranha, que estou só curtindo o momento, porque vai acabar daqui a pouco, daqui a três ou quatro pontos de ônibus, mas essa parte eu não digo. Eu digo só que quero curtir o momento porque gosto de ficar em silêncio com ele, que o silêncio com ele ainda é agradável. Ele concorda e comenta que a gente dormiu junto muitas vezes. Sim, foram muitas vezes. E aí eu lembro do que Kundera falou certa vez, sobre o sono compartilhado ser o corpo de delito do amor, e eu olho pra ele e sinto tudo aquilo de novo, borboletas e mais borboletas, e fecho os olhos pra focar nos pequenos toques acidentais. O ponto dele chega e ele tem que descer, e antes de descer ele beija minha mão como se pertencesse a outro século, e depois disso ele vai embora, mas continuo acompanhando-o com o olhar. Ele se vira, sorri pra mim e lança uma daquelas piscadelas, o ônibus o ultrapassa e segue seu caminho - enquanto eu sigo o meu também.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

porque eu choro com a copa do mundo

Eu torço. Torço como se minha vida dependesse disso, grito, levanto da cadeira, do sofá, xingo o juiz, o jogador do outro time, vibro com os lances bonitos. A seleção brasileira vence e eu pulo, comemoro, choro de felicidade! Parece até que eu estava lá, jogando com eles! O coração batendo rápido, aquela sensação gostosa de vitória, equiparável a sensação de correr e sentir o vento batendo no rosto. O limite ser o céu...
 
Mas eu torço. Torço tanto, grito tanto, aponto tanto... Só que eu não estou lá. A bola sai, a bola escapa, o adversário marca, e eu estática, a quilômetros de distância, impotente e incrédula. Eu sou dessas que canta o hino nacional com vontade de chorar, sabe? Sou dessas que se orgulha sim de um futebol bonito, de uma jogada limpa, de um chapéu sobre o zagueiro ou de um drible rápido. E se o outro time marca o segundo, e o tempo de acréscimo termina e a gente perde... eu choro igual. Porque é como se eu estivesse lá e de repente o limite não fosse mais o céu.
 
(já contei que participei de um (pequeno) campeonato de futebol? Pois é. Fui goleira. Recebi medalha de jogadora revelação e tudo! Mas não vencemos. Acho que ficamos em quarto lugar - de seis ou oito times)
 
Eu choro com a Copa do Mundo porque ela é o fim do jogo, é a fase final, é o boss da saga futebolística!. No começo você tem três vidas, e depois você segue com uma até a final, até ser o melhor do mundo. E tem gente que não vai poder voltar, tem gente que encerra a carreira ali, tem gente que passa a vida inteira tentando se destacar pra estar ali, para levantar a taça, e não levanta, não levanta nunca É a porra de um sonho que escapa pelos dedos e pelos pés! É por isso que eu choro; não só pelo Brasil, que é meu país, mas por todos eles - especialmente pelos que jogam na raça, que tentam até o fim. Chorei quando a Eslováquia comemorou a ida às oitavas como se fosse a final da copa. Chorei quando a África do Sul não conseguiu se classificar. Chorei pelo México, e fiquei triste pela Inglaterra, pela Austrália, pela Grécia, até mesmo pelo Chile, que nós ajudamos a eliminar. Copa do Mundo tem essa coisa cruel de acabar com o sonho da vida de homem, e de fazê-lo chorar como um menino. Às vezes ele pode ir lá e dar um reset, começar de novo; às vezes não. E eu não consigo ser indiferente a isso, nem consigo ver de outra forma. Acho bonito. Acho o futebol bonito, acho o esporte coletivo (e o esporte num geral) algo bonito demais pra eu ficar indiferente.
 
Não visto camisa, não ergo bandeiras, não sopro cornetas. Andar com o brasão do país no peito não me faz mais ou menos patriota; não me torna mais ou menos apaixonada -pelo país ou pelo esporte. Eu só grito. Grito e pulo, e grito e aplaudo, ou choro choro choro; eu choro porque me envolvo. E não consigo explicar, só mexe comigo, só me emociona, me contagia e me enche de adrenalina, me faz tremer de medo, de nervoso, de tensão. 
 
Queria fazer uma comparação entre esporte e música, esporte e escrita, mas não dá. Não dá porque a arte continua, você consegue adaptá-la a sua idade, ao seu contexto e a sua condição, mas o esporte não. O esporte acaba. Acaba quando os joelhos não aguentam mais, quando o coração não permite mais corridas de 10km, acaba quando o tempo vence - e ele sempre vence; o tempo sempre vence o atleta.
 
Enfim.
 
Hoje a seleção brasileira foi eliminada pela Holanda, mas a competição continua. Daqui pra final, minha torcida é de Gana e da Alemanha.
Quem sabe?
 

aproveitando o ensejo

1) Twilight NÃO É uma história melhor do que Harry Potter!

Twilight: um livro de romance adolescente cuja protagonista decide abrir mão da vida como ela é pelo rapaz que ama, ao mesmo tempo em que se apaixona por um segundo rapaz, e no meio disso tudo ainda corre o risco de ser assassinada por gente fora da casinha.

Harry Potter: a história de um garoto que, ainda bebê, perdeu os pais num atentado do qual foi o único sobrevivente, e que, mais tarde, descobre que o assassino de seus pais não desistiu de matá-lo, e que terá de lidar com isso enfrentando-o cedo ou tarde; ao mesmo tempo, tem de conviver com bullyiers, pessoas corruptas, traições, guerras, preconceito, calúnia e difamação, além da morte de pessoas queridas, isso tudo tentando não esquecer do porquê vale a pena lutar pelos outros, mesmo que esses outros não mereçam.

Sério, não deveriam nem existir dúvidas sobre qual tem mais a acrescentar.



2) Twilight NÃO É um livro SOBRE vampiros.


Sério, não importa o que a Stephenie Meyer diz sobre a série (afinal, ela diz que seus personagens são muito melhores do que os de clássicos da literatura, não dá pra levar a sério), o que importa é o que ela escreveu. E o que ela escreveu foi: uma história romântica que, por acaso, continha vampiros, E NÃO uma história sobre vampiros que, por acaso, continha algum romance.

Entendido? Não importa se eles brilham no escuro, se a pele é revestida de neon, se eles são "vegetarianos", se eles têm os melhores skills dos Toreador, ou se os olhos deles mudam de cor. O fato é que o mito vampirico só está na história porque se ela apaixonasse por um canibal não teria o mesmo apelo - nem a mansão luxuosa, nem os carros legais.



3) Twilight NÃO FAZ SUCESSO porque RESGATA VALORES ANTIGOS.


Rá! Twilight faz sucesso porque tem atores bonitos. No cinema, as gurias não gritam nem aplaudem porque o Edward quer sexo só depois do casamento; elas gritam e aplaudem porque o Jacob tá sem camisa, ou porque o Edward deixa três botões do blusão dele abertos enquanto desfila de Ray-Ban depois de estacionar o seu Volvo. Elas gritam e aplaudem porque Edward e Bella rolam na cama num amasso mais demorado; elas gritam e aplaudem quando o Jacob fica abraçado com a Bella na barraca. Isso é o que sustenta a série, é pra isso que a maioria compra ingresso, o resto é lucro.



4) Twilight NÃO É uma história melhor do que Harry Potter!


Essa eu precisei repetir porque é uma das mais importantes. Não faço ideia do porquê as pessoas comparam, de verdade!

Cidadão, cidadã: NÃO DÁ pra comparar!

Tu compara, por exemplo, pavê de morango com muqueca de camarão? PORRA, SEU ANIMAL, CLARO QUE NÃO, ENTÃO NÃO INVENTA!

Harry Potter foi uma série que acompanhou uma geração, que ensinou muito mais coisas sobre aceitação, respeito, amizade e amor, do que o sonho mais humilde da Stephenie Meyer. Harry Potter ensinou sobre crescer, sobre assumir responsabilidades, sobre acreditar nas pessoas, sobre encontrar um lugar no mundo, sobre tudo o que importa de verdade. Não dá pra comparar! É até desrespeitoso comparar! - seria o mesmo que dizer que a vida do cara que sobreviveu à Segunda Guerra Mundial é comparável à vida amorosa da Steffany Brito. -q Oi, coerência, que saudades de você, hein?

Por favor, gente, vamos parar e pensar um pouco; pôr a mão na consciência faz bem, de vez em quando...



Ok, and ended with a chair. Termino aqui meu desabafo.
Uma boa noite a todos.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

ah, coração

você precisa tirar isso da cabeça, isso do corpo, esse perfume das suas mãos.
subir no ônibus e não olhar pra trás, procurando um Gabriel.