sexta-feira, 9 de outubro de 2009

com aquarelas do autor

"Acho que te falta fé, menininha. Já pensou nisso?", ele pergunta, se levantando. E eu continuo lá sentada, brincando com umas pedrinhas e encarando meus tênis. Penso que talvez ele esteja certo, pra variar. "Sei que é tenso acreditar sem ver. Ou sem viver, no caso. Mas custa muito tentar?". Ele suspira, e eu quero dizer que não tem a ver com custos, mas sim com parecer muito idiota tentando. Só que eu não falo nada, porque sei que ele acha que idiotice é eu pensar assim. Daí eu fico em silêncio. "Eu te quero tão bem, menininha, tão bem...". Ele diz, suspirando de novo, depois de se abaixar e de olhar nos meus olhos. "Mas eu preciso que você acredite, querida, só isso. Senão...", e eu não deixo ele terminar. Não quero que ele termine a frase porque sei que depois dela ele vai embora. E eu não quero que ele vá embora. E eu quero dizer "mas como eu vou acreditar se você tá indo embora?". Mas eu não digo. Eu nunca digo nada. E penso que o quadro podia ser assim pra sempre, a gente preso num abraço de um desejo concedido. Mas começa agora: eu já o sinto escorregar pelas minhas mãos...

2 comentários:

bruna disse...

às vezes as pessoas nos pedem por fé para poderem partir para depois voltarem

clah disse...

Eu sempre choro nos teus textos. Não posso ler quando to emotiva assim.