terça-feira, 1 de dezembro de 2009

damned if you don't

A gente nunca pensa que a nossa vida vai se encaixar numa música do Forfun ou do Lulu Santos. Não sei por que isso acontece. Talvez acreditemos que apenas Freddy Mercury, Renato Russo, e Ben Gibbard são dignos de contar a nossa história ou o que passa pela nossa cabeça. E o resto é resto. Meio idiota, meio brega, meio antiquado.

Naquela noite o couvert artístico tocava Tempos Modernos, e o refrão nos pedia pra viver tudo o houvesse pra viver. Dizia que devíamos nos permitir.

Eu lembrei disso durante o almoço, enquanto ele tamborilava os dedos sobre a mesa, as costas viradas pra mim, e uma risada despreocupada. Lembrei das coisas que a gente fazia no breu do cinema e nas coisas que ele dizia ao pé do meu ouvido. E lembrei daquela noite no ônibus, em que nos encontramos por acaso depois de Tempos Modernos. Naquela época pensei que talvez fosse uma dica, hoje não sei. Posso encarar como sinal, mas também posso encarar como uma dessas coincidências engraçadas que a gente vive uma hora ou outra. O horário de almoço acabou, e voz dele continuou no meu ouvido, mesmo depois de vê-los saindo juntos do prédio.

Acho que minha vida está longe de ser um musical da Broadway, sucesso de bilheterias. Está longe de ser uma tocante tragédia do Death Cab For Cutie, longe de ser uma lendária canção do Queen, longe de ser um relato épico cantado pelo Legião Urbana. Minha vida é como todas as outras músicas que você menospreza, meio idiota, meio brega, meio antiquada. E o resto é resto. Um dia ela pode ser bonita também.


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