segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

licença poética para um ano par

Eu tava puta, naquele dia. Tinha acabado de descobrir que a Luly havia ficado com o Felipe, quando olhei pra cara dele, e a vontade que me deu foi a de virar a mão no seu rosto - quem sabe assim ele não perderia aquele sorriso cínico e "vitorioso" que vinha exibindo o dia inteiro?

Bah, eu não 'tava apaixonada por ele, longe disso! Acontece que dois dias antes eu o tinha agarrado no quarto da Su pra que a Luly fosse embora de lá sem ter de ficar com ele - Luly vinha fugindo do Felipe há meses, sabia o tipo de cara escroto que ele era, e ficava cada vez mais desconfortável com suas investidas escrotas. Naquela tarde bizarra, o Felipe havia ultrapassado todos os limites. Agarrou a guria e ficou tentando forçar um beijo que Su e eu já havíamos deixado claro que Luly não queria, coisa que o animal aparentava não assimilar mesmo que a própria garota se debatesse e corresse dele. Foi aí que, aproveitando o momento em que ele sentou na cama, pulei em cima dele e o beijei. Prendi seu corpo entre meus joelhos e a gente foi ficando e ficando até que ele caiu em si, me afastou e perguntou se eu tava louca. Eu disse que não, e ele perguntou dela. Eu disse que não tinha importância e beijei de novo. Ele não resistiu muito, se deixou levar, até que de novo me afastou. Quando levantou e procurou por ela pelo apartamento, Luly já havia ido embora. O Felipe ficou claramente puto com isso - vinha tentando ficar com ela desde o início do ano -, mas se voltou pra mim todo alegrinho procurando por mais. Eu tava arrumando minhas coisas quando ele chgou puxando minha cintura, e eu o empurrei, dizendo que o show havia acabado. Su entrou no quarto logo em seguida expulsando ele de lá. Eu fui um pouco depois, avisando que ia até a casa da Luly.

No meio do caminho, encontrei ele. Não, não o Felipe, mas sim o cara da festa da Alice. O cara que ficou conversando comigo a noite inteira, amigo da Luly de eras, o cara que, no início, a gente zoava dizendo ser a paixão secreta dela, mas que na noite da festa havia me deixado encantada. Era pra ter sido só um cumprimento, só um maldito cumprimento, mas ele me deu dois beijos estalados, um em cada bochecha, e a gente sempre dava um terceiro beijo naquela época, que aconteceu nos meus lábios. Primeiro estalado, depois o beijo-beijo. E o perfume dele me deixando meio tonta de tão bom, minha mochila jeans pendendo no ombro, quase caindo, e as mãos dele na minha cintura e nuca, e minhas mãos arranhando ele. Até que a gente se separou. Ele tava indo pra escola, e eu tava sem ar. Tinha me esquecido do que ia fazer, fiquei olhando pra ele, sorrindo feito idiota, até que lembrei que tinha que me despedir dele e ver minha amiga. A gente se despediu com outro beijo, e eu subi a rua dela me perguntando se aquilo que tinha acontecido era verdade, esquecendo completamente do Felipe e do que aconteceu mais cedo.

Cheguei na casa da Luly meio sem graça. Só enquanto eu sentava no sofá dela que me ocorreu que eu havia ficado com o garoto do qual ela provavelmente gostava . Quis sair dali correndo, tava quase me despedindo, quando ela perguntou o que havia acontecido. Eu não sabia por onde começar, se pelo Felipe ou se pelo outro - Luly ainda não sabia do Felipe, ela já havia saído do quarto quando eu me joguei em cima dele. Decidi começar por esse, então. Daí que, como eu imaginei, a guria surtou e disse que tu tava louca de ter ficado com aquele lunático e blablabla. Dei uns dois minutos pra ela respirar. Quando falei do outro, ela não falou imediatamente. Na verdade, ela ficou me olhando e disse "ah". Ameacei dizer alguma coisa, e ela me interrompeu dizendo que já imaginava que fosse acontecer, que tinha até apostado com uma das meninas o tempo que ia demorar, que era mesmo muito foda por ter acertado. Eu só pisquei. E suspirei, então. E disse que tinha de ir pra casa, e ela me levou até a porta. A gente se despediu e foi isso.

No dia seguinte ela ficaria com o Felipe.
E no dia seguinte ao dia seguinte, eu ficaria puta por isso.

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