terça-feira, 2 de março de 2010

avenida presidente vargas, 595

Ele está parado em frente ao caixa olhando as opções, até que me pergunta:

"Tu não vai comer nada?"

"Não", eu digo sem vontade.

Ele me olha com aquela cara de quem não ficou satisfeito com a resposta e insiste mais uma vez:

"Tu não vai comer nada? Mesmo?"

"Já disse, não"

Ele vira as costas para o caixa e fica me olhando de cara feia. Eu nem ligo.

"Tu disse que estava passando mal, não comeu o dia inteiro. Não vem com essa agora"

"Que foi? Não tô com fome, é sério"

Ele suspira. Diz que tudo bem e me dá as costas de novo.

"Um número quatro pra mim, e pra ela um milk shake de chocolate e batatas fritas"

A menina do caixa sorri pra gente, com aquele ar de quem entende que somos um casal, e que no fim das contas ele só está tomando conta de mim.

"Ele é um idiota", me apresso em dizer.

"Ela é teimosa, irresponsável, e louca. Não dê ouvidos", ele diz sorrindo. A menina do caixa e um outro rapaz que estava prestando atenção começam a rir. O rapaz diz que não entende as mulheres, e a menina diz que eu tenho sorte dele ser assim.

"Não acredito que vocês estão do lado dele!", eu finjo reclamar, mas a verdade é que ouvir que eu tenho sorte amoleceu um pouco minha relutância em aceitar o agrado dele. Eu sorrio para o menino e a menina, indicando que tudo bem. Ele sorri satisfeito, pelo apoio recebido e pela minha desistência.

Ele pega os pedidos, a gente agradece aos dois, e então sai da fila.

Enquanto subimos as escadas para o segundo piso, penso que adoraria que fôssemos um casal de verdade, mas a gente não é. Ele é só meu amigo, e dentro de poucos minutos até isso ele vai deixar de ser.

E pensar que ainda agora estávamos juntos escolhendo rosas...

2 comentários:

phi disse...

que aperto no coração.

ferfa disse...

que aperto no coração. [2]

identificação, como lidar.