domingo, 18 de abril de 2010

o que eu quero dizer

que meu pc estragou no momento que eu mais precisava dele, que eu tenho tentado e tentado e tentado escrever, mas que todas as coisas que eu escrevo nunca saem tão boas quanto podem e deveriam sair, que isso me desespera, que isso me enraivece, que no meio da noite eu preciso conversar com alguém, com qualquer pessoa, que eu olho pra lista de contatos no meu telefone e recuso todos os nomes não porque eu acho que alguém não vai entender, mas porque sei que mesmo querendo conversar e mesmo que entendam, não vai adiantar nem mudar nada do que eu venho sentindo, que o que eu venho sentido está diretamente ligado ao fato de que as coisas que eu escrevo podem ser bem medíocres, e que essa consciência faz eu me sentir medíocre igual, porque mesmo que não pareça, mesmo que eu fantasie, mesmo que eu floreie cada texto e cada história, é só um jeito que eu tenho de me virar do avesso e me entregar para as pessoas, que apesar de eu não contar tudo o que acontece no meu dia, eu conto todas as coisas que eu sinto usando bocas de gente que só existe na minha cabeça e talvez dentro do meu peito, que eu invento diálogos só pra mim quando eu me sinto muito sozinha, que eu invento pessoas só pra mim quando eu me sinto muito sozinha, que eu faço isso não pra inventar aceitação, mas sim pra receber (auto)críticas relacionadas aquilo que tenho medo de contar e mostrar pras pessoas, que eu me cobro muito, que quando deito na cama, fecho os olhos e crio histórias pra ver se sonho com elas, que às vezes tenho medo do que sonho, que às vezes gosto tanto do que sonho que não quero acordar nunca mais, que eu tenho muito orgulho de alguns amigos, que sou muito grata a todos os meus amigos, que eu sinto falta de abraços e carinhos, que eu sinto falta de muitas coisas, que eu fico sem graça por sentir tanta falta, que eu me acho patética por isso (por sentir falta, e por ficar sem graça por sentir falta), que eu me sinto especial como dizem que eu deveria me sentir, mas que acho que isso não é o suficiente, que eu não sinto raiva de ninguém por isso, só de mim, por sentir que estou perdendo alguma coisa, por sentir que estou deixando de ver alguma coisa muito importante, que acho que não tenho conseguido escrever porque tem me faltado reconhecimento, que de uns tempos pra cá eu já não me sinto mais tão próxima das pessoas, que eu não me acho melhor que elas, mas muito muito muito diferente pra continuar sentindo alguma coisa por elas, que parece que meus estranhos de metrô não me encantam mais, que eu venho perdendo o interesse pelas histórias dos outros e pela minha própria, que a vida tem me dado sono, que eu tenho ficado entediada, que eu sou impossível de esquecer, mas difícil de ser lembrada, que eu ainda amo dias bonitos, que o dia de hoje está bonito, que estou me sentindo doente de amor e desapego, que eu quero vomitar, que eu acabei de perceber que vomitar e motivar tem as mesmas letras e que isso de alguma forma me soa muito engraçado, que eu tenho rido sem sentir vontade, que eu tenho vontade de rir sem estar feliz, que em algum momento meu coração se estilhaçou e eu não vi isso acontecer.

mas eu acho que já disse.



2 comentários:

Julia disse...

Não são medíocres.
:* ♥

phi disse...

O que eu quero dizer: estou aqui. ♥