quinta-feira, 10 de setembro de 2009

floating like a cannonball

Descobriu o que sentia ao receber um beijo na testa ao som de um "amo você" sussurrado. Descobriu que gostava dele e que ele iria embora logo, não só do ônibus, não só naquele momento, mas em outro momento também, e talvez de forma definitiva - pelo menos a versão que ela conhecia. Talvez o encontrasse de novo, algum tempo depois, mas não seriam mais os mesmos, tinha certeza.

Descobriu o que sentia, mas sabia que não mudaria nada. Sabia que saber nunca mudava nada. Disse que gostava dele, mesmo assim. Só não disse que o amava porque sabia que ele decidiria ir embora no final, então optou por sinônimos como "não consigo imaginar minha vida sem você" ou "estou disposta a namorar contigo, te colocar na minha vida de um jeito que eu não fiz com ninguém antes. e é sério. e você sabe o que isso significa pra mim" - talvez fosse o suficiente. Queria que fosse o suficiente. Não queria dizer "eu amo você", pra depois ouvir um "eu também", pra depois ele virar as costas e ficar com ela - a outra -, como sabia que ele faria. Queria que fosse o suficiente, que ele entedesse, na mesma medida em que queria que ele ficasse.

Se arrumou mais do que o normal. Queria estar bonita, realmente bonita, quando ele viesse conversar com ela. Se arrumou mais do que o normal porque depois que ele dissesse que não ia acontecer, queria estar bonita pra se olhar no espelho e dizer pra si mesma que não estava tão mal assim, mesmo que por dentro estivesse na mais completa merda. Se arrumou pra levar um fora do cara que descobriu gostar ao receber um beijo na testa ao som de um "amo você" sussurrado - lamentou pelas noites no Arpoador que eles não tiveram depois daquela. Ficou com um nó na garganta até o último minuto - até que ouviu.

Ouviu dele o pior discurso que alguém que está sendo deixado, nessas circunstâncias, pode ouvir "eu gosto de você. você é realmente importante pra mim, eu sinto atração, eu era realmente louco por você. mas não posso fazer isso agora. e preciso dar um jeito de fazer o que eu sinto por você diminuir, porque eu não quero magoar ela. e eu quero ficar com ela. e eu vou apostar nisso agora". E chorou como não chorava há meses, chorou como não chorava por muita gente - mas não na frente dele. Na frente dele, disse, com aquela voz fraca de quem quer e vai chorar, que já sabia. Que já sabia e pronto.

Chorou depois, só. Por saber de tudo, e por fazer de tudo mesmo sabendo que tudo não mudaria nada. Mas é que não podia deixar de tentar, não é? Ela quis que dizer fosse o suficiente, e quis que ele não fosse embora. Nenhum dos dois aconteceu. Mas ela já sabia; ela já sabia que seria assim.

Um comentário:

julya aka nika disse...

ai, que dor .__.
ainda bem que comigo foi diferente.

:* cá