sexta-feira, 18 de setembro de 2009

rota 711

Daí, o que a gente não sabe a gente acaba inventando - ela diz, com aquele jeito de quem sempre tem certeza de tudo o que está sendo dito.

Eu olho pra ela e fico me perguntando, de onde foi que ela veio?, por que foi que ela veio?, e pra onde é que ela vai?, mas quanto mais ela discursa com esse ar de dona da razão, mais eu fico sem saber sobre as coisas que eu gostaria de saber a respeito dela - e é aí que o que ela diz lá no início faz sentido: quanto mais eu não sei nada, mais eu invento.

E é engraçado, ela continua, como a gente sempre dá um jeito de tornar tudo tão plausível, como a gente sempre dá um jeito de tornar tudo tão de verdade quando tudo é tão faz-de-conta. Sabe, eu acho que todos nós nascemos grandes mentirosos...

Eu suspiro e aceito. Porque, afinal, que mais eu posso fazer a não ser aceitar que ela está aqui bem na minha frente, e que eu não faço idéia do lugar pra qual ela vai depois? Faz apenas trinta e sete minutos que estamos conversando. Faz apenas trinta e sete minutos que nos conhecemos, e, para minha surpresa, me percebo apaixonado por ela.

Merda!

De onde foi que ela veio?
Pra onde é que ela vai me levar?

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