sábado, 26 de junho de 2010

o segundo sem título

me dá vontade de continuar escrevendo. não sei por que, só essa vontade de continuar escrevendo. eu tenho algumas ideias nas quais poderia estar trabalhando agora, mas nem tô. não quero contar nenhuma história, não quero muito falar sobre eles. sabe o que notei? que não falo de mim. é engraçado, mas não falo muito de mim. digo, não conto muito sobre meu dia, não escrevo tudo o que penso. vez ou outra escrevo alguma opinião aqui, algo pensado e formulado e posicionado. em parte porque nunca acho que minhas opiniões sejam boas o suficiente; em parte porque de uns tempos pra cá minha opinião tem sido basicamente nula.

sei lá. eu disse que queria registrar mais o mundo, e que eu tentaria fazer isso, mas onde é que está? onde é que está esse registro? cadê, cara?

ontem eu vi um vídeo no youtube de um pai brincando com seu filho. a criança era linda, e dava as gargalhadas gostosas e contagiantes! o riso dele tinha covinhas, e era um garotinho todo gordinho e fofo. crianças gordinhas sempre são fofas, bonitinhas e queridas. quando eu os vejo pequeninos assim, de mãos gordinhas e perninhas agitadas, penso em ter filhos. não dá nem cinco segundo e eu recuo com a ideia.

numa sexta-feira, vi uma menina dançando no meio do salão. de um jeito que seria considerado bizarro, se ela não fosse criança. era uma cena bonitinha de se ver, sabe? porque a guriazinha parecia estar se divertindo.

crianças gordinhas e crianças dançando estranho são coisas bonitinhas de se ver. adultos não podem nem cogitar serem gordos ou dançarem de um jeito que não seja a simulação de algum gesto sexual. não é um mundo estranho?

quando alguém vira pra mim e me pergunta "não é ridículo?", me dá vontade de perguntar de volta "por que seria?". o que faz um gosto ser melhor que outro? senso comum? jura? por que algumas coisas precisam ser rídiculas? a gente é tão cruel. sabia que nossas papilas gustativas são aquilo que não nos permitem sentir o mesmo gosto que outra pessoa sente pra determinado alimento? tem a ver com a quantidade de papilas gustativas que você tem. não é que algo seja ruim, pronto, verdade irrefutável; é só que o gosto é diferente pra mim, pra você, pra várias outras pessoas. nunca teve a ver com ser melhor do que o outro, sempre teve a ver com ser o melhor para si.

é um mundo estranho.

Um comentário:

r. disse...

nunca teve a ver com ser melhor do que o outro, sempre teve a ver com ser o melhor para si. [2]


ontem falando com um amigo eu tava tentando dizer exatamente isso e não consegui.