quarta-feira, 10 de março de 2010

a história das nossas vidas

Faz pouco mais de dois meses. Eu disse que falaria dele como se tivesse morrido, já que era assim que sentia sua falta. 

Quando ele se afastou, metade das coisas que eu fazia para me divertir ou para me distrair acabou perdendo um pouco do sentido, um pouco da graça. Não fiz muita coisa além de trabalhar; tentei ocupar os espaços vazios com academia, cogitei de novo as aulas de violão, mas no meio do caminho até aqui desisti de tudo. Não adiantava ficar fazendo as coisas por e com raiva - de mim, dele, do destino, do mundo. Depois, eu já não estava mais tão triste, mas ficava triste com uma certa freqüência - algo mais leve, algo cinza, quase apático. Por um tempo, vivi o luto que eu havia previsto para mim mesma, mas era um luto burro, porque ele nunca morreu de verdade - e eu já desconfiava que não morreria nunca pra mim.

Essa semana a gente se falou de novo. Desejei um feliz aniversário atrasado, aquele que eu deveria ter desejado na semana passada. Quando a gente se abraçou, praticamente todas as coisas pareceram ter voltado ao seu lugar. Foi bom. Senti alívio. Ele ainda olhava pra mim daquele jeito - não, não do jeito apaixonado, mas do jeito que a gente se olhava lá no nono andar da UERJ, enquanto falávamos sobre nossas vidas e víamos que isso era bom. Entramos num consenso de que o oitavo e fatídico andar seria pra sempre esquecido, já que nenhum dos dois gostava ou suportava lembrá-lo, mas também não decidimos agir como se nada tivesse acontecido entre o último abraço em setembro e esse novo abraço em março. A gente sabe que muita coisa aconteceu, que muita coisa mudou, que o mundo continuou a girar. Mas é que no meio disso tudo, no meio dessa loucura toda, esse sentimento de nove andares de graduação que a gente um pelo outro nunca mudou - e a gente também soube disso.


Não é um final feliz. Não é nem um final, propriamente dito. Isso só... é.

E eu fico feliz por ainda sermos alguma coisa juntos.



Um comentário:

Lilmi disse...

Sentimentos são perigosos, são como entorpecentes. E somos muito propensos a termos recaídas depois de períodos de abstinência.