domingo, 20 de dezembro de 2009

do quarto vazio

Talvez fosse tédio. Talvez fosse meu cansaço, talvez fosse o repentino estado blasé que tomou conta do meu espírito, talvez fosse a noite que, um dia antes, tanto prometia, e que naquele momento não representava mais nada. Não sei o que me levou a fazer isso, não sei de verdade, e ainda estou processando o absurdo de toda a situação. Eu estava sóbria, é importante frisar. Mas não posso dizer que estava lá muito lúcida - embora minha mente não tivesse se desligado um minuto sequer, todo o fluxo de pensamentos das últimas semanas correndo e escorrendo por cada neurônio, muita dinâmica dentro e fora da minha cabeça. Sinceramente, deve ter sido meu momento mais inconsequente da face da terra. Irremediável, sem volta, mas igualmente sem culpa, sem pudor, sem arrependimento. E hão há satisfação, não há felicidade, não há nada disso. Só há uma informação registrada no fim da madrugada, a de que eu quis, eu procurei, eu fiz, só porque me deu vontade e porque eu podia, talvez, e então resolvi que seria seria seria. Feito uma garotinha mimada e birrenta. Eu escolhi a pessoa, eu escolhi a hora, eu escolhi o lugar, e escolhi a posição. Foi tudo eu eu eu, toda a responsabilidade é minha, e se realmente houver alguma culpa, ela também é minha - e eu também não me importo se houver; ao menos, não estou me importando agora. É só uma informação, só um fato, um registro vago de algo que aconteceu porque eu fiquei louca. Como se quisesse provar que poderia levar esses jogos de estratégia para níveis cada vez mais altos e cada vez mais obscenos. Tá legal. Eu não sei o que eu queria provar, de verdade, mas tenho certeza de que não provei nada. Quando deitei minha cabeça no travesseiro, às 5:40 da manhã, era como se nada tivesse acontecido - e eu nem estava me esforçando pra isso. Eu não ligo. Talvez eu ligue daqui a algumas horas, daqui a alguns dias, daqui a alguns anos, mas não ligo agora. Só me dá vontade de rir. Eu não estou feliz, mas me dá vontade de rir.

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