quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

um dia (ou quase isso) na vida da cah

Faltava muito pouco pra eu ir embora. Acho que eram umas 17:10 quando o chefe-mór ligou, e eu saia às 17:30. Foi só ouvir a voz dele que pensei "ai". E pensei certo, já que ele começou a falar muito rápido que o documento xis devia ser providenciado e que precisaria estar em São Paulo na manhã seguinte.

E lá fui eu, mobilizando RH, malote, cartório, motorista do chefão-mór, jurídico habitacional, e até mesmo a informática pra conseguir o tal documento. Foi uma loucura!, acho que os cinco telefones do setor tocaram ao mesmo tempo, e eu puxando as linhas e atendendo o que eu podia, tonta tendo de assimilar o que todo mundo falava, dizia e mandava eu fazer. Sério, se eu tratasse dos assuntos do callcenter na velocidade que eu falava com as pessoas hoje, meu supervisor ficaria muito orgulhoso do meu TMA (tempo médio de atendimento). Pois é.

No fim, tudo deu certo. E eu, que ia sair do trabalho às 17:30, saí do trabalho às 19h, respirando aliviada depois de falar com o chefão-mór que os documentos foram providenciados e que seguiriam pra São Paulo amanhã cedo, de avião, com a funcionária chilena da empresa. Desci as escadas com aquela sensação maravilhosa de dever cumprido, e louca de vontade de entrar no ônibus e vir dormindo no caminho pra casa.

Me fodi. Coloquei o pé pra fora do prédio, e começou a chuviscar. O céu estava escuro, escuro pra caraca!, e cinza-grafite era até apelido pra cor do céu naquele momento. Acho que quase chorei, eu praticamernte me vi chorando!, porque seria mesmo muito muito chato se chovesse depois do dia louco atrás do documento. Desci as escadas correndo e passei pelo portão da empresa, pensando que seria melhor pegar um trem, pra não correr o risco de ficar presa no metrô caso faltasse luz, nem de ficar presa duas ou três horas no trânsito caso o Maracanã estivesse submerso. Cheguei no ponto e estava vazio, aliás, a rua toda estava completamente deserta, a não ser pelo Sérgio Reis, um senhor que trabalha no segundo andar e mora no bairro vizinho ao meu. Ele perguntou se eu ia de trem, eu disse que sim, daí ele disse que ia me acompanhar. Agora só faltava o ônibus chegar!

E o ônibus não chegava. Daí resolvemos que pegaríamos o primeiro veículo automotor que fizesse o transporte de pessoas de bem e que aceitasse dinheiro por isso. Apareceu uma kombi meio furreca e foi nela que entramos - uns 10 segundos depois o ônibus passou pela gente e eu pensei "murphy, seu puto". (Preciso dizer que Sérgio e eu ficamos um pouco tensos quando vimos a nuvem negra se estendendo sobre a Central, pensando se aquilo realmente em cima daquele lugar ou se seria apenas uma forte impressão). Quando descemos da kombi, ainda chuviscava, então ficamos aliviados, era mesmo impressão. Atravessamos a Presidente Vargas meio correndo, todo mundo avançando o sinal vermelho dos pedestres, confirmando o ditado do irmão e da Natália "multidões não são atropeladas".

Chegamos à Central e aquele monte de gente, hm, não-bonita correndo de um lado pro outro por causa da chuva e procurando os trens. Esperei o Sérgio da fila do bilhete (eu não precisei entrar nela, RioCard é um adiantos), e depois fomos atravessar a roleta. Quando aproximei meu cartão do visor da roleta, faltou luz. Vi um bocado de gente saltando as roletas, um bocado de gente correndo, e um bocado de gente gritando - ah, tá, como se o prédio fosse desabar nas nossas cabeças só porque faltou luz. Sério, não entendi o desespero, mas enfim.

Meu cartão passou, tudo ok. Só que sem luz todo mundo ficou cego e tentando adivinhar qual trem ia sair e se ia sair pro lugar certo. Nesse meio tempo, vi um raio cair a uns 100 ou 200 metros de onde a gente estava. E foi bonito e tenso - tenso porque era mesmo muito muito perto. Alguns minutos depois de tentar adivinhar, decidimos arriscar. E ainda minutos depois de arriscarmos, descobrimos que o trem era o certo.

E viemos pra casa. O resto é resto, mas eu precisava registrar o fato de que o dia tinha tudo pra dar errado, mas acabou dando certo. Além disso, recebi hoje a segunda parcela do décimo terceiro, e, depois de quatro meses, acho que finalmente encerrarei o mês com algum dinheiro, ao invés de terminar devendo duzentos reais. Yeah! \o/

E é isso, fim do dia.

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