segunda-feira, 28 de junho de 2010

depois de Elizabethtown

De repente a casa parece ter ficado mais vazia. Lembrei das reuniões de família. Lembrei dos primos que não vi mais, e que acho que não verei tão cedo. Lembrei da minha avó e dos meus tios-avós, que foram morrendo ao longo do tempo, e de como eles levaram uma grande e boa parte da minha infância. É engraçado. Porque nunca fui apegada a família assim, mas lembrar dele me deixa com saudades. Era barulhento, era confuso, tinha cheiro de álcool e fumaça de cigarro, mas era alegre. Sempre foi alegre. Até às três da madrugada, com a música tocando baixinho, e com quem fosse dormir aqui conversando alto, tão alto que dava pra ouvir da esquina, quase. Lembro de como tomava sorvete napolitano com minhas primas, de todas misturando os três sabores até formar aquela pasta estranha e gostosa, e de como isso era divertido aos quatro anos. Lembro do primo que olhava pra mim e dizia que queria ter uma filha como eu, assim, igualzinha a mim. Lembro da tia que sempre lembrava de perguntar sobre os estudos antes de perguntar sobre o namorado. Era engraçado. Um dia vou escrever sobre todos eles. Promessa. Não escrevo agora porque quero e preciso escrever sobre Elizabethtown, e só não sabia como falar do filme sem falar sobre eles também, por isso falei assim, um pouquinho, agora.

Continua engraçado, mesmo não sendo mais sobre a família que não vejo mais. É que quando aluguei o filme, achei que fosse uma comédia romântica entre Orlando Bloom e Kirsten Dunst, então os primeiros trinta e dois minutos do filme se arrastaram de forma quase que surreal, antes de eu entender que não, não era uma comédia romântica entre Orlando Bloom e Kirsten Dunst - era algo mais e um pouco diferente disso.

Sabe, se um dia vocês encontrarem esse filme na locadora, aluguem. Ou façam o download. Eizabethtown, ou Tudo Acontece em Elizabethtown, aqui no Brasil, é um filme que merece ter uma chance de ser visto. Mas, por favor, não esperem a comédia romântica que eu esperei da primeira vez, senão vocês vão estragar tudo. Queria muito que vocês conhecessem o Drew, a família dele que me fez sentir saudades da minha, os estranhos que passam pelo caminho dele, e especialmente a Claire. É bonito, sabe? E é engraçado de um jeito bem sutil, e você não entende por que passa o filme inteiro com uma sensação estranha até chegar no final. Mas até lá, até chegar no final, você também sente vontade de ligar pra alguém, sente vontade de fazer uma viagem de carro pelo país, vontade de dançar sozinho e de ver o dia amanhecer com alguém legal, você sente vontade de registrar as coisas, nem que seja com uma câmera imaginária. Acho que vale a pena. Pode não mudar sua vida, pode não se tornar seu filme favorito, mas de alguma forma acho que vale a pena.

Sadness is easier because its surrender. I say make time to dance alone with one hand waving free.
                                                                                     and click.


sábado, 26 de junho de 2010

o terceiro sem título

tô ouvindo queen. tenho ouvido muito queen, aliás, mas você não vai encontrar nada disso no meu lastfm. não, eu não tenho vergonha de ouvir queen, embora eu duvide que isso tenha passado pela sua cabeça. acontece que eu tenho digitado os nomes de umas músicas no google, e clico nos vídeos, e fico vendo o freddie mercury cantar. ainda agora tava vendo ele cantar love of my life pra uma platéia que devia chegar aos milhares, e tava pensando que ele conseguiu. freddie mercury foi um grande cara. justin bieber tem dezesseis anos, e eu não queria desmerecer o garoto, mas daqui a quatro ou cinco anos ele pode aparecer aí batendo na namorada cantora de hip hop, ou então pode nem ser lembrado. mas freddie mercury não. freddie mercury morreu quando eu tinha pouco mais de um ano, e agora eu tô com vinte e ele ainda é lembrado. ele conseguiu aquilo que muita gente tenta e não consegue; de alguma forma ele entrou para a história.

(...) não sei qual é a chave. o primeiro passo parece ser se tornar uma pessoa pública, porque a história não pertence aos anônimos. é curioso. o palco é grande, são bilhões de contra-regras, mas o espetáculo nunca é bom o suficiente, nunca é espetáculo de verdade.

o segundo sem título

me dá vontade de continuar escrevendo. não sei por que, só essa vontade de continuar escrevendo. eu tenho algumas ideias nas quais poderia estar trabalhando agora, mas nem tô. não quero contar nenhuma história, não quero muito falar sobre eles. sabe o que notei? que não falo de mim. é engraçado, mas não falo muito de mim. digo, não conto muito sobre meu dia, não escrevo tudo o que penso. vez ou outra escrevo alguma opinião aqui, algo pensado e formulado e posicionado. em parte porque nunca acho que minhas opiniões sejam boas o suficiente; em parte porque de uns tempos pra cá minha opinião tem sido basicamente nula.

sei lá. eu disse que queria registrar mais o mundo, e que eu tentaria fazer isso, mas onde é que está? onde é que está esse registro? cadê, cara?

ontem eu vi um vídeo no youtube de um pai brincando com seu filho. a criança era linda, e dava as gargalhadas gostosas e contagiantes! o riso dele tinha covinhas, e era um garotinho todo gordinho e fofo. crianças gordinhas sempre são fofas, bonitinhas e queridas. quando eu os vejo pequeninos assim, de mãos gordinhas e perninhas agitadas, penso em ter filhos. não dá nem cinco segundo e eu recuo com a ideia.

numa sexta-feira, vi uma menina dançando no meio do salão. de um jeito que seria considerado bizarro, se ela não fosse criança. era uma cena bonitinha de se ver, sabe? porque a guriazinha parecia estar se divertindo.

crianças gordinhas e crianças dançando estranho são coisas bonitinhas de se ver. adultos não podem nem cogitar serem gordos ou dançarem de um jeito que não seja a simulação de algum gesto sexual. não é um mundo estranho?

quando alguém vira pra mim e me pergunta "não é ridículo?", me dá vontade de perguntar de volta "por que seria?". o que faz um gosto ser melhor que outro? senso comum? jura? por que algumas coisas precisam ser rídiculas? a gente é tão cruel. sabia que nossas papilas gustativas são aquilo que não nos permitem sentir o mesmo gosto que outra pessoa sente pra determinado alimento? tem a ver com a quantidade de papilas gustativas que você tem. não é que algo seja ruim, pronto, verdade irrefutável; é só que o gosto é diferente pra mim, pra você, pra várias outras pessoas. nunca teve a ver com ser melhor do que o outro, sempre teve a ver com ser o melhor para si.

é um mundo estranho.

o primeiro sem título

Ainda não é sábado, mas sei que quando terminar esse post já vai ser.

É engraçado. Ainda não é sábado, mas eu sinto como se já fosse. Teria mais sentido se eu escrevesse antes. Aliás, o sentido duraria mais se eu escrevesse antes. Mas não. Quis escrever agora, faltando alguns minutos para o sábado chegar. A madrugada dele. E eu estava pensando, é mesmo engraçado. Eu fecho os olhos e sinto o cheiro dos outros sábados, sair de casa cedo pra trabalhar em atendimento, terra molhada, tempo úmido e ar frio. E de repente uma saudade. Mas uma saudade não do trabalho; saudade do ar. De andar na avenida devagar no sábado nublado e respirar fundo a neblina atípica. De atravessar correndo a passarela com medo da altura. Descer os degraus e ofegar o ar do final de semana. Lembro da ansiedade. O coração batendo forte e sem compasso, os ouvidos apurados buscando um timbre e uma risada. E o cheiro. O perfume. As árvores cheias de gotas de chuva, as folhas dançando e algumas rodopiando e caindo . O sábado acabou de chegar aqui em doze badaladas. Eu mudei o perfume, mas o dia não. Dá pra fechar o olhos e sentir de novo, se eu tentar lembrar, e eu lembro, porque esquecer é impossível. De repente uma paz. Ônibus vazios, quarenta minutos até o centro, eu andando sozinha. O mundo girando e eu sozinha, do jeito que eu gostava. Era sábado, e eu era apaixonada.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

para Caio,

Oi. 

(acho que devia ter te ligado antes - sinto sua falta, sabe? é engraçado)

Sinto sua falta, Caio, e não consigo chegar perto de você como antigamente. Tenho preguiça de você, do que você diz, mas acho que isso é só porque o que você diz me soca o estômago e me arranca os pulmões. Não sei. Você me deixa tão mal, Caio, mas queria ter você por perto de novo, não é estranho? É claro que é estranho... Tenho andado pelas ruas distraída, e encontrado pessoas na rua propagando suas ideias e suas palavras. Fico perdida entre o eco daquilo que você costumava dizer só pra mim.  

Você lembra, Caio, da época em que éramos só você e eu? Noites a dentro rindo juntos, chorando juntos, nos emocionando juntos. Você adivinhava o que eu pensava e antecipava o que eu sentia. Eu ficava encantada. Você me consolava e dizia, nas entrelinhas, que me entendia, que entendia tudo, e que eu não estava sozinha. Às vezes você até me fazia acreditar que eu era especial, única pra você! E eu sempre achei que tivéssemos aquele tipo de ligação, sabe? Mas então todas as pessoas na rua conversam sobre o que você falou. E você falou pra elas, Caio, as coisas que você falava pra mim. Eu sinto falta da época em que você só era eloquente para mim, da época em que todos os seus segredos eram segredos comigo e com mais ninguém. 

Eu sou possessiva. Você sabe disso, você dizia isso pra mim às vezes, e que eu era igual a você.

Não sei como voltar, Caio. Não sei como voltar pra você, não sei como voltar a te ouvir, não sei se consigo. Estou morrendo de ciúmes, o sentimento vem pelas beiradas e quando vejo está lá, preenchendo todos os espaços vazios, todos os espaços em branco. Preciso te achar de novo. Não te esqueci, querido, jamais te esqueci e desconfio que jamais vou te esquecer. Você é desses que são inesquecíveis, Caio. Desses que conquista as pessoas e que deixa seguidores por onde passa. Acho que parte do meu ciúme vem do fato de eu querer, desesperadamente, ser como você. Você deixa as marcas que eu queria deixar nas pessoas, vê? Espero conseguir isso um dia. Espero ter você do meu lado até lá, e mesmo lá para me ver conseguir. Sinto sua falta, Caio. Mesmo você falando ao pé dos ouvidos alheios e não nos meus. Mesmo você dizendo a outros, a tantos, que os entende deixando de entender a mim. Você é bom demais pra ficar preso entre meus dedos, Caio, eu sei disso. Vou deixar você ir, você ficar onde está agora. E quando eu merecer, acho que então você volta pra mim.

Mesma hora, mesmo lugar. Espero que você lembre.

Até.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

para você


que está precisando de um abraço e um pôr-do-sol.

from the top

# A vida continua. Não fui bem na prova de hoje como deveria ter ido, mas isso serviu pra eu ver que preciso me focar e me esforçar de verdade. Não que eu não tenha minha parcela de culpa, mas também não é errado dizer que o mundo me acostumou mal - pode-se dizer que, academicamente, sempre fui muito acomodada. Isso precisa mudar. Isso vai mudar. 

# Essa semana fez um ano que ele me deu aquele presente. Por sorte a prova de hoje me consumiu o suficiente pra me fazer esquecer disso (na maior parte do tempo). O arrependimento que eu tenho é o de não  ter percebido a tempo o quanto eu era feliz, e de que eu poderia ter aproveitado muito mais o momento. Independente do fim, independente de qualquer coisa. A maior decepção comigo mesma está no fato de eu não ter aproveitado os dias.

# Acabei de ver um filme que me lembrou da época em que eu cantava, e que me fez perceber o quanto sinto saudades disso. Fico pensando que essa era uma das coisas nas quais eu devia ter investido, sabe? Eu gostava cantar, e ainda gosto. Mas acho que meu grande problema sempre foi gostar de coisas demais, como escrever, o teatro, o desenho, o handebol, o vôlei. Naquela época eu era muito boa, algo que hoje não seria nada além de mediano, mas penso que se tivesse escolhido alguma coisa, quem sabe eu não seria ótima em algo? É uma possibilidade. É sempre uma possibilidade.

# Do que mais sinto falta daquela época? Do tempo que eu tinha pra fazer tudo. Hoje, as coisas que gosto vivem espremidas entre o trabalho, o curso, e a hora de dormir. A típica vida adulta. Não existe mais tempo pra teatro, pra desenho, pra esportes. Mal existe tempo pra escrever! Sinceramente, toda noite me pergunto se estou fazendo as coisas certas, e nunca parece que estou. Estou abrindo mão do meu tempo, do meu esforço, e da minha saúde - mental e física -, por algo que não detém o meu coração. É meio triste. Não me admira esse distanciamento dos outros e da minha própria vida. Minha alma é um leão enjaulado e faminto. Mas algo me faz insistir em mantê-lo assim, apesar de tudo. Eu chamaria isso de covardia.

# Uma nota pra mim mesma:

"Then make a scene! Break something! Scream!"

quarta-feira, 9 de junho de 2010

precious and fragile things

Queria dizer pra ela que vai ficar tudo bem. Queria dizer pra ela que isso vai passar, e isso, e mais isso. Queria que ela acreditasse no que eu dissesse, e que o fato de eu dizer significasse que as coisas já estão passando. Queria dizer que entendo a sensação, e queria dizer que tudo melhoraria com um abraço. Queria poder dar esse abraço. Queria que ela ficasse bem. E eu sei que vai ficar, mas queria que ficasse logo. Fico olhando pra ela assim de longe, e me dá um aperto no coração! Como se algo muito bonito estivesse sendo danificado aos poucos, em pequenas doses homeopáticas. Algo que não deveria ser danificado nunca, sabe. Ela é linda; linda em todos os sentidos, na voz e na expressão da Amber Riley. E eu queria que ela soubesse disso. Queria que ela soubesse, e queria que lembrasse, especialmente nos dias em que se sentisse mais sozinha, pra que então talvez não se sentisse tão sozinha assim. Porque daí ela lembraria que existe alguém - e não acredito que seja só eu - que pensa todas essas coisas boas e bonitas a respeito dela. Mas mais do que lembrar disso tudo, queria que ela sentisse. Que ela sentisse todas essas coisas boas e bonitas. Ela é tão amada! Queria que ela soubesse e sentisse isso, nos dias difíceis. E não necessariamente pra que fizesse parar, mas sim pra amenizar a dor - ou a ausência dela. Queria que ela ficasse bem, e isso eu sei que ela vai ficar, e estarei por perto caso ela precise - ou mesmo caso não passe logo.


i wish i could take the pain for you ♥


segunda-feira, 7 de junho de 2010

insight

Vamos lá. Eu preciso organizar os pensamentos, preciso preciso preciso. Preciso que isso faça sentido. Existe ele e tudo o que ele representa. Existe o que eu sinto por ele e que eu inconscientemente decidi não repetir escrevendo ou dizendo em voz alta. Existe essa entrega submissa que eu aceitaria fazer se tivesse alguma chance de tê-lo de volta. Existe eu, e existe uma pessoa que eu odiaria ser e que eu seria apenas por causa dele. Percebi isso hoje, quase que agora, nesse instante. Eu não tenho raízes, nunca tive. E eu me apaixono, me apaixono pra sempre, me apaixono por ele, por você, por várias pessoas ao mesmo tempo, e continuo apaixonada, e se fosse um pássaro minhas asas bateriam mais de setenta vezes por segundo, e eu continuaria beijando flores diferentes, porque eu sou assim. Eu quero o mundo inteiro entre os meus braços, dentro da minha cabeça, dançando sobre meus dedos como se fosse a bola de gude mais bonita da jarra. Isso eu sempre soube, mas tem algo que eu percebi só hoje, quase que agora, nesse instante. O problema não está nas minhas paixões; o problema está em onde está o meu amor. É doentio, é patológico, é praticamente um suicídio e acho que entendo isso agora. Eu não posso ficar junto dele. Ficar junto dele seria arrancar todas as minhas flores e jogar fora todas as minhas bolas de gude. Talvez eu fosse feliz. Não duvido que eu fosse feliz. Acho até que seria por um longo tempo, por muito muito tempo, tempo o suficiente pra que o solo se tornasse infértil e pra que não houvesse mais interesse em bolas de gude. Eu seria feliz, até que chegaria o dia em que eu me tornaria uma pessoa estéril. Voltando as cenas, encontro algo que ele me disse uma vez, e que parece com o que eu estou pensando agora. Que depois seria muito pior. Talvez ele tenha visto isso. Eu não vou mudar. Existe algo em mim que é muito importante pra que eu me mantenha viva e sã, e isso eu não vou mudar. Foi por isso que ele se apaixonou, e foi isso o que o fez querer parar. Eu não sou melhor do que ele, e temos muito em comum, mas somos diferentes exatamente naquilo que não poderíamos ser se tivéssemos de ficar juntos. Eu me apaixono, me apaixono sempre, e me apaixono pra sempre. Não vai mudar nunca. Essa sou eu. Essa sempre serei eu. E ele sempre soube disso.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

um solo para Rachel Berry

Aí está você, garota. Sentada sozinha nas arquibancadas, secando os olhos com as costas das mãos o mais rápido que pode porque estrelas não choram em público. Você sabe que tem talento. Uma boa voz, embora um nariz não tão perfeito. Você não se preocupa com isso. Um dia você vai mostrar pra todos eles, mas enquanto isso não acontece, você se apaixona por um cara que não sente o mesmo por você, você se apaixona por um cara mais velho, você se apaixona por um cara que conheceu enquanto escolhia uma música. Você se apaixona tão rápido quanto limpa seu rosto, você quer que sua vida seja perfeita e pra isso alguém precisa estar ao seu lado. Você não quer só um rapaz para ser seu namoradinho de escola, você quer viver uma grande história de amor, um romance épico e inesquecível. Você acredita nesse tipo de coisa. Você quer desesperadamente esse tipo de coisa. Você é intensa, garota. Você é chata, controladora. Você é arrogante. Você é mimada. Você acha que sua opinião é melhor que a dos outros e que está sempre certa só porque pode cantar umas notas mais altas. Você é egoísta. Não para de falar um minuto sequer, e isso deixa todo mundo meio tonto e sem paciência. As pessoas estão constantemente querendo enfiar meias na sua boca porque tudo o que elas precisam é um pouco de paz. Você não tem amigos. Mas pelo menos você tem talento, você sabe. Um alcance vocal invejável, embora um cabelo cheio de raspadinha e ovos. O preço que se paga pela fama... O único problema é que você não é uma estrela ainda, você só é sozinha. Alguém que não consegue fazer as pessoas gostarem de você o suficiente para quererem estar por perto em momentos como esse. Momentos onde você senta sozinha nas arquibancadas para secar os olhos com as costas das mãos o mais rápido que você pode. Não te conforta saber que você tem aplausos no lugar de abraços. Toda essa compensação acaba contigo, garota. Você sabe que as pessoas só gostam de você quando você está cantando - e talvez seja por isso que você queira todos os solos.


Eu não te odeio, Rachel Berry. Nem quero enfiar uma meia na sua boca só porque você falou durante cinco minutos sem parar um segundo pra respirar. Tem coisas na sua vida que eu sou capaz de entender porque são coisas minhas também. Acho que é por isso que torço tanto por você; pra que você aprenda a ser feliz fora do palco como é em cima dele, pra que você pare de estragar todas as coisas que você ama só porque não sabe ser outra coisa além de sozinha. Vamos lá, Rachel! Limpa esse rosto e vai cantar, porque maybe this time you'll be lucky, girl.