quinta-feira, 8 de outubro de 2009

(...) like pictures and gather dust over the time

Estavam os dois em pé, ônibus lotado num engarrafamento de quinta-feira de chuva . Falavam sobre como o ônibus ao lado estava cheio, e sobre como Jonathan não conseguia ficar encarando ninguém por muito tempo. Camila disse que até conseguia, que fazia aquilo desde mais nova - ficar encarando estranhos e ver quem desviava primeiro -, então, é, conseguia sim, que tal competir? Competiram por um tempo antes de ficarem novamente entediados. Camila tinha um piercing no lábio, e os cadarços de seu all star tinham estrelas azuis. Jonathan era alto, tinha um voz grave, de homem, mas não parecia ter mais do que dezessete anos. Era só um garoto. Um garoto que admitiu não conseguir, "eu sempre desvio os olhos".

Camila falou sobre Rodrigo e sobre a mãe dele ter morrido, "e ele tava lá, foi à aula assim mesmo". Falou também sobre a prova fodida do César Áureo, e que ainda pegaria um terceiro ônibus pra ir pra casa. Jonathan a fez jurar que nunca mais pegariam o 711, o inferno do 711. Camila concordou. Jonathan ficou surpreso por ela não ter feito um escândalo que nem da última vez "depois de tantos anos de amizade você não vai confiar em mim? se eu tô dizendo que esse ôninus passa lá, então ele passa lá, porra! tu acha que eu vou te sacanear? a gente não se conhece de ontem!", e ele disse que ela era toda estressada. E ela disse que nem era. E eles ficaram em silêncio, ele rindo, até que ela concordou que talvez ela fosse mesmo, mas só um pouquinho. E depois ela encostou a cabeça no ombro dele e suspirou. E ficou assim por um tempo.





Ouvir a conversa deles me deixou com saudade.



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