segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

goodbye

"I don't love you anymore"
"Since when?"
"Now. Just now."



Foi de repente, como uma epifania. Como se o tempo todo existisse um interruptor escondido, e que finalmente tivesse sido descoberto e desligado por mim. Foi estranho, também. Ele falou, e eu senti todas as cordas, todos os laços, todas as linhas que me prendiam a ele simplesmente desaparecendo, arrebentando, se dissolvendo. Se naquela noite eu senti meu peito ficar mais pesado, naquela manhã eu senti que minha existência podia ser leve e agradável de novo. Eu fiz uma pergunta, e acho que ele foi sincero em sua resposta - 100% superado. Então é diferente de quando você ouve de todo mundo, de todos os seus amigos; porque depois que você ouve da boca dele é que você pode ter certeza de que, apesar de todo o bem que ele te fez um dia, ele não era nem é o cara. 

Sei que eu amei demais. Cada lembrança, cada palavra, cada gesto. Sei que eu amei demais, e que poderia tê-lo amado demais pelo resto da minha vida, se fosse o caso, mas não, não foi caso nenhum. Na verdade, comigo e com ele, talvez tenha sido sempre o acaso. Calhou dele aparecer na minha vida, calhou dele se apaixonar primeiro, calhou de eu me apaixonar tarde, calhou de ele desistir cedo, calhou de eu desistir, por fim. Só sei que eu o amei demais, que eu o amei com uma intensidade pavorosa e desesperadora, mas como tudo que é muito intenso e desesperador, talvez tenha se consumido na mesma velocidade que se fez presente, na mesma proporção de sua existência. 

Não menti um momento sequer, tenho certeza. Minhas olheiras de quatro meses, minhas lágrimas quase diárias, todas as coisas que eu escrevia e precisava tirar de mim com uma urgência terrível, nada disso me deixa mentir, foi tudo verdade. O que acontece é que ele não foi a história da minha vida, como eu gostaria que fosse e como poderia ter sido. Soube disso quando ele respondeu minha pergunta - 100% superado. Ele estava bem, e eu havia passado. Foi naquele momento que tive a mais absoluta certeza de que o que eu sentia por ele também ia passar. Não nasci pra ser infeliz. Enquanto houve alguma esperança, continuei. Mas sei aceitar um fim, quando me presenteiam com um. 

Acabou. E não prometo que seja a última vez que falarei dele aqui, mas talvez não haja mais necessidade de exorcizar nada. Só lamento pelo amigo que perdi no meio disso tudo. Talvez eu fale dele como se tivesse morrido, já que é assim que sinto sua falta. Não sei. Só sei que é bom respirar de novo, sem nada sufocando meu pescoço.


4 comentários:

phi disse...

tu escreveste tudo o que eu quis dizer e não soube como. é engraçado, ou não, mas tu entendes o que eu quero dizer, como nós até no timing temos uma sintonia incrível para sentir igual.
no meu caso, esse fim veio com uma desilusão muito maior do que aquilo que eu consigo suportar - mas que tenho de. não importa porquê, já, afinal. importa que é o fim.
quero muito que sejas feliz. ♥

notanacrobat disse...

"I don't love you anymore, goodbye"
adoro essa idéia de aceitar o fim como um fato e pronto. sem necessidade de prolongar e só machucar uma - ou duas - pessoas.
mas acho triste que alguém sempre "morra" nessas situações.

*hugs*

julya aka nika disse...

oi, te amo :D
HAHAHAHAHAHAHA!

assisti Closer esses dias, meu... e como esse filme é fabuloso!

brooke disse...

Eu sou bem parecida, sabe. Eu sofro enquanto há esperança, enquanto há algo para eu desgastar esperando. Quando tudo acaba, acaba, e a infelicidade, as lágrimas, enfim, tudo perde o sentido. E eu não sou de me lamuriar sem sentido.

Mas foi bom ler, na tua escrita e nas tuas palavras tudo isso. Injeta um pouco de lucidez.