sábado, 26 de junho de 2010

o primeiro sem título

Ainda não é sábado, mas sei que quando terminar esse post já vai ser.

É engraçado. Ainda não é sábado, mas eu sinto como se já fosse. Teria mais sentido se eu escrevesse antes. Aliás, o sentido duraria mais se eu escrevesse antes. Mas não. Quis escrever agora, faltando alguns minutos para o sábado chegar. A madrugada dele. E eu estava pensando, é mesmo engraçado. Eu fecho os olhos e sinto o cheiro dos outros sábados, sair de casa cedo pra trabalhar em atendimento, terra molhada, tempo úmido e ar frio. E de repente uma saudade. Mas uma saudade não do trabalho; saudade do ar. De andar na avenida devagar no sábado nublado e respirar fundo a neblina atípica. De atravessar correndo a passarela com medo da altura. Descer os degraus e ofegar o ar do final de semana. Lembro da ansiedade. O coração batendo forte e sem compasso, os ouvidos apurados buscando um timbre e uma risada. E o cheiro. O perfume. As árvores cheias de gotas de chuva, as folhas dançando e algumas rodopiando e caindo . O sábado acabou de chegar aqui em doze badaladas. Eu mudei o perfume, mas o dia não. Dá pra fechar o olhos e sentir de novo, se eu tentar lembrar, e eu lembro, porque esquecer é impossível. De repente uma paz. Ônibus vazios, quarenta minutos até o centro, eu andando sozinha. O mundo girando e eu sozinha, do jeito que eu gostava. Era sábado, e eu era apaixonada.

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