sábado, 12 de dezembro de 2009

pra quando lembrar for uma tarefa difícil

Ver o L. recitando Mar Português e descobrindo a licença poética "Ó mar muito muito salgado", os garotos agitando as ondas de mentira na direção dele, engolindo-o com os lençóis azuis enquanto a Margarida gritava e esbravejava dizendo que éramos a pior turma de Literatura que já havia pisado naquela escola.

A casa da Su depois da minha aula. Ela descendo pra escola, que ficava ao lado do seu prédio, a mãe e o padrasto trabalhando, e eu dormindo na cama dela, esperando chegar o momento de vê-los de novo quando o sinal batesse às 16:10.

E todo o resto. Todas as tardes daquele ano.

Sacolés de amendoim com chocolate na Penedo, a subida do Sufoco (onde a Ministro se encontra com a Gomensoro) no dia de São Cosme e Damião, verdade ou consequência depois da aula, "Miojo encolhe quando quebra?", O Navio Fantasma, três cortes e um beijo na Comandante Coimbra, o piercing na língua, guerra d'água na Conselheiro Paulino, madeira em flor, subidas por ruas sem nome e muitas escadas em direção à Baiana, todos os pássaros, as lentes de contato, e a mão cinematográfica da Lu, chuviscos caindo sobre o corpo jogado na Vandenkolk, dança dança dança, gosto de coisa gozada na boca, Atenas e Portugal, varanda do prédio, a quadra da escola, declaração na Paranapanema, a gente cantando Por Enquanto, a quadra do Lígia, a Coca-Cola, o meio-fio, e os gravetos da Major, as histórias da minha vida, e a certeza de que houve uma época em que eu não precisava correr atrás da felicidade, tão ansiosa, tão angustiada, tão desesperada; ela vinha até mim como se fosse destino. Era fácil, e era bom. Eu sempre soube.


2 comentários:

phi disse...

de repente, até eu fiquei com saudades desses momentos que não vivi. ♥

Pam Lima disse...

de repente, até eu fiquei com saudades desses momentos que não vivi. ♥ [2]

e fiquei com saudades dos que vivi, também.