quinta-feira, 25 de março de 2010

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A bem da verdade é que eu adoraria deitar a cabeça no teu colo e deixar o tempo passar enquanto só fico de olhos fechados. Podia ser debaixo de uma árvore, podia ser no portão de casa - da minha ou da sua -, podia ser na cama. Eu não ligaria. Receber um cafuné já estaria bom. Um carinho na cabeça, um silêncio compartilhado, duas respirações compassadas. Coisas simples, um pouco de familiaridade. É o tipo de coisa que a gente deseja quando chega do trabalho, quando chega da faculdade; depois de um dia inteiro levando porrada da cidade inteira, sabe?, do cara que cortou a nossa frente no trânsito, da mulher do banco que fez a gente esperar horas pra não resolver o nosso problema, do motorista que parou o ônibus um ponto depois do que a gente tinha sinalizado. Um gesto de carinho, calor humano, um entendimento mudo. É o tipo de coisa que a gente meio que reza pra ter em algum momento do dia, depois de encarar tantos prédios altos e cinzas, que diminuem e descolorem a gente só por diversão. Tanto prédio e tanta gente que a gente acaba se sentindo um pouco sozinho e esquecido no meio disso tudo. Eu me sinto. Mas tudo passa quando vem o colo, quando seus dedos alcançam os fios do meu cabelo, quando você me dá aquele beijo no rosto ou na testa ou aquele abraço inesperado. Todas essas coisas pequenas e boas, os gestos simples e mudos. E então tudo passa quando você está aqui pra fazer eu me sentir em casa. Meu grande amigo, meu namorado, minha melhor amiga, meu amigo-irmão, minha amiga de infância, minha namorada, meu companheiro, minha confidente. Tudo passa quando qualquer um de vocês está aqui pra fazer eu me sentir em casa. O único problema nisso tudo, o único mesmo!, é que, bem - não tem ninguém aqui.



2 comentários:

Julia disse...

Morgana disse...

pessoalmente, não sou nenhum desses. mas se quiser, posso ir aí te fazer cafuné.

(: