quarta-feira, 7 de abril de 2010

postsecret

1. No trabalho, a notícia de que dois colegas tiveram suas casas destruídas. Uma delas teve o teto sobre seu corpo, sobre o corpo de sua mãe, e sobre o corpo de sua filha. Teve a sorte de sair de lá com um pé quebrado, a filha com pontos na cabeça, e uma mãe em estado grave, porém viva, apenas não sentindo as pernas. O preço que elas pagaram foi só a casa e tudo o que havia dentro, talvez um pouquinho mais. A natureza deixou que levassem a roupa do corpo; no caso do rapaz, a chuva foi mais impiedosa. A enxurrada levou o corpo das duas crianças, ele só conseguiu segurar uma, e a água-a-terra-o-lixo se encarregaram da outra. Não bastou levar a casa, a natureza também tomou o sobrinho dele. Não tinha como não ser triste.

2. Às vezes eu olho alguns posts daqui e vejo que eles estão sem comentários. Eu não ligo muito. Acho legal quando alguém vê algo que gosta e manifesta, fico imensamente feliz, mas também não é como se eu fosse ficar irremediavelmente chateada com o contador a zero. Acho que o que me chateia de verdade é quando saio dos meus contos - que também não deixam de ser confissões, diga-se -, posto de cara limpa, e aí sim o contador a zero. Quarenta e nove hits, mais de sessenta page views, e o contador a zero. A sensação que me dá é a de que falei horas e horas para uma multidão que me viu, que me deu atenção por alguns instantes, e que me deu às costas logo em seguida. Sexo casual sem despedida, espero que tenha sido bom pra você enquanto fumo meu cigarro sozinha. Não, não acho que seja por mal; não estou pedindo que falem algo da boca pra fora só pra me agradar - um pirulito para uma criança mimada -, isso é só um desabafo. Sim, ainda posto aqui pra isso, e é isso o que estou fazendo, sem cobrança, só um desabafo. E se cheguei até aqui, foi pela minha frustração. Minha escada para as reclamações tardias, porém consideráveis. Hoje eu cheguei em casa cansada demais pra fingir que não me sinto sozinha, e que às vezes postar aqui só parece piorar as coisas. Mas é só às vezes.

3. Ele me ligou. Com todos os pormenores complicadores, com todos os impedimentos claros e óbvios, com todos os motivos do mundo pra não ligar, ele me ligou. E depois de fechar o flip do celular, me perguntei por que o outro não fez o mesmo quando o nosso caso sempre foi muito, muito mais fácil. Confesso, apesar de tudo o que está acontecendo a minha volta, pensar nisso me deixou um pouco mais triste.



5 comentários:

.moony. disse...

1. esse é bem o tipo de coisa com a qual eu não consigo me conformar quando vejo/ouço/leio.

2. eu nunca sei o que dizer, mas digo mesmo assim quando dá. e muitas vezes simplesmente não consigo acompanhar o ritmo das postagens -q mas sei como é isso (e acabo não comentando do mesmo jeito. ah, a vida!)

3. .____.

Diana disse...

Você passa a vida inteira em torno de um lugar, e quando acontece uma coisa dessas, a tragédia parece estar mais ainda do seu lado, rindo da sua cara. Ano passado, a pedreira desmoronou em cima daquela vila... Que era tão linda, eu queria morar lá quando criança. Ela tinha casinhas de boneca.
Hoje em dia, ainda tem marcas das pedras. Eu passei esses dias torcendo para não cairem ainda mais, afinal, para onde iam correr?
O tunel está fechado, a mensagem diz. O que ela não diz é que cinco dos seus vizinhos morreram, uma das crianças mais ou menos da idade do seu prróprio e que você via diariamente voltando da escola enquanto você saia para buscar o seu. Os três, frequentemente, juntos, e fazendo bagunça pela rua.
131 mortos? Eu não me importo. Eu não me importo com os desconhecidos desaparecidos em uma tragédia que não se podia evitar, em que não tiveram culpa; é assim que a vida é.
Mas as pessoas que cruzaram sua vida, a vida de quem você conhece... É mais real. Mais complicado. Mais doloroso.

bittersweetpepper disse...

O pior deve ser a culpa de quem perde alguém desse jeito, mesmo que infundada, deve ser difícil de evitar sentir.

E sobre a falta de comentários... uma coisa que eu aprendi escrevendo o Pimenta é que normalmente quanto mais pessoal o post, menos comentários tem, mesmo. Costumo interpretar os views sem comentários como um silêncio companheiro, ainda mais porque os que visitam lá estão sempre indo lá. Enfim.

*hug*

phi disse...

Eu não consigo não pensar nos meus, quando vejo notícias como esta. Pensar em como eu me sentiria, se fosse comigo. Não consigo não lamentar, não consigo evitar a sensação de aperto no peito, a sensação de vazio e de impotência. Porque só o pensar já dói de uma forma incalculada. Espero que esse rapaz possa, um dia, não superar, porque ninguém supera, mas viver em paz consigo mesmo. Porque de nada ele teve culpa.

E se te consola, eu leio-te sempre. Mesmo que às vezes nada diga, simplesmente porque às vezes nem sei o que dizer. ♥

.cah. disse...

Meninas, obrigada. Por tudo, sério, vocês são uns amores. E não porque comentaram, eu sei que quem acompanha, acompanha sempre, ainda que não comente. Exatamente aquele silêncio companheiro, e eu gosto e aceito. É só que tem dias em que eu surto mesmo, e o silêncio me aterroriza. Mas isso tem mais a ver com minhas reações às pessoas, do que com as ações delas. Enfim. Obrigada, de qualquer forma :* ♥