sábado, 29 de maio de 2010

baunilha e chocolate

x Você disse, uma vez, que meus olhos estavam mais claros que o normal, parecendo cor-de-mel, e eu quis que fosse verdade. Eu sempre quis que meus olhos fossem claros assim. Eu nunca disse isso a você.

x Eu lembro que, naquele dia, você me encostou na parede e me pediu um beijo. E eu odeio que me peçam beijos, sempre odiei - é tão anticlimax! Mas eu nunca disse isso a você.

Quando te disse não, você me beijou. Sua boca estava gelada e tinha gosto de sorvete. Sorvete de flocos.

x Eu sempre odiei aquela sua risada. Aquela sua risada rouca, meio malandra, completamente despretensiosa. Ela sempre me irritou, porque sempre vinha acompanhada das piadas que eu nunca achei graça. Mas eu nunca disse isso a você.

x Eu costumava gostar do seu sorriso. Era engraçado reparar na curva ligeiramente torta que os seus lábios faziam, eu realmente gostava disso. E sentia uma coisa diferente toda vez que te via sorrir, como se você me contagiasse...

x Acho que você sempre teve esse poder. De me contagiar. E eu nunca disse isso a você.

x Eu te amei. Não da maneira como você sempre quis, mas como o amigo que você sempre foi pra mim. Eu amei cada abraço, cada beijo estalado no rosto, cada conversa séria e cada conversa idiota. Você estava tão lá para mim quanto eu estive pra você. Eu te amei. E amei você. Mas você nunca soube disso.

x Eu nunca quis aquele beijo de flocos. Eu nunca quis aqueles beijos seguintes. Eu nunca me arrependi de nenhum deles. Eu nunca disse isso a você.

x Eu não acreditei quando a Ju me contou. Eu soube que você tinha ido embora com sete dias de atraso. Eu realmente não acreditei.

Depois eu me senti mal - por ter me afastado, por ter deixado você se afastar. Eu queria ter passado mais tempo com você. Eu queria ter mandado você tomar mais cuidado. Eu queria ter dito todas as coisas que eu nunca te disse. Eu sempre achei que você não precisava saber, mas talvez precisasse. Eu queria ter me despedido.

x As coisas que eu nunca te disse, te digo agora. Esteja você onde estiver.

do livejournal, em abril de 2008.


Pensei em você. Fiquei com tanto medo de te esquecer que procurei nas coisas antigas algo que fosse mais real que as minhas lembranças. Uma foto. Uma prova de que você existiu. Mas não encontrei nada. Tenho só essa imagem gravada na minha retina; o dia de Sol, os braços me cercando, e o seu sorriso. Não queria mesmo te esquecer. Te transformei numa tag só pra garantir. Saudade também tem gosto de baunilha e chocolate. Flocos. Queria ter me despedido.