sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

the yellow brick road

cause tonight's the night the world begins again

'cause i don't need boxes wrapped in strings,
and desire and love and empty things.
just a chance that maybe we'll find better days


Semana retrasada e passada eu estava em São Paulo, e eu ainda vou falar mais sobre isso.
Hoje faz cinco dias que estou em Florianópolis, e eu ainda vou falar mais sobre isso.
Daqui a seis dias vou para Porto Alegre, e eu ainda vou falar mais sobre isso.

Mas agora, nesse exato momento, eu queria dizer que faltam 22h para o ano acabar, e que eu não terei outra oportunidade de escrever algo antes de 2011, se eu não sentar e escrever agora. Eu só queria contar pra todo mundo que todos os meus desejos para 2010 acabaram se realizando, mesmo que não tenha sido da maneira que eu idealizei e sonhei milimetricamente e cuidadosamente. Eu queria dizer agora, antes que ônibus parta, antes de eu ir dormir, antes de eu sair de escuna amanhã, antes de eu ir pra praia, que 2010 foi intenso do início ao fim. Que foi um tédio, que foi horrível, que foi irritante, que foi cheio de ansiedade, que foi cheio de espera, mas que foi feliz. Especialmente o final de 2010. Eu quero dizer agora, antes que eu fique sem mais tempo, que tudo isso valeu a pena, que as pessoas valeram a pena, que o meu choro valeu a pena. E não é só esse sentimento de nostalgia que sempre bate no fim do ano não, é de verdade. Eu só queria contar pra vocês que apesar de postar menos aqui, eu SINTO que REGISTREI mais as coisas. Registrei mais as pessoas, os momentos, os pensamentos, as lições, os lugares. Eu vivi, e guardei tudo dentro de mim, ainda que eu não tenha divido com vocês. E dependendo de quem você seja, de quem você for, é possível que eu tenha dividido com você sim, também. Eu estou feliz. Eu estou feliz eu estou feliz eu estou feliz. E continuo com essa vontade de ser feliz pra sempre, e de fazer as coisas caminharem pra isso, mesmo que seja tortuoso, mesmo que seja difícil, mesmo quando parece impossível. Eu quero contar que eu conheci pessoas maravilhosas esse ano, que eu me aproximei de pessoas maravilhosas esse ano, que eu mantive na minha vida pessoas maravilhosas esse ano. Quero contar que fazer um bolo colorido com Alex, Lih, Duds e Camis é divertidíssimo; que dormir em um albergue pra passar mais tempo com a Mylla no Rio é uma loucura fucking adorável; que uma tarde inteira e um início de noite com a Giu no Arpoador é uma coisa épica; que ficar mais de uma hora numa ligação pra Porto Alegre com a Júlia, que não gosta de telefone, e que ainda me manda como presente de aniversário um livro que eu gosto, é absurdamente amável; que sair do trabalho e ficar até tarde na casa da Diana, ou até tarde no trabalho do Shade, são coisas impagáveis e queridas demais. Que passar o meu tempo com eles, ou jogando videogame com o Fabi e o Dani e a Mayara é improvável e bizarro e feliz. Quero contar muitas coisas. Quero contar todas as partes boas e que eu nunca soube escrever aqui porque sempre foi tanta felicidade que eu achava que simplesmente não cabia aqui, e acho que ainda não cabe, mas eu vou tentar reproduzir metade disso, sim. Ainda faltam 22h para 2010 acabar. E eu estou esperando por isso também, e você pode acabar, 2010, mas você acabar não significa que a minha felicidade vai junto. Ela vai ficar, ela vai querer fugir, ela vai escapar por entre os meus dedos porque ela é mesmo arisca por natureza, mas isso vai durar alguns segundos apenas, porque eu vou continuar atrás dela nessa estrada de tijolos amarelos, e eu vou alcançá-la de novo, e a gente vai sempre brincar de pega-pega assim, e mesmo que 2011 tente me dizer que eu nunca vou conseguir alcançá-la de novo, eu sei que vou, eu sei que vou. Eu quero mesmo contar, antes que o ano acabe, que 2010 me deu tudo aquilo que 2009 não me deu. E eu nunca me senti tão feliz. E que eu sei que isso é só o começo.



Um feliz ano-seguinte para nós ♥
:*

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

dezembro

eu tô com essa sensação de gratidão por você ter me ouvido a tarde inteira. pela primeira vez em semanas a gente conseguiu isso, essa proeza de passar tanto tempo conversando e rindo e se divertindo. eu tô oscilando feito um pêndulo estranho e descontrolado, mas eu conheço o meu lugar.

setembro

"Ok, eu disse que passaria a noite contigo, e eu quero de verdade, mas você fica aí sentada no parapeito da janela olhando a cidade do alto, e eu não sei mais o que fazer pra te tirar desse estado de inércia".

Ergo minhas sobrancelhas e olho pra ele como se o visse pela primeira vez. Não faço ideia de quanto tempo faz desde que a gente subiu, não faço ideia de quanto tempo faz desde que eu aceitei que ele viesse pra cá e dormisse aqui, sei só que estou dispersa, pensando em três pessoas além dele que mexem comigo de um jeito que eu não entendo.

novembro

É sobre mesas e corações. É sobre desenhar corações na mesa, talhar a madeira com aquele canivete velho do seu pai e escrever nomes e vontades e três desejos.

cah, sua idiota, música errada

fechei os olhos agora e de repente as pálpebras pareciam mais pesadas que o normal. essa vontade de dormir e esse não conseguir me atormentando. os músculos do corpo se contraindo, tão pesados, movimentos tão penosos. eu não consigo nem digitar direito. parece que eu não vou ter forças o suficiente pra erguer a mão e apertar a próxima tecla, mas eu tenho, eu sempre tenho porque sempre tenho e encontro forças pra escrever. escrever o que for, seja lamento, seja ficção, seja uma nota pra mim mesma. mas agora tudo dói. não sei se é o jeito completamente absurdo que tô sentada, talvez seja isso. eu fecho os olhos de novo, e ouço o barulho do ventilador de teto. fez calor o dia inteiro, mas agora estou pensando seriamente em pegar o edredom pra me cobrir. essas coisas que não fazem muito sentido. como o cheiro de cigarro que eu estou sentindo, o cheiro do cigarro que eu não fumei. eu olho pra mim mesma assim de fora, e chego à conclusão de que tem algo em mim que simplesmente não está dando certo.

today is tomorrow

Nesse exato momento, eu tenho uma bola de canhão no lugar do coração.

sábado, 11 de dezembro de 2010

saturday morning

Eu tô vendo o céu clarear da janela do meu quarto e ainda não dormi. Eu não te esperava, e mesmo assim você veio. Eu fiquei com todas essas falas suspensas no ar enquanto minha cabeça girava e girava e girava. E eu pensava que podia ser álcool, mas na verdade era só sono. Nós nas gargantas, dedos reticentes nas teclas do telefone e do teclado. E eu com todas essas coisas pra dizer que não mudariam nada. Essas coisas que nunca mudam nada, que são só discursos reaproveitados, e de repente eu só queria descansar a minha cabeça num travesseiro confortável e sonhar um mundo melhor pra gente, mais fácil. E tudo o que eu faço é desejar, e isso também não muda nada. Nada muda nada. A impotência latente desses músculos que não movem montanhas, e dessa vontade que não move rios ou mares. Eu teria fé, mas fé também não muda nada. E te amaria, mas amar não muda nada. Eu te amo e não muda nada. Só me resta esperar.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

the only exception

Essa música está no meu repeat tem uns dez minutos, e tudo no qual eu consigo pensar é no clipe dela e na Hayley Williams atravessando paredes.
 
 
 
 
 
 
 
 
E fica aqui o meu desejo de atravessar todas essas paredes também.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

três vezes você

I

De repente você de repente. Assim do nada, assim das mensagens, assim das músicas, assim de tudo. Você vem disso tudo, e eu aqui, esperando pra ser algo do nada também, pra ir de tudo isso também. De repente eu de repente. De mim para você.

II

Cada dia que passa, um passo para além de você. Tão silencioso, tão sorrateiro, que parece até uma brisa de inverno às cinco da manhã. E mãos geladas, e pés gelados. Essa distância em notas, toda pautada e simétrica, e eu esperando um momento, um bom momento pra voltar, mas ele nunca vem, e então outro dia passa, e mais um passo para longe de você.

III

Ouço a progressão da música e lembro da progressão da sua voz, a progressão da sua narrativa, da progressão do seu sentimento. A batida, a cadência, você ali do início ao fim, nas palmas, na voz, nas cordas e pratos e tambores e palhetas e instrumentos. E o refrão. Você completamente tomada pelo refrão, você profundamente marcada pelo refrão. É a sua música, é o seu ritmo, é a única prova que eu tive de que você era real. Eu sempre soube, pra mim você sempre foi. Real.

wave

Na minha lista de contatos, o seu nome estático e a minha vontade oscilante de discar seu número e ouvir sua voz, e ouvir sua risada, e estar perto de você mesmo que através de ondas eletromagnéticas, meu tom e meu timbre se propagando e tomando forma até te encontrar, até esbarrar em seu tímpano, nos ossículos do seu ouvido, e alcançar, de alguma forma, o seu pensamento e o seu coração.

fulminante

Se eu morresse hoje, e se nossas almas se separassem, e se nossas vidas tomassem rumos completamente diferentes, e se depois elas se cruzassem de novo em outro lugar, em outra época, em outro plano, eu sei, eu tenho certeza, eu te reconheceria em três segundos.

what if?

"Eu me apaixonaria por você".

"Ah, é? E por que não se apaixona, então?", pergunta sorrindo.

"Ah... É que eu não saberia o que fazer, se você não se apaixonasse de volta".

"Hmm, entendo"

 -silêncio-

"Mas e se eu dissesse que poderia me apaixonar de volta?"

-silêncio-

"Bem. Então eu acho que diria a verdade. Que eu já me apaixonei por você".

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

mashup

Toda história tem dois lados. Eu conheço uma que tem três.

Train

Sua paixão é seu nome. Oito vagões de suspiros e lágrimas e discussões e tentativas de entender o porquê desses trilhos não te levarem a lugar algum. Você acredita em músicas que falam de irmãos e de almas. Você é tão ingênua e tão cega. Eu te olho, e olho seu desgoverno e descontrole, e não acredito que você saiba o que está fazendo, não acredito que você saiba com quem ou o quê está lidando. Você tem a idade que tem, mas o mundo para do teu lado pra dizer que você é muito mais nova e inexperiente que ele, e eu queria muito que você entendesse e aceitasse isso.

Você fuma em estações vazias, e escreve nas paredes atrás dos bancos todas as coisas nas quais você pensa e as quais você gostaria que fossem verdade. Você tem uma marca de lábios no lobo frontal esquerdo do seu cérebro, e eu tenho certeza de que isso te mudou para sempre, mas mudou muito mais pela importância que você deu a tudo isso, do que pelo fato de ter mudado em si.

É sério, queria que você se ouvisse cantar sem todo esse som de metal contra metal, queria que você se ouvisse cantar como eu te ouço, e que sabe assim você não percebesse e entendesse que sempre haverá a possibilidade de não haver nenhum Mr. Mister tocando no rádio? Ainda que isso te doa, ainda que assim você não queira mais dançar. 

Hey, hey. Eu só não quero que você perca a si mesma essa noite.

Maroon 5

Eu olho pra você e me dá vontade de repetir pra sempre que tu será amada. Não sei se tão teus olhos, ou jeito que tu pede pra eu não me preocupar tanto, ou jeito que você se preocupa com o fato de eu me preocupar tanto. Você com essa coisa de falar alto e ter a última palavra, menina mimada, menina chorona. Você é esse personagem que eu daria tudo pra ter escrito, e penso que faz sentido você ser filha de quem é.

Mas aí eu te vejo quieta, aí eu te vejo impaciente e pixando muros com as suas lamentações, e entenda, eu sei de paredes, eu sou um quarto de paredes tatuadas, e sei exatamente do que você está falando quando você desabafa ou deixa pelo caminho um rastro dos pequenos pedaços de si mesma. São pistas. E é por isso que te encontro assim, refugiada, e eu quero que você diga tudo, e eu quero cantar junto contigo, e então você finalmente diz tudo e eu não acho que você precise se sentir culpada por isso: sou eu quem está pedindo que você cante, que você levante a sua voz por um momento. Te ouvir não é um favor, minha querida.

Lembra disso quando for dormir. Essa é a única música que eu consigo lembrar, mas pra mim tudo meio que remete a isso. Eu espero que tu seja amada, e eu acredito que tu será amada. Eu acredito em karma, tu vê. E te vejo de longe sem compor nada novo, e te vejo sozinha esperando por algo, talvez uma inspiração, talvez exercitando a paciência com os outros, consigo mesma, com o mundo.

Eu gosto de você pela lealdade. É ela quem me puxa pelo pulso e faz eu querer olhar dentro dos teus olhos e dentro da tua alma. Eu te acho bonita. Bonita o bastante pra ser amada de novo, pra ser amada por eles, pra ser amada por mim. Você me dá vontade de cantar junto.

Eu vou cantar junto contigo, e estou esperando que eles cantem também.

Beatles

A parte que eu conheço de você, e que eu acabo reconhecendo em mim, é essa impaciência latente para as pessoas num geral. E eu falo assim "pessoas num geral" porque sei que, como eu, quando você quer você pode ser apenas você, todo brincadeiras e aleatoriedades e confortável em si mesmo, sabe? Sem toda essa educação e polidez que te faz sorrir quase mecanicamente, desejando um bom dia a todos, e fazendo favores que você poderia fazer para qualquer um só porque você tem essa necessidade de ajudar as pessoas, mesmo que não se importe tanto, mesmo que não se importe a esse ponto.

Eu gosto da maneira como você canta que quer segurar as mãos de alguém, da maneira que você canta que amor é tudo o que se precisa, e que sempre haverá um campo de morangos para se andar. Eu adoro tudo isso, todo o seu discurso, porque me faz acreditar que as coisas podem realmente ser boas, já que você acredita tanto nisso, mas ao mesmo tempo é tão irônico que você, justo você que acredita no pra sempre, tenha se separado tão cedo! É tão irônico que parte de você tenha morrido!

Eu não sei. Você é essa banda que caiu no gosto popular, e certamente tem gente que não vai com a sua cara, mas há sempre quem se renda, há sempre quem se envolva contigo, ou queira se envolver. E você fica esperando que todos os seus fãs acabem se tornando como aquele que matou o John. Só que as coisas não são assim. Elas não precisam ser assim.

Quando coloco a sua existência dessa forma, fico confusa sobre tudo aquilo o que você representa. Você parece ter cantado músicas que nunca viveu.

Shuffle

Você toca os três. Você ouve os três. Você quer os três.

Hey, soul sister, please don't try so hard to say goodbye - I wanna hold your hand.



domingo, 28 de novembro de 2010

random notes

# ouço She Will Be Loved como note to myself.

# sempre que eu não sei como tô me sentindo, procuro fotos dos meus tênis pra usar como imagem de exibição. de alguma forma, ver aquele all star surrado e pintado de canetinhas me dá um ânimo e um tipo bizarro de esperança que não fazem sentido de ser, mas acho que faço isso talvez pra lembrar a mim mesma que eu sempre posso ter todas as estrelas sob meus pés.

# em dias como esse, eu penso que o Caio me entenderia, e fico esperando os Maurícios, os Paulos, e todas as pessoas a quem ele deu vida pra me fazer companhia. às vezes elas fazem companhia.  às vezes duas retas paralelas se encontram no infinito.

# quando eu me sinto meio perdida, ou desnorteada, ou distante das coisas e das pessoas, eu abro minha pasta de músicas e fico descendo e subindo o scroll como estou fazendo agora, procurando as músicas que mais se parecem comigo no momento, e as músicas que eu gostaria de ser. acabei de tocar The Only Exception, mas não pensei em ninguém.

# She Will Be Loved [play][repeat]

sábado, 27 de novembro de 2010

starts with you

No ano do SWU eu não fui a nenhum show do evento, e hoje eu nem me importo tanto, pra ser sincera.

Eu lembro do meu feriado, e sei que ele foi agradável. Eu penso no meu ano, e sei que ele valeu a pena.

E olhando agora pra trás, eu me sinto bem com tantas coisas! Eu me sinto bem com muitas coisas que começaram, que foram começadas por mim. E eu estou me sentindo orgulhosa por tudo isso. Por ter tido vontade, por ter feito as minhas vontades, por ter aproveitado os meus caprichos e corrido atrás das coisas que eu acreditava serem boas pra mim e que de certa forma foram mesmo - academicamente, profissionalmente, emocionalmente. É uma sensação tão engraçada e gostosa essa. Porque eu não acertei sempre esse ano. Mas o tempo todo eu tentava converter tudo pra um acerto.

2010 ainda não acabou. Tenho menos posts do que no ano passado. Mas de alguma forma eu sei que registrei mais as coisas, o mundo, tudo. Eu senti minha vida passando, e eu não era mera espectadora.

No ano do SWU, eu fiz as coisas começarem comigo.

E elas começaram.

u

Nesse exato momento, uma série de coisas está passando pela minha cabeça.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

significado

Você me faz pensar em uma música que começa com a gente cantarolando, antes de entrar qualquer instrumento ou vocal. Eu fico repetindo isso mentalmente até fazer algum sentido pra mim. Até que faz sentido. E quando faz sentido, tem um lago e um pôr-do-sol nascendo na minha cabeça, uma fotografia inventada de um lugar onde o som do vento nas árvores faz lembrar essa melodia que estou cantando pra você. É tudo um sonho, meu amor. Onde eu vou acordar de manhã e você não vai estar do meu lado. É tudo um sonho, meu amor. Onde eu vou acordar de manhã e vou perceber que não estou do teu lado. E isso me faz pensar. Talvez a gente seja esse sonho estranho na cabeça de alguém. Talvez a gente seja esse destino-fantasia durante uma fase REM. Alguma coisa aconteceu pra gente se cruzar, talvez o universo se alinhando, talvez Júpiter encontrando Urano, talvez Marte entrando em Escorpião, e todas as respostas astrológicas que a vida e os outros podem nos dar. Talvez um sonho, meu amor. Fruto de pálpebras caídas, cílios longos, olhos cansados. Eu e você assim, eu e você e bilhetes de amor, eu e você e calçadas e mãos dadas, eu e você e a paisagem bonita, a gente é o faz de conta mais bonito que eu tive o prazer de viver, de contar e de ser. A gente tem a nossa própria música-tema, e eu a cantarolo sem os instrumentos ou o vocal. Fica melhor assim. É um som que rima com paz. Até que faz sentido.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

nirvana

Nada me dói. Nenhum osso, nenhum músculo, nenhum tendão. Talvez me doa só a cabeça, mas pelas noites ruins de sono, que mesmo sendo noites ruins de sono não abalam meu humor, não abalam meu espírito, e não mudam o fato de que o resto das coisas não dói. É uma sensação boa, essa, a de respirar sem angústia, sem tragédia, sem horror. Eu olho em volta, absorvo o mundo, me entrego ao mundo, estou em paz. Não feliz, não satisfeita, mas em paz. Uma serenidade tão boa que não me sinto compelida a me desfazer dela agora. A vida continua cruel e faceira, mostrando seus dentes arreganhados para mim, querendo minha jugular, querendo me rasgar tão fundo até alcançar minhas carótidas e impedir que meu coração irrigue o cérebro. Ela me quer de dentro pra fora, me quer carniça, me quer cadáver, e eu só a quero bem. Tudo bem. Eu aceito e digo que aceito pra que ela saiba. Vida, tá tudo bem. Esses dentes, esse sangue, esse desvairamento, esse esmagamento contra a parede. Tá tudo bem. Eu abraço a vida, e ela se debate entre meus braços, tremendo, com espasmos, com medo, sem mais dentes arreganhados ou sangue, só pavor. Eu abraço a vida, com mais firmeza ao invés de força, e ela se amansa entre os meus braços. Nada me dói, e ela não se dói. Estamos em paz.

lembra mesura

Sentar e cruzar as pernas, descruzar as pernas e levantar, ficar inquieta e querer dançar. Dançar. Abrir os braços, então; olhos ao céu e preces sem destinatário, e quem sabe até um universo inteiro pra conceder? Dançar. Porque dançar sozinha ainda é dançar. Laços de pés e pontas dos dedos, se fazendo e desfazendo-se em si mesmos. Girar. Girar, girar e girar! Voltas em torno de si mesma e movimentos do mundo, pensando que talvez ela seja mesmo o mundo. Rir. Sorrir e rir, espremer os olhos e talvez gargalhar, são todas coisas muito diferentes mesmo. Cantar. Cantarolar porque é mais a cara dela, músicas antigas e músicas novas, até chover, até chorar, até cansar ou ao anoitecer, até clarear e talvez tombar, até até até morrer.
 
 
 
 
Olhos ao céu e preces sem destinatário, quem sabe o universo não concede?
 
 

sobre escrever

Quando tinha catorze anos, não sabia que tipo de pessoa eu era ou que tipo de pessoa eu viria a ser quando ficasse mais velha, mas já naquela época eu sabia e tinha certeza de qual sentimento gostaria de levar para o resto da minha vida.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

palavra é uma coisa engraçada, mesmo

No horário do almoço, o seguinte diálogo:

M: Esse doce tá ruim, tá estranho, tá preto!
B: Preconceituoso! Preconceituoso! Como assim preto? Agora tá ruim por que tá preto?
B cutuca as outras pessoas da mesa, e repete o discurso, apontando pra M.
B: Onde já se viu! Dizer que não gosta de preto!
L: Quem disse isso?
B: O M!
M: Eu não disse isso, eu disse que esse doce tá estranho, e tá estranho mesmo, ele tá preto!
B, apontando pra M: Tá vendo? Eu não disse?
L: Não vejo nada demais no que ele disse.
B: ... Não?
L: Não, ué. Você é que é o preconceituoso aqui. *L ri*
B: Como assim? Nãão! Mas por quê?
L: Porra, porque quem tá tendo o pensamento preconceituoso é você, oras.


Acho que o L tem um ponto.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Nossa Senhora de Paris


Vestia-se como uma cigana, falava como uma cigana, dançava como uma cigana.

O Rei aprendera, desde cedo, deste antes de sua cabeça ostentar uma coroa e de se tornar rei, que se você tem o caminho cruzado por um animal que parece lobo, que rosna como lobo, e que caminha e se alimenta como lobo, não há dúvida alguma de que esse animal seja um lobo – e que deve ser eliminado, portanto, diziam os educadores. Apenas uma questão de segurança, reforçavam os conselheiros. Identificar e eliminar nada mais era do que um mecanismo de defesa, eles sentenciavam. Do contrário, toda a coroa poderia ficar à mercê de aproveitadores inescrupulosos, e, oh, é claro que o Jovem Príncipe e Futuro Rei não gostaria de colocar toda a sua família, a sua história, e seu nome em risco, não é? Não, não, é claro que não. 

O Rei aprendera ainda criança, ainda Pequeno Príncipe, e àquela altura já estava cansado de ter de lidar com esse tipo de gente, mas permanecia eficaz. Era exímio em identificar e em decretar a ordem de extermínio – tão fácil quando se possui uma coroa para exibir sentado num trono tão imponente! Seu reino estaria para sempre seguro, o nome de sua família, seu lugar na história!

Até que ela cruzou o seu caminho. Ela, que vestia-se como uma cigana; ela, que falava como uma cigana; ela, que dançava como uma cigana. Ele aprendera desde cedo, desde sempre!, e é claro, era claro, que ela era uma cigana. Soube disso no exato instante em que permitiu que seu olhar recaísse sobre ela e suas vestes miseráveis, assim que encontrou seus pés descalços desenhando formas irregulares sobre o chão de terra batida, fazendo com que a poeira tivesse a ousadia de alcançar seu nariz fino e alérgico, e então os olhos, agora irritados e lacrimejantes. Pobre Rei. Nunca chorara por ninguém, mas se permitiu derramar uma lágrima involuntária por causa dela. Deveria ter percebido naquele momento, tão exímio que era, que alguém que lhe tirasse lágrimas não deveria continuar respirando de maneira tão insinuante como ela fazia.

É verdade, talvez ele tivesse reparado demais na cor de sua pele, tão corada e bronzeada e castanha que era; parecia tão saudável, tão mais saudável que sua Rainha prostrada logo ao lado! Uma triste estátua de cera – bela, é claro que era bela!, mas triste. E de cera. Tediosa, era o que pensava.

O Rei não teve culpa. Era francês, e, ainda que reinasse a Bretanha, não poderia ter conhecimento da existência de Ana, uma vez que até então não era nascida. Logo, ele não sabia, como não saberia, dos perigos existentes em sucumbir a um capricho real. Mesmo o menor deles, mesmo que tal capricho se limitasse ao corpo cheio de cor de uma cigana qualquer. Pobre Rei. Religioso que era, pedia perdão a Deus todas as noites pela volúpia de seus pensamentos, e, depois, já com a cigana em seus braços e em sua cama, pedia perdão pelo adultério cometido contra sua Rainha de Cera.

O Rei nunca pediu perdão por aprisionar uma cigana num quarto; ele deveria saber, mas não sabia até então, que ciganos nasceram do vento, viviam com o vento, e morriam com o vento. Sua vida era rápida, tanto quanto seus pés conseguiam ser durante uma dança. O Rei nunca pediu perdão por isso, porque em momento algum julgou ser pecado deixá-la esperando, noite após noite, sem nunca deixá-la sair. Ele sabia, tinha certeza, de que ela entenderia seu medo de deixá-la ir embora. Já fazia tempo, ele se entregava às carícias dela com tanto desespero, acreditando ser correspondido com tanta fé e ingenuidade, que jamais percebeu que ela chorava não de emoção, mas sim por horror; que se no início ela resistia e agora aceitava seu toque, não era por amor, mas sim porque já não tinha mais forças para resistir. O Rei não via; deixou-se cegar pela pele cor de cobre, e pelos movimentos harmônicos de seus braços e pernas, e se um dia fora exímio agora era apenas tolo.

Pobre Rei. Os súditos comentaram (é claro!), Sua Rainha de Cera notou (como não?). Mas ninguém ousou elevar a voz para Sua Majestade enquanto este definhava uma doença que apelidara de amor - mais tarde, a isso dariam o nome obsessão, mas pra quem tudo era apenas capricho, qualquer continuidade que se desse ao sentimento podia ser amor, não é?

Afinal, tudo parecia tão diferente de uma mera vontade! Tão doce ele era ao presentear-lhe com jóias caras e roupas deslumbrantes, que não fosse o fato dele tirar-lhe a essência de sua existência, quem sabe ela, sua rom, não se apaixonaria de volta? Não, não por causa dos presentes, mas pela doçura nos olhos dele. Pelo carinho contido em sua voz. Tão real e tão intenso! Quem sabe a recíproca não fosse verdadeira com janelas sem grades e portas destrancadas? Oh, sim, ela sugeriu isso certa vez. Tão cansada, tão desesperançada, tão distante da saúde que tanto encantara o Rei. Ele assentiu, é claro. Tão cego, tão envolvido em sua mentira, tão distante de seu olhar crítico que outrora tanto lhe rendera elogios. Um pobre tolo apaixonado, era isso o que ele era; de Rei ostentava apenas o título, porque de si mesmo já deixara de ser dono.

Foi então que aconteceu: de Sua Majestade, ao Bobo da Corte! 

Nunca uma queda foi tão rápida, foi o comentário dos criados ao descobrir que, sim, ela fugira. Bastou uma noite sem amarras, e ela logo correra para longe do manto real, onde já se viu tamanho desaforo? Há quem diga que levou algumas das roupas e algumas das jóias, não haveria o Rei de sentir-se traído? Tantos anos ensinando o Rei a se proteger, tantos inimigos executados, e é derrotado por um rabo de saias! O que diriam os que vieram antes de nós, se fossem vivos? A França jamais será a mesma se o escândalo correr antes do Rei, se apressaram a dizer os conselheiros, e eles estavam certos, como sempre estiveram.

Bastou um decreto. O Rei pensou que ela era uma Cigana muito tola, se acreditava numa fuga bem sucedida. Lamentou o feito porque decidiu que viveria com ela até o fim de seus dias, se ela não tivesse atravessado tantas portas e janelas para longe de si, mas a esse lamento os conselheiros deram um nome e chamaram feitiçaria - o Rei concordou e repetiu "feitiçaria, feitiçaria", mas quem diria? Bastou um decreto para tê-la novamente aos seus pés, jogada com violência por um de seus soldados. Quase sorriu de satisfação, não sentisse tanta dor por ter sido enganado e traído e roubado. Não era amor; era ódio e era repulsa e era vingança, mas não amor. Apesar de não estar vestida com nada que lhe dera, tinha absoluta certeza de que fora também roubado - era o que diziam, afinal! E ele acreditava, ingênuo, como acreditou na primeira dança dela, e então depois, quando acreditou em suas palavras de que poderiam ser felizes juntos- mas isso foi antes dela resolver pular uma janela. 

Bem. Ele esperou que ela também acreditasse que poderia ser feliz sem uma cabeça.

Tão bonito, o ele pensou, ao observar a cena do alto de Sua Majestade. A cabeça dela rolou em praça pública, no centro da Cidade Luz. A pedido do Rei, não houve vaso ou bacia aguardando pelo seu crânio, de modo que este caiu sobre o chão de terra batida com um baque surdo, e rolou suavemente  de um lado para o outro, como se dançasse, o sangue esguichando e manchando a terra, os músculos de sua face ainda contraídos, enquanto o restante de seu corpo tombava para o outro lado, dentro de um belíssimo vestido verde-esmeralda bordado em fios de ouro. Tão bonito! Em seu pescoço decapitado, uma jóia solitária - uma gargantilha de ouro somada a uma também esmeralda, talvez? Havia quem dissesse que fora presente do Rei, embora o boato fosse de que morreu usando tudo o que levara do palácio. O Rei sabia a verdade, entretanto: viveu sua cigana, morreu sua Rainha, uma de carne e osso. Um preço justo. Jamais admitiria que morresse de outra forma, não seria bom para sua imagem de Rei que ela morresse miserável ou sem que lhe tirasse algo além da vida. Deu-lhe roupas e tirou-lhe a cabeça, então. Sim, muito justo que perdesse a cabeça aquela que arrancara o coração do Rei. Era o que achava, e era o que não dizia a ninguém mais que não a si mesmo, ainda que os criados especulassem entre si. Muito justo, pensou, enquanto a poeira levantada pelo que restara da cigana alcançava seu nariz fino e alérgico - cigana. Deveria ter percebido antes, logo quando deixara escapar a primeira lágrima involuntária, e não a segunda, mas era muito justo que fosse assim.

Ao público e ao cadáver deu as costas. Repetiu para si mesmo, "feitiçaria, feitiçaria".

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

o que a gente diz

 
Acho que as duas têm razão. Acho que há drama, acho que há exagero, mas só não acho que seja sobre o amor. Acho que é sobre a vida e a morte, sobre o jeito que Sarah enxerga a vida, essa ideia irônica de que ela é uma contagem regressiva para o funeral. Acho que amar ainda é observar alguém morrer, mas não desse jeito. Não necessariamente em uma tragédia, não necessariamente em um leito de hospital. Talvez tenha mais a ver com estar junto até a hora da morte, do que na hora da morte em si. É só uma hipótese. Eu não sou ela, e muito menos sou Sarah. Então não posso ter certeza.

domingo, 31 de outubro de 2010

tecla verde confirma

Eu cansei dessas eleições. Dos cadidatos, das piadas, dos eleitores. Essa porra tá parecendo a décima edição do Big Brother, e eu sinto que tem dois Dourados na final, como proceder? Eu não quero que o Serra vença, de verdade. Ele andou fazendo umas alianças muito imbecis, e o discurso dele mudava mais que troca de canal num dia de domingo. Já a Dilma pra mim é marionete do Lula, cara. Não confio, não consigo gostar da ideia de ter um mesmo partido no poder durante DOZE ANOS, e se pá por dezesseis, quando o Lula se reeleger (porque se ele não tiver morrido, é bem possível que ele tente se reeleger e consiga), ou então a própria Dilma. Não consigo gostar disso quando o país é pluripartidário, saca? E não consigo me sentir confortável e à vontade com os eleitores da Dilma, brother, socorro! Sinto como se tivesse perto da gente louca que apoiava o Dourado e fazia dos ensinamentos dele uma religião, praticamente. É bizarro, até, eu ter mais receio e pavor dos fiéis do que da personalidade em si, mas aconteceu e é isso aí. De eu ter PÂNICO do meu twitter e ver gente apontando o broche vermelho (ou tucano, embora tenha visto BEM POUCO disso na minha timeline) como se apontasse uma cruz ou uma bíblia. MANO! QUERO FUGIR DESSA PORRA. Eu sei que fiquei bem chata na época da copa, mas cara, não ficava tentando empurrar isso pra ninguém não, postava no tópico do assunto e torcia nos dias dos jogos, DEU! Só fico doente mental assim quando tem Big Brother, e agora que descobri o tweetdeck resolvi que para poupar minha timeline dos surtos - se houver, se eu acompanhar o programa -,vou ficar logada em outra conta só pra isso. Sei lá, meu. Tô aliviada que hoje acaba a porra toda, tô aliviada de saber que a baixaria na TV vai terminar, onde um fica apontando merda do outro, que nem irmãos vingativozinhos, saca, que tentam escapar da bronca dos pais culpando o outro. Tô de saco cheio dessa gente se achando a última bolacha do pacote, os donos de todas as convicções políticas e partidárias e da razão. AMIGO, CONVICÇÃO DE CU É ROLA, BEIJONÃOMELIGA. Tomei um ódio da porra, mano, ódio da porra. Quantas vezes vou precisar apertar a tecla-verde-confirma pra essa merda acabar de uma vez?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

graduação

Eu quero contar que essas cicatrizes não me dóem mais. Quero contar que tudo isso parece fazer parte de uma outra vida, e que já não incomoda nem lateja nem nada. Quero dizer que o planeta voltou a girar no eixo certo, e que as coisas estão boas, e que a vida está boa, e que eu estou bem como não estava há meses. O nono andar da UERJ já não assusta mais.

i know, i'm the star in somebody else's sky

Nos últimos dias não tenho postado aqui porque tenho escrito algo que me faz ter vontade de parar em todas as portas de bar da Lapa à procura da minha imagem perfeita de romantismo contemporâneo. É o tipo de coisa que me faz ouvir Blink 182 a uma da manhã de uma recém quinta-feira pensando que essa banda foi soundtrack de uma série de situações ao longo da minha vida, e que não deixa eu me importar com o fato de ser Blink 182 ao invés, não sei, Queen. Eu não tenho ligado pra tantas coisas, ultimamente, mas não significa que eu esteja apática, longe disso. Não estou indiferente nem nada, eu só não estou perdendo tempo ligando pra coisas que me poderiam me chatear.

Gosto de pensar nisso e de chamar isso de paz de espírito.

Mas olha, é uma sensação gostosa. E tenho tanta coisa pra falar, pra contar! Sobre como tudo mudou dentro da minha cabeça e do lado de cá da minha retina, que fez com que as coisas lá fora parecessem todas diferentes. Confesso que quando me sinto assim, tão em paz, fico com medo de morrer. É que a sensação é tão boa, tão boa, que eu penso que não teria tanta sorte assim de continuar viva depois de tê-la.

Deixa eu te contar um segredo? Mais um dentre os tantos outros que já contei aqui? Eu tô feliz. Eu tenho tanto pra contar, me sinto apaixonada de novo, pela vida e pelas pessoas, mas de um jeito diferente. Eu me sinto viva de novo, eu sinto que posso abraçar alguém e que isso pode ser verdade. Eu acho que descobri algo nesse meio tempo, mas ainda estou ansiosa demais pra conseguir explicar, pra conseguir dissertar a respeito.

Blink 182, bandas de rock, all star - sempre todas as estrelas. Não sei, eu poderia viver isso pra sempre. Você não?

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

toda história tem dois lados

Domingo à noite

Eu discuti durante três horas e fui dormir às três da manhã, mas o dia inteiro foi de risos e empolgação com ideias legais e divertidas e queridas. No fim da noite e início da madrugada, eu não estava estressada nem irritada, só cansada mesmo. Dormi bem e sem preocupações.


Segunda-feira


Eu passei mal, mas as pessoas se preocuparam, correram atrás de remédio pra mim, tomaram conta da minha alimentação, se importaram em saber como eu estava... E mesmo quando o site do Windows Live Essentials não me deixava baixar a versão antiga, só a nova, a Júlia me indicou um outro programa de mensagens instantâneas e a Giu me lembrou onde conseguir a versão antiga do messenger.


Terça-feira


O ônibus que peguei quando saí do trabalho estava ruim, mas o motorista foi legal o suficiente pra deixar as pessoas o mais próximo do destino delas, que foi a Central. Ele podia simplesmente ter deixado nego no viaduto e foda-se, mas ele só seguiu com o carro porque a maioria ia descer lá mesmo, e foi o que aconteceu.

Shade e eu tomamos um pseudo banho de chuva, mas foi uma noite divertida, a gente riu do momento em que eu cheguei no trabalho dele até o momento em que ele me ligou, eu já no táxi, pra dizer que tinha esquecido que podia ter me pedido carona, já que eu passei quase em frente ao prédio dele.

Eu não sabia ir de Botafogo para a minha casa, e o taxista conhecia o lado do meu bairro que eu não conhecia. Ele podia ter me enrolado e ter dado várias voltas pra que a corrida ficasse mais cara, mas o tempo inteiro ele tentou me ajudar e tentou fazer o melhor caminho possível pra mim - inclusive um que eu conhecesse.


Quarta-feira, mais cedo


Eu levantei e cedi meu lugar para a senhora, e ela se ofereceu para segurar minha bolsa. Quando tive que levantar para saltar do ônibus, ela me entregou a bolsa e desejou um bom dia pra mim. Desejou um bom trabalho, e que eu ficasse com Deus.


Quarta-feira, agora


Não importam quantas pequenas coisas chatas tenham acontecido nesse início de semana, tem umas pequenas coisas boas que estão compensando tudo isso de uma forma adorável.

dear diary

Domingo à noite

Discuti no MSN durante três longas horas, e, coincidência ou não, fui dormir lá pelas três da madrugada.

Segunda-feira

Diarréia.
Vômito.
Enxaqueca (do tipo que até a luz de abajourzinho incomoda).
Windows Live Essentials 2011 (um cu, não instalem jamais).

Terça-feira

Saio do trabalho cedo pra encher o saco do Shade no trabalho dele. Espero o ônibus durante quinze minutos, e depois de pagar a passagem e passar a roleta descubro que ele está sem embreagem, que está andando a menos de 20km/h, e que ele vai ficar pela Central pra parar outro carro para que possamos entrar por trás desse segundo ônibus. Conclusão: faço em quase cinquenta minutos um trajeto de vinte minutos (ao menos não paguei outra passagem).

Daí que Shade e eu íamos sair do prédio cedo, pra lanchar cedo, porque os dois estavam morrendo de fome, mas daí aparecem alguns trabalhos pra ele fazer e saímos de lá só às 21h, então teríamos que comer no shopping a vinte minutos dali, porque a lanchonete que fica a três minutos do trabalho dele fecha realmente cedo. Quando estamos nos preparando pra sair acabo descobrindo que nenhum dos dois guarda-chuvas que costumam ficar na minha bolsa estão na minha bolsa, e é nesse momento que o mundo resolve se acabar lá fora chovendo.

Descemos. O porteiro diz que começou a chover forte tem uns quinze ou vinte minutos. Shade boy é um cara legal e me oferece o guarda chuva dele, com a condição que eu carregue a mochila dele também pra ela não molhar, e eu aceito, porque pelo segundo dia consecutivo estou com uma enxaqueca horrorosa e além disso não queria ficar gripada. Coloco as duas bolsas - minha e dele - na parte da frente pra não correr o risco de molhar nada, e acabo parecendo uma grávida e cansando como uma grávida com aquele peso nos meus ombros, a enxaqueca aumentando de maneira proporcional à chuva, enquanto shade boy e eu tentamos conseguir um táxi. Quando finalmente desistimos do táxi e decidimos ir de metrô, a chuva para.

Shade boy é um cara calhorda e atravessa correndo a Av. Presidente Vargas quando o sinal fecha, me deixando com as duas mochilas e um guarda chuva, além de uma enorme poça d'água que eu não poderia atravessar pulando por causa do peso extra, e que só pisando daria jeito. O que faço? ANDO NO MEIO DA PRESIDENTE VARGAS pra contornar a tal poça d'água e não molhar o pé. Quando volto pra calçada, enquanto espero o sinal abrir de novo para os pedestres, um carro alucinado me dá um banho e molha toda a parte de trás da minha roupa. Vinte segundos depois o sinal de pedestres se abre e é minha vez de atravessar ensandecidamente as pistas restantes da avenida.

Pegamos o metro, chegamos ao shopping, comemos. Na hora de descer, todas as escadas rolantes de descida estavam paradas. Estávamos no Botafogo Praia Shopping, mais conhecido como Botafogo Escada Shopping, e na praça de alimentação do último andar. Descemos os oito andares do shopping do jeito normal mesmo, degrau por degrau. Se fosse mais cedo, eu iria de metrô, mas acontece que estava tarde demais pra pegar um ônibus na estação que eu costumo descer, porque eles param de circular cedo, e andar até depois do viaduto por um caminho sinistro e escuro num tempo tendenciosamente chuvoso sem um guarda-chuva não era minha intenção. Quarenta reais de Botafogo até a minha casa.

Quarta-feira, mais cedo

Acordo cedo, me arrumo para o trabalho. Meu pai menciona que vai de táxi para o trabalho e eu peço uma carona. Como de táxi o tempo de viagem fica consideravelmente menor, faço as coisas com mais calma até terminar de me arrumar. Termino de me arrumar e vejo meu pai todo enrolado com as coisas dele sem previsão para ficar pronto. Me desespero. A hora passa e nem indo de táxi vou chegar cedo, porque já está tarde demais pra isso, e tudo indica que ele sairá ainda mais tarde do que já é. Resolvo ir de ônibus mesmo.

O ônibus está atrasado, o que significa que no segundo ponto dele todas as cadeiras já estão ocupadas, menos as preferenciais. Sento em uma das preferenciais e um minuto depois entra uma senhora que mal consegue ficar em pé. Levantando e cedo meu lugar pra ela. Tudo bem, vou ouvindo música, e espero que seja rápido. Eu em pé, o ônibus lotado porque é quarta-feira e esse ônibus passou com atraso de meia hora ou mais, fico presa num engarrafamento durante meia hora por causa de um acidente. A enxaqueca volta, pelo terceiro dia consecutivo. Durmo em pé. DURMO-EM-PÉ. Numa curva, meu joelho cede e quase caio no chão, mas reflexos estão aí pra isso. Quando o ônibus começa a esvaziar, sendo no chão. Sim, sento NO CHÃO, encosto no vidro atrás do motorista e começo a dormir.

Acordo, salto no meu ponto, pego um táxi pra não ter que esperar mais quarenta minutos por outro ônibus, e o táxi me cobra 10 reais pra não me deixar dentro da empresa (coisa que ele podia ter feito, depois só fazer a volta no estacionamento).

Quarta-feira, neste exato momento

Preciso dormir desesperadamente.
Estou determinada a ficar com um humor legal o resto do dia.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

#23

Todo o carinho do teu beijo e de todo o resto acabou me assustando - porque sou carente, porque não estou acostumada com isso, e porque me apego realmente fácil e não queria me apegar realmente fácil a você. Toda essa coisa de dar as mãos e de dormir abraçado, toda essa coisa que eu não conheço e quero desesperadamente, e você dividindo isso comigo porque é algo que já faz parte de ti. Fiquei aterrorizada, sim, mas pior, muito pior do que isso, é que fiquei querendo mais.

Mas também fiquei pensando, depois, que não dá pra simplesmente ignorar quem a gente é.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

a gente não conta piadas, só ironias

Passou o encanto, passou a tormenta, passou o suspiro, mas eu continuo, às vezes procuro seu nome na lista e comemoro que hoje isso aconteça desse modo, às vezes e não mais sempre, comemoro a falta de vontade de falar contigo, e comemoro o fato de já não pensar tanto em você no almoço. Na maior parte do tempo eu sei que tu não vem por estar estudando, por causa do horário, porque tem que ir ao banco, porque tem que acompanhar um amigo, e nos dias que você aparece você aparece com ela, rindo com ela e sendo amigo dela, diz que é porque nossos horários não batem e eu entendo, e eu sorrio, e eu cumprimento vocês dois e aceito, tu é meu amigo, tu quer ser amigo dela e é complicado, e eu entendo, eu aceno a cabeça e aprovo, vai em paz, não te preocupa, eu já estava preparada pra isso. Não é uma batalha, mas eu perdi; perdi pra lei do menor esforço, perdi porque eu sou aquela que vai ceder, perdi sem nem sei por que ao certo, não é uma guerra, não é uma competição, mas aí quando a falta bate  não tem como dizer que eu não perdi algo nessa situação. Tá tudo bem. Quando os dementadores chegam muito perto, eu repito e repito até cansar expecto patronum, fecho os olhos, e lembro minha memória favorita.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

my new directions

Não é que eu não entenda essa coisa do pessoal comentar Glee a sério, mas agora tenho certeza de que essa é uma vibe que eu não consigo acompanhar. Fui ler agora uns comentários num tópico de discussões, sobre o primeiro episódio da segunda temporada (depois de tê-lo visto, é claro), e quanto mais eu lia mais eu desanimava da série, de tão dissecada que ela ia ficando ao longo dos posts. 

Bem, isso não é uma bronca pra eles, não estou pedindo que eles parem de fazer isso (porra, seria muito imbecil pedir pra eles pararem de falar do seriado no tópico do seriado -q), mas queria comentar que as tais análises que eles fazem sempre me desmotivam, é impressionante! E o pior é que eles geralmente têm razão, HAHAHAH. Geralmente concordo com as falhas que eles apontam, sabe, mas daí eu vou lembrando dos episódios, das músicas, dos personagens, e então penso que adoro ser ignorante vendo Glee, que assim eu me divirto muito mais. Considero essa a minha série de férias - eu geralmente penso muito, sobre qualquer coisa, e quando vejo Glee me permito não pensar e só curtir as músicas no contexto daqueles personagens. Aprendi isso com meu irmão.
"Carolina, você vai sofrer cada vez que ouvir uma música se pensar que ela é sua com mais alguém. Agora, se você só parar pra escutá-la, se você simplesmente não pensar enquanto a ouve, então você vai aproveitar muito mais".

sábado, 18 de setembro de 2010

minutos para a meia-noite

as coisas que a gente pensa, tão distantes das coisas que a gente sente, tão mais longe das coisas que a gente diz

Não sei o que vai na minha cabeça que mexe com meu peito que me faz te olhar assim. Eu te amei um dia. Eu te amei tanto que morreria por você, e amei tão mais que mataria por você, e agora tenho esse sentimento dentro de mim de que seria capaz de estalar o seu pescoço e te ver cair no chão, talvez por amor também. Eu não sei. Não se trata realmente de morrer e de matar, estou falando só como metáfora. O ponto é que às vezes eu te olho e minha vontade é te destruir, te quebrar, te magoar de um jeito tão cruel e tão fundo que você nunca vai esquecer. É um desejo tão brutal, tão intenso!, e eu fico pensando em inúmeras maneiras de arrancar essa tua vontade de viver e fazer dela nada além de uma lembrança distante, mas então tem algo em mim que me faz parar, eu ficaria pra te assistir morrer, e ainda assim não consigo te fazer mal, eu troco as letras e as palavras e de repente está tudo bem, eu digo e repito numa voz entrecortada que está tudo bem, tudo muito bem

as coisas que a gente pensa, 
tão distante das coisas que a gente sente, 
tão mais longe das coisas que a gente diz

quando na verdade você passa do meu lado e eu quero socar a parede, a mesa, a porta. Não sei o que acontece que me muda desse jeito, eu te amo tanto, eu sei disso, eu sinto isso e já senti isso tantas vezes que perdi a conta, todos os dias e todas as noites, mas me dá um desespero também, um desespero tão forte e eu não posso te ver inteira, eu não consigo, eu não suporto, acho que sou egoísta, eu digo que te amo, eu sinto de verdade, eu toco seu rosto com delicadeza e isso é verdade, você sabe que é, você sente também, por que não vê todo o resto então?, a parte ruim?, seria tão mais fácil pra mim, e não sei se é só sobre o amor, tem todo o carinho também, essa coisa de querer te proteger de todo o mal, de todos os males do mundo, essa vontade de violência cada vez que eles cogitam violentar você e te atacar, essa vontade de guerra cada vez que eles insinuam qualquer perturbação à sua paz. 

Às vezes acho que minha cabeça vai explodir, quem é que vai entender esse tipo de coisa, eu não entendo, a raiva não some nunca, eu sinto a adrenalina se espalhando pelo corpo, a vontade de gritar mais e mais alto, minhas veias saltando o pescoço, o rosto vermelho e as pupilas dilatadas, eu estou prestes a explodir, eu quero destruir tudo isso, colocar a casa abaixo, minha respiração está cada vez mais ofegante e eu não posso te olhar sem sentir nojo, sem sentir desprezo, todos os momentos felizes dançando na minha cabeça e eu passando as mãos pelos cabelos, andando de um lado para o outro, estalando os nós dos dedos enquanto as cordas vocais vibram, e eu sinto elas vibrarem enquanto berro coisas que não gostaria de ter dito embora pensasse nelas há tanto tempo. 

Sim, eu percebo, eu sei disso, eu estou vendo e fazendo e falando coisas das quais vou me arrepender seriamente depois de tudo, eu estou com uma vontade tão grande de chorar, de ir embora, de ficar, de suspender o relógio, o tempo e o espaço e repetir até o último segundo da minha vida que eu te amo, amo tanto, tanto, tanto! Eu não te amei um dia não, eu te amo agora, eu te amo pra sempre, eu quero te amar pra sempre e com cada osso, e músculo, e célula, e átomo que compõe o meu corpo nessa vida, em outras vidas, nas vidas passadas e nas que virão um dia se isso realmente existir.

Não consigo parar de pensar em maneiras de te fazer sofrer, de te ver devastada, completamente devastada, essa imagem é que a mais surge na minha mente, a que ficou realmente marcada atrás da minha retina, mas acredita nisso, acredita nisso por favor, eu te imploro, acredita que eu te amo, que eu te amo de verdade, você sabe disso, ignora a adrenalina tomando conta do meu corpo, ignora esse meu ímpeto de matar, de quebrar, de jogar os copos contra a parede e de querer ver o vidro se partindo ao nosso redor, essa chuva de cacos e estilhaços sobre a gente, ignora isso tudo e acredita que não passa de um pesadelo ruim, de uma história de mal gosto, olha nos meus olhos e acredita em mim, acredita que -

as coisas que a gente pensa, tão distante das coisas que a gente sente, tão mais longe das coisas que a gente diz as coisas que a gente pensa, tão distante das coisas que a gente sente, tão mais longe das coisas que a gente diz as coisas que a gente pensa, tão distante das coisas que a gente sente, tão mais longe das coisas que a gente diz.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

#4

Aos meus queridos:

Enquanto escrevo essa carta, vejo você dormindo, Teso, e vejo você se distraindo, Beto. Enquanto escrevo essa carta, vejo vocês dois assim de longe mesmo estando perto, e me pego lembrando da época em que não haviam espinhas ou pelos nos rostos de vocês; época em que a voz saía meio aguda, totalmente infantil, e a língua enrolava e vocês não conseguiam pronunciar o "ele" do meu nome: "Caronina", vocês diziam e repetiam e gritavam e faziam birra.

Enquanto escrevo essa carta me dá uma saudade tão grande daquela época, meninos, porque eu soube, eu sempre soube, que ela não duraria muito. Logo logo vocês teriam a minha idade e, por deus!, eventualmente fariam as mesmas coisas que eu, e isso era tão aterrorizante! Sempre foi aterrorizante demais pensar que um dia vocês poderiam se magoar e se machucar tanto quanto eu, senão mais, entendem? A ideia dos seus corações quebrados, partidos, me dói tanto tanto tanto, que é como se fosse a minha dor multiplicada infinitas vezes por números exponenciais, intransponíveis e inimagináveis! Eu nunca desejei isso pra vocês, sempre quis que vocês tivessem as minhas coisas boas, jamais isso, jamais esse sentir demais, esses corações colados às pontas dos dedos, esses olhos de caleidoscópio e esse peito inflável, os braços e os sonhos ao redor do mundo. Mas meu desejo foi em vão, e vocês cresceram rápido, cresceram tocando músicas tristes e escrevendo tragédias de amor. Tão teatrais! Tão dramáticos, tão sinceros, tão ingênuos!

Queria dizer que nada disso vai doer, meninos. Queria dizer que depois de um tempo melhora, mas eu já esbarrei naquilo que vocês não têm coragem de me mostrar e sei que não tem mais volta. O peito de vocês vai inflar tanto que vai parecer prestes a explodir, e vocês vão querer que exploda de uma vez, mas daí ele vai esvaziar aos poucos até que comece tudo de novo.

Vocês não são como eu, sei disso. Calhou só de vocês também amarem demais, e é por isso que sei que vão sofrer demais, também, porque vocês vão sentir tudo, e tudo será de verdade, e a verdade é sempre confusa, muitas vezes dolorida, mas é também uma espécie de compensação quando todo o resto vai mal e uma espécie de benção quando tudo vai bem - acreditem, algumas coisas podem ir bem, também. Mas isso vocês já sabem. Não nasceram sabendo, mas aprenderam rápido, porque escritores que são, compositores que são, apaixonados que são, o mundo se encarregou de ensinar.

Ah. Sou a irmã mais velha aqui e me sinto tão ausente! Queria que vocês soubessem que não precisam passar por tudo isso sozinhos. Essa quest não precisa ser solitária, vocês não precisam ser mártires, sempre aparece um guerreiro novo pra fazer parte do grupo, e eu não ligo de ser a Maga de Cura de vocês, de qualquer forma, não ligo nem de morrer tentando, se for o caso. Eu quero só que vocês fiquem bem, meus amores. Esse sempre foi o meu desejo pra vocês. O maior deles.

Amor pra sempre da irmã de vocês,

Carolina.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

teu nome significa amável

Olha, queria dizer que gostei de você, mas não pelo fato de você ter me deixado um comentário, e sim pelo comentário que você me deixou. É que foi um tanto inesperado, nunca tinha te visto por aqui, mas daí tu mencionou que voltou com seu blog influenciada, de certa forma, pelo meu, e achei gentil da sua parte me permitir saber disso, achei um gesto muito amável esse, o de dividir essa informação comigo, de deixar que eu soubesse. Pra mim, é como se tu estivesse dizendo: "olha, tu foi importante". E não ligo se tenha durado dez segundos, mas é o tipo de coisa que pode, sim, mudar a vida de uma pessoa pra melhor. E acho que tu não sabe, tu não deve mesmo saber disso porque não escrevi aqui e nem te contei e nem comentei com a Clarissa (tu é a Amanda da Clah, né? Se for, então prazer! E se não for, desculpa pelo engano, mas de qualquer forma o prazer - ou a satisfação - permanece), mas é aconteceu de verdade, entende, aquele teu comentário meio que fez o meu dia. Porque não é como se eu estivesse esperando retorno, esse blog é uma espécie de blog diário, e por causa disso eu realmente não espero das pessoas que elas comentem o que eu escrevo, mas da mesma forma que tu te sentiu compelida a comentar, eu me sinto compelida, agora, a contar pra ti que foi uma boa surpresa te ler naquela sexta-feira. Eu poderia simplesmente agradecer, sabe, mas é que não vejo teu gesto como um favor, vejo ele mais com uma coisa bonita e querida. Então queria dizer isso, que fiquei feliz. E que gostei de você por isso, pela sensação boa que tu me trouxe, e que tu me dá quando lembro que tu voltou com teu blog influenciada, de certa forma, pelo meu. Assim, teu nome significa amável, digna de amor, e eu acho mesmo que tu seja isso. E acho que talvez um nome nunca tenha caído tão bem a alguém.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

malabares

Quero escrever. Quero escrever como se minha vida dependesse disso, mas de uns tempos pra cá venho percebendo que minha vida ainda não depende disso pra que eu consiga escrever desse jeito agora. Talvez eu precise amadurecer um pouco mais, amadurecer a cabeça e o pulso, as idéias e os músculos dos dedos, antes de tentar de verdade, antes de tentar como gente grande e todo esse jazz. É que acho que escrevo como adolescente, entende?, uma eterna adolescente, ou então de um jeito muito infantil e ingênuo, só. E tudo o que eu quero é escrever, escrever a sério e da vida fazer só isso, e se tiver de me preocupar me preocupar apenas com isso, de um jeito que esse isso não seja uma preocupação e sim uma ocupação. É que sou uma espécie de paranormal sem treinamento, uma daquelas pedras preciosas que precisam ser lapidadas antes de irem para uma vitrine. Escrevo com intuição, escrevo com o ouvido, escrevo com os olhos semicerrados e em ziguezague, e me falta a técnica, me falta a linha reta, me faltam o mapa e o passo a passo de como transcrever cada artéria e vaso sanguíneo ligado ao meu coração sem me perder nos fios dessa meada emocional. Eu quero e vou escrever, sabe? É só questão de tempo, é só questão de eu aprender primeiro a pensar naquilo que quero dizer e contar, porque a bem da verdade é que eu não penso tanto no que escrevo, não mudo tanto, e tudo o que você vê aqui é cópia fiel do estado da minha alma, toda essa honestidade e transparência em dados e códigos númericos suspensos numa nuvem que não existe. Vou aprender primeiro, então, e assim quem sabe não crio algo realmente bom com a quantidade de honestidade que tem em todo o resto? Sim, eu vou escrever. Antes disso, preciso só de uma habilitação em malabares na corda bamba: a arte de equilibrar e não (me) deixar cair.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

the infinite playlist

Estou relendo Nick e Norah, as imagens deles se formam por trás das minhas retinas, e eu os acompanho, e eu os sigo pela noite de Nova York dentro de um Yugo velho. 

Estou completamente apaixonada por Nick e Norah, completamente apaixonada pela blusa de flanela dela, pelos mixes deprimentes e adoráveis dele, pelos diálogos desajeitados dos dois, e até mesmo por suas desilusões amorosas e seus romances cheios de términos ainda que sem fim.

Estou completamente apaixonada por Nick, e completamente apaixonada por Norah, porque é uma identificação tão grande por ele, um reconhecimento tão grande nela, que pode até parecer bobo, mas eu juro que não é, é só que insegurança é insegurança em qualquer lugar, e eles são assim, desse jeito, inseguros por mim e comigo e de um jeito parecido com o meu, entende?

Ela vai fugir o tempo todo sem dizer nada. (...) E, no fundo, não acho que Norah queria fugir também. Ela só acha que tem que fazer isso. Em parte porque ela é uma mimadinha entediada e inteligente sem nenhum senso da moda. E em parte porque ela é um ser humano.

Um jeito parecido de fugir e sabotar a própria felicidade, sabe? E ao mesmo tempo, ao mesmo tempo essa vontade de diminuir a sabotagem, de deixar o Dick Vigarismo para trás e vencer a corrida logo de uma vez, uma vontade gigantesca de viver minha própria playlist infinita, minha noite inteira de amor e, quem sabe, de música também.

Ainda sinto a dor, mas sinto muito menos vontade de mitigá-la.

Talvez eu encontre alguém legal no ônibus, talvez eu encontre alguém legal num show, talvez eu encontre um baixista interessante e que me faça rir, que me deixe à vontade e que me deixe com vontade de tentar fazer as coisas certas, vontade de fazer coisas diferentes de correr na direção oposta daquilo que eu tenho certeza que pode me fazer feliz, ou ao menos alguém que traga uma nova perspectiva, uma perspectiva mais alegre e positiva e otimista com relação à vida. 

Vamos nessa ou não?

Talvez eu sente num meio-fio e converse com um amigo até o dia amanhecer, talvez eu veja o sol nascer da janela de um ônibus enquanto estou voltando pra casa, ou então do banco de uma praça resolvo ver o céu clarear aos poucos. Talvez a minha vida mude numa noite, talvez continue a mesma coisa, talvez eu mude sozinha quando terminar de ler o livro de novo, talvez eu mude sozinha mesmo sem um livro pra ler. 

Atirar-me na brecha de nossa linha divisória será um salto de fé.

Talvez eu só precise tentar, tentar com afinco, tentar de verdade, e acreditar que alguma coisa pode ser diferente pra melhor.
Preparar.
Apontar.
Pular.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

#16

Ah,

É engraçado. Estou pensando aqui há algum tempo, e acho que seria muito mais fácil escrever sobre você do que está sendo escrever para você. É que eu te vejo assim, vejo todo esse teu jeito, e penso que poderia mesmo te escrever, que tu encaixa bem nas minhas histórias, essas tuas roupas, esses teus dentes, esse teu cabelo, sabe? Juro que não é pretensão, mas é que tu me dá essas vontades de pegar uma caneta e sair rabiscando coisas sobre música, sobre cantar e dançar na chuva um rock antigo, sobre usar all star e perder um trem. 

E tu vai além, tu me dá vontade de escrever e me dá vontade de viver isso tudo, também; me dá vontade de rir, de chorar, de abraçar, de estar junto, de sair pra tomar um chá - e eu nem gosto de chá! - ou uma coca-cola. Tu me inspira de um jeito tão adorável que queria muito que tu soubesse disso. Confesso que estou encantada!

E é engraçado pensar que nossas vidas poderiam ter se cruzado de outra maneira, há quatro anos, e que talvez até tenham se cruzado e que se isso aconteceu mesmo a gente nem tem noção de ter acontecido. Não sei. Só sei que os dias passam, e quanto mais tu escreve, quanto mais tu solta as coisas do teu dia-a-dia e de tudo o aquilo que eu não li no teu blog, mais me dá vontade de continuar falando contigo, de ir pra rua contigo e ver onde a gente pode chegar se a gente de repente resolver sair sem rumo.

É que tu parece ser boa companhia, sabe

Está sendo um prazer te conhecer, Rafa.

Todo o amor do mundo, 

Cah.


P.S.: Terei que te ver, quando for pra SP.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

faroeste caboclo

Enquanto descia do ônibus, voltando pra casa, pensei ter visto alguém que não via há anos. Um garoto que fez parte de parte da minha infância/adolescência. Não lembro o nome dele, pra sincera, lembro só de como era conhecido aqui no bairro - Mudinho. Na época em que o conheci, devia ter uns treze ou quatorze anos, enquanto eu tinha onze ou doze. Ele era surdo desde o nascimento, o que fez com que não aprendesse a falar também. 

Sabe, quando lembro do Mudinho, lembro da malícia. Lembro da maneira como ele olhava pra mim, e para o restante das coisas, para minha casa, e de certa forma para minha vida. Ele chegou a roubar algumas vezes, mas não aqui. Lembro da minha tia de consideração, aquela que o acolheu e decidiu que tomaria conta dele, falando alto sobre como ele não tinha mais jeito. Teria sido a segunda ou terceira vez que ele fazia isso, e ela já não sabia o que fazer, que ela estava tentando dar uma vida melhor pra ele, mas que ele continuava com esses maus hábitos.

Não tenho certeza se o Mudinho era má pessoa. Em algum desses natais, lembro de tê-lo visto receber um presente, algo infantil e que no momento não me recordo com exatidão do que seja, e de ter ficado boba e genuinamente feliz com o agrado. Parecia criança de novo, feliz e só feliz, sem aquele olhar estranho, sem aquela gana de ter e de ter e de ter.

Sempre tive um pouco de medo dele. Não pela cor da pele, não pela condição social, não porque ele se comunicava de maneira agressiva ou produzindo sons altos e ininteligíveis. Tinha medo dele por causa daqueles olhos pretos que me engoliam, que pareciam sugar minha alma e desejar minha vida com todas as forças. Tinha medo do que ele poderia fazer pra ter isso tudo, porque eu sempre senti que ele queria demais, com uma intensidade assustadora, e que poderia fazer e faria qualquer coisa, se tivesse a oportunidade.

Mas não era bem sobre isso que eu queria falar. Eu queria falar que há alguns anos, talvez uns dois anos, eu encontrei o Mudinho na rua, e ele estava todo mal vestido e mal cuidado. Ele estava discutindo com alguém, e se movimentava estranho, como se dançasse, como se estivesse bêbado, como se estivesse louco. O Mudinho ainda tinha aquele olhar intenso, mas devia ser como o olhar de alguém que tivesse acabado de morrer. Era meio desvairado, sabe? Mas também era fora de foco, triste, assustador - algo suficientemente forte pra rasgar tua pele e teus músculos, se fosse algo capaz de cortar.

Não sei. As coisas pro Mudinho foram muito difíceis e muito ruins desde o início, e isso me fez pensar que às vezes a vida da pessoa começa assim, toda ferrada e toda errada desde o início, e que é possível que essa vida termine do mesmo jeito, toda ferrada e toda errada também. Não que a vida do Mudinho tenha acabado, sabe, mas quais as chances dele se recuperar agora na vida adulta de toda uma vida fodida? O que é o mundo pra ele senão um lugar desgraçado, onde ele não teve um pingo de sorte?

Mais uma olhada rápida na lembrança que tenho dele, e uma pergunta que não espera por resposta: "por onde é que tu anda, Deus?".

flight 2231

Então eu fui pra Bahia.

Segunda-feira minha chefe perguntou se eu poderia ir pra Bahia com ela, a trabalho, e eu disse que sim. Terça-feira, seis e meia da manhã, já estávamos fazendo o check-in no Galeão para o vôo rumo a Salvador. Tudo muito rápido, sabe? Achei engraçado, diferente, divertido, até! Ok. Acontece que, no fim das contas, estávamos viajando a trabalho, então não havia ninguém me esperando em Salvador, e ninguém me esperando na cidade onde ficaríamos, Vitória da Conquista. Foi bem estranho. Primeira vez que viajei assim, pra longe, foi pra encontrar a Júlia, e quando cheguei em Porto Alegre lá estava ela no aeroporto, junto do Thi, me procurando com os olhos e esperando por mim, sabe? Lembrei disso duas vezes, enquanto retirava minha mala da esteira, em Salvador, e enquanto descia do avião, em Conquista.

As pessoas me perguntam por que não tenho vontade de ir para o Nordeste, por que não tenho interesse em conhecer os lençois do Maranhão. Sabe, não é que não seja bonito. Conquista era uma cidade normal, pra mim, com gente normal. Achei um pouco mal cuidada, é verdade, e sei que tem muito potencial pra crescer, mas é que lá faltou todo o BOOM de se fazer uma viagem, sabe? Ao menos pra mim. Faltou o amor. Essa paixão que me move, faltou gente que me fizesse ver a beleza das pequenas coisas em Conquista, faltou gente que amasse demais aquela pequena cidade pra que eu pudesse olhar duas vezes pra ela. 

Eu não tenho vontade de ir pro Nordesde ou de conhecer os lençois do Maranhão porque lá não tem uma Júlia, não tem uma Gy, uma Mylla, uma Ferfa e uma Beli, e mais um monte de pessoas que me façam olhar pra essas cidades duas vezes e pensar que é um dos lugares mais bonitos que eu visitei. Sabe, eu precisei de alguém pra me mostrar que o Rio de Janeiro poderia ser mesmo muito bonito, então não é preconceito. Não faço questão dos monumentos não, dos pontos turísticos. Porque pra mim, no fim das contas, pontos turísticos são os lugares pelos quais eles andam e são felizes - seja shopping, seja praça, seja a última rua da cidade, ou um meio-fio qualquer.

Viajar a trabalho não tem metade da graça de se viajar a passeio, mas acho que na verdade o que muda tudo é o fato de ter alguém te esperando ou não no portão de desembarque doméstico.

domingo, 15 de agosto de 2010

todos os caminhos até aqui

Tenho um pressentimento muito forte sobre algo que deve acontecer até o final desse mês e/ou início do próximo mês. É algo que tem a ver com ele, comigo, com a vida como ela é hoje, e com como ela será se isso der certo. E pela maneira como as coisas tem acontecido, tudo me leva a crer que vai dar certo - e eu espero mesmo que dê, ainda que. Bem. Falo mais sobre isso depois.

#8

Oi, querida.

Vou ser sincera contigo desde o início: primeira vez que vi  esse item, pensei que não escreveria pra ninguém. Sempre achei que jamais conseguiria escolher um, só um amigo, quando eu tenho tantas pessoas queridas ao meu redor. Tu não foi meu primeiro pensamento, mas a vida é mesmo engraçada, tu vê. Estava relendo a lista, e percebi que, na verdade, eu não poderia escrever pra mais ninguém que não fosse você, aqui. Ainda que já tenhamos nos visto duas vezes, caminhando pra um terceiro encontro; ainda que nossa amizade nem possa ser considerada apenas de internet.

My Favorite One. Foi como te chamei há uns dois anos, lembra? Um trocadilho bonitinho com o teu apelido, e com meu sentimento por você. Minha querida favorita, embora eu nunca tivesse enumerado os motivos para tanto - e mesmo hoje, mesmo depois desse tempo todo, confesso que não sei se conseguiria enumerar ou justificar isso.

É que tu é linda, corazón. Tu é adorável, apaixonante! E desde o início eu quis te proteger de todas as coisas ruins, e eu sei que isso não cabe a mim. Sei que às vezes é necessário que passemos por momentos difíceis, e que por mais que eu queira e deseje que tu não tenha esses momentos difíceis, tu vai tê-los e vai ter de enfrentá-los. E eu vou estar do teu lado, eu vou querer estar do teu lado, pra tu surtar, pra tu chorar, pra tu não falar nada, pra te fazer rir, pra te levar pro topo, pra te mostrar como é bonito o Arpoador - e te lembrar que tu merece coisas tão bonitas quanto ele.

Me espera. Usa aquele pingente quando der, revê as fotos do Arpoador! Tu disse que já tem uma ideia de roteiro pra minha visita, e eu acho que já tenho uma ideia de como amenizar essas suas vontades de não estar em lugar algum do mundo. Vou te mostrar, enquanto estiver aí. Não vai demorar muito, logo logo estou aí. Me espera, My Favorite One

Daquela que te ama tanto,

Holly Golightly.


P.S.: Estou te devendo um ligação.