domingo, 11 de outubro de 2009

where the wind will blow

sete anos depois.

Casada, é? Quem é o cara que conseguiu te segurar?, ele ri. E ela explica que não é O cara, e ele ergue as sobrancelhas e entende sem que ela precise dizer mais nada. O que teus pais acharam disso?, ele quer saber. Acho que no fundo no fundo eles já esperavam, ela diz. Reagiram melhor do que imaginei, gostam dela, mas a verdade é que preferiam você. E ela abaixa os olhos e fica aquele silêncio de quem não sabe o que dizer e que quer dizer muito. E quem você preferia?, ele pergunta com um brilho nos olhos, e ela não sabe dizer se tem a ver com o que aconteceu entre eles ou se não passa de curiosidade genuína e ingênua. Se você me perguntasse naquela época, a resposta seria você, mas as coisas não são mais como antes. Acho que hoje não tem a ver com preferência... Eu quero ela e só. E ele acena a cabeça, e parece amargurado por um instante, mas ela pensa que pode ser apenas impressão - ela sempre tem muitas impressões. Você tá feliz?, ele pergunta sem olhar. E ela responde que nunca teve tanta certeza de que tudo ficaria sempre bem, e que pela primeira vez na vida estava no lugar certo. Fico feliz que você não tenha se contentado com a minha felicidade... E ela fica feliz também. Você tá diferente. Mais bonita do que aquela época... E ela diz que é porque não está mais quebrada. Ele fica sem graça, mas sorri. Não pede desculpas em momento algum, e ela fica contente com isso, pois ele não tem nada pelo que se desculpar. Ela pergunta como é que ele tá. Eu tô bem. Ainda tô com ela, e a gente vai se casar. E ela diz que vai querer ir ao casamento, cobra um convite e pergunta se ele não se importaria se... Mas é claro que ele não se importaria, pelo contrário!, gostaria muito que fosse acompanhada, porque não perderia a oportunidade de conhecer a pessoa que a fez se entregar - achava realmente admirável qualquer pessoa que provocasse esse efeito nela. Os dois ficam em silêncio por um bom tempo, até que ela sorri. E ela percebe, enquanto o observa calada, que eles dois poderiam estar na mesma situação caso tivessem dado certo, e que a vida era mesmo muito gentil consigo por ter lhe dado mais de uma oportunidade de ser tão feliz - como era.

Sim, ela sorri, e sim, ela está bem.


Um comentário:

clah disse...

Tão... bonito. E triste.