quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

coisas que você não vai ler

Eu não achei que fosse passar logo, mas eu quis muito. Chorei algumas noites por tua causa, e depois de uma noite em especial decidi que não choraria mais. Cumpri minha palavra durante dois meses, até que ontem veio a recaída. E  foi meio patético chorar no banheiro da academia só porque a gente não pegaria o ônibus juntos naquele dia, como um ano atrás. Eu fiquei lembrando do que você disse naquela noite em que acabou-acabou - antes mesmo de saber que ia acabar-acabar -, que sempre haveria o 711 pra gente - e não, não houve.

Sinto sua falta todos os dias. Às vezes penso que você é pra mim como um tumor - eu sabia viver antes de você e vivia bem; eu estou vivendo depois de você e vivendo bem. Mas agora eu estou com aquela cicatriz enorme do buraco que sempre fica quando os cirurgiões têm que tirar a parte estragada do corpo. E conforme o tempo passa e você não, fico achando que você é um daqueles recessivos malignos, que acabam fazendo as pessoas morrerem aos poucos não importa o quanto elas se recuperem e tenham momentos como se nunca tivesse existido um tumor.

A gente não se fala mais como antigamente, como quando éramos amigos. A gente não se fala mais, e toda vez que eu te vejo é como se eu subisse cinco lances de escadas sem parar. A gente não se fala mais, e eu fico inventando conversas que a gente poderia ter tido, quando eu não consigo lembrar direito das conversas que a gente teve - e elas sempre parecem de verdade. A gente não se fala mais, e eu fico cada vez mais chateada quando passo do teu lado, segurando o passo, e tu não para como antigamente pra conversar, e diz só "bom dia" ou "oi" como se a gente não se conhecesse o que a gente se conhece. Sério, isso me mata cada vez que acontece e você sabe que acontece com uma certa frequência.

Eu devia era superar isso e  seguir em frente. Como tu disse que estava fazendo comigo, como eles fizeram em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. É o discurso dos amigos, será o discurso de qualquer pessoa que ouça a história ou a leia aqui. Seguir em frente, continuar, se reerguer e todas essas coisas bonitas e gloriosas que todo mundo espera, que todo mundo quer que alguém nessa situação faça, que todo mundo deseja, porque querem te ver feliz e mais ainda porque estão de saco cheio de tever na fossa - ninguém gosta de companhias tristes. E porque sofrer por amor é old school e ninguém realmente quer morrer de e por amor, como Romeu e Julieta, como qualquer outra história nessa linha. O romantismo passou. E eu queria muito que você passasse também.

Quanto tempo vai levar até eu deixar de te amar assim, desse jeito, hein?
Quanto tempo?

4 comentários:

phi disse...

se ajudar, e eu sei que não ajuda: eu sinto igual, eu sinto a mesma coisa, eu estou aqui se precisares de ser uma companhia triste para alguem. *

bruna disse...

eu acompanho seu bloh há um bom tempo mas acho que nunca deixei um comentário pra vc... e ao me deparar com o texto de hoje, noto muitas semelhanças no que eu passei.

Passar???! Não, não passa... a gente só deixa que de fato vire tudo lembrança de um passado bom. E aí a gente segue... segue não, continua como sempre continuou.

boa sorte

Nadiajda disse...

O pior é que nunca acaba. A gente só esquece de sentir, de vez em quando.

cap disse...

Pra mim faz dois anos e eu ainda lembro de conversas quase palavra-por-palavra e de alguns momentos de ausência delas. Ainda dói às vezes, e bate uma saudade violenta (principalmente quando chove - por mais ridículo que soe), mas agora eu consigo me lembrar e ficar feliz por saber que lembranças tão bonitas e especiais realmente aconteceram.

(De qualquer modo, eu leio aqui há bastante tempo e resolvi comentar porque... sei lá, viu. Talvez eu esteja reaprendendo a ficar sozinha também, não sei. Mas eu não venho ao caso. O fato que realmente importa nesse comentário é que eu realmente gosto muito daqui.)