domingo, 4 de abril de 2010

do modo indicativo


Hoje eu devia ter ido à casa dela, mas não fui. O telefone tocou umas duas ou três vezes, "Você vem?", até que na terceira eu respondi que "Não, não vou. Não tô afim". E isso não me assusta. Não sei se deveria assustar, mas se deveria, simplesmente não assusta. Nem naquela época, há cinco anos, eu me senti assim. Lembro que ainda era bom estar junto deles; lembro que ainda era bom rir com eles, rir das mesmas coisas que eles riam; lembro que eu costumava me divertir. Não sei o que mudou. Talvez eu, talvez eles, talvez todo mundo. Nós éramos todos amigos, e antes de todos, éramos amigas nós cinco, as cinco amigas improváveis, as melhores. Até o dia em que não éramos mais; até o dia em que não eram mais muita coisa pra mim. Não sei, sinto que alguma coisa foi embora. Eu amava demais aquelas meninas. As quatro. E queria dizer que ainda as amo, mas falta alguma coisa muito importante pra que isso seja verdade. Eu lembro que contava minhas coisas pra elas, lembro que conversava até o dia amanhecer, lembro que a casa elas era minha casa e vice-versa, lembro que eu me sentia confortável na presença delas. Até o dia em que isso mudou. Tudo mudou. Eu olho pra elas com um carinho inimaginável, pra quem teoricamente já não ama, mas às vezes sinto tédio também. Na maioria das vezes o tédio. Uma impaciência muito muito grande, uma vontade de estar o mais longe possível. E uma saudade enorme, extensa, mas que não alcança a intenção de estar junto de novo. Nós éramos as melhores, éramos o nosso próprio orgulho, vias sem segredos, comunicação infalível, intimidade graduada! Aí acabou, como acabam a maioria das coisas. Numa reticência de três pontos hesitantes. E eu sinto muito. Sinto muito por isso, sinto muito por tudo. Mas é que falta alguma coisa muito importante pra eu voltar; pra gente voltar. Tudo ficou no "éramos". Sinto muito pelo pretérito. Que ironia. Pretérito imperfeito.



Um comentário:

.moony. disse...

"Eu olho pra elas com um carinho inimaginável, pra quem teoricamente já não ama, mas às vezes sinto tédio também. Na maioria das vezes o tédio. Uma impaciência muito muito grande, uma vontade de estar o mais longe possível. E uma saudade enorme, extensa, mas que não alcança a intenção de estar junto de novo."

entendo. mesmo.