segunda-feira, 2 de novembro de 2009

nineteen candles

A gente se conhece desde pequenas. Desde a praça do bairro, desde o balanço, desde o escorrega e da gangorra. A gente se conhece desde tenra infância, mas a amizade começou lá pelos onze ou doze anos, quando ela voltou a morar aqui. Quase não fui ao aniversário dela por falta de grana, mas que bom que o pai pagou essa pra mim - e que bom que a mãe dela falou com o pai que gostaria muito que eu estivesse lá.

Eu só senti falta dos nossos outros amigos. Eles não foram ao restaurante, e até aí é compreensível, porque primeiro dia do mês ninguém tem muita grana mesmo. Só que o que me deixou meio decepcionada foi não ver ninguém depois, mais tarde, na casa dela. Lembrei dos anos anteriores, do pequeno apartamento abarrotado de gente, mais de vinte pessoas amontoadas num cômodo, jogados na cama, tirando fotos aleatórias e rindo e cantando e sendo retardadamente felizes.

Sei lá, me deu um aperto no peito, uma saudade tão grande! Não quis tentar identificar onde estava o ponto exato da ruptura. E eu olhei pra ela, tão linda, a época mais linda da vida dela, e pensei em como era triste que os amigos dela - os nossos amigos - não estivessem ali pra ver aquilo também. Acho que ela não estava feliz como poderia e queria estar. Eu a conheço desde a tenra infância e somos amigas desde os onze ou doze anos. Dava pra ver. Eu sabia que ela não estava feliz como poderia e queria estar.

Quando ela soprou a vela, talvez tivesse pedido todos eles de volta. E ainda que não tenha pedido, sei que eu acabei desejando isso. E pensei algo que eu não devia pensar, porque simplesmente não é algo para se pensar quando se trata de amigos assim, mas eu quis muito estar ao lado dela enquanto ela soprasse velas de aniversário. Por tudo, cara, por tudo. E eu vou estar, é uma promessa.


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