segunda-feira, 14 de setembro de 2009

tédio

Ficou brincando com o canudo e o refrigerante, acenou a cabeça quando ouviu uma pergunta vaga, e ao ver a empolgação inabalável da amiga, ficou satisfeita em constatar que seus amigos já estavam tão acostumados ao seu silêncio, que já não se importavam em perguntar ou não o que estava acontecendo ou como andava sua vida. Ficou satisfeita porque lhe era cômodo quando pensava demais - ela sempre pensava demais -, mas não queria ou não conseguia falar sobre tudo o que pensava.

Sorriu por causa de uma piada que não ouviu e pela qual não demonstrava o menor interesse. Pontuou a narrativa da outra com alguns comentários que poderia ter feito em qualquer outra história, para logo em seguida afundar no que Caio dissera na noite anterior sobre linhas paralelas se encontrarem no infinito - e sobre o infinito ser nunca ou sempre.

Pensou que se Caio estivesse ali, talvez perguntasse o motivo do canudo e do refrigerante parecerem tão divertidos a ponto de tirá-la da realidade. Pensou que talvez gostasse demais de Caio e que era ele quem deveria estar ali, e não Alice - e gostava tanto de Alice! Pensou que Caio deveria estar ocupado demais para atender o telefone agora - e de qualquer forma, o que ela diria a ele? "preciso de você aqui" "pra quê?" "pra ter você por perto". O que Caio pensaria dela no fim da noite? Talvez Caio nem se importasse, talvez Caio não tivesse nada pra fazer, ainda que fosse sábado, talvez Caio estivesse esperando um telefonema dela, que não vinha.

(se perguntou, de repente, no que Caio acreditava - se o infinito era sempre ou nunca -, e ficou com vontade de perguntar a ele).

Levantou os olhos em direção a Alice, baixou os olhos logo depois - não tinha vontade de encarar ninguém. Tinha vontade só de ficar brincando com o canudo e o refrigerante. E, agora, de ligar pra Caio.

Um comentário:

Lih disse...

Cara, Cah, puta merda, você escreve muito. Mimimi, vou dissecar teu blog HAHAHAH (L)