sábado, 8 de agosto de 2009

five colours in her hair

Daí ela estava sentada, distraída vendo uma menina de talvez um ano bater palminhas em cima da mesa, do outro lado do salão. A música que tocava era uma daquelas que todo mundo - menos ela - sabe a letra, coisa com a qual ela não se preocupava, porque nem ouvia a música mesmo, pensava era na garganta que queimava e queimava, e que talvez devesse tomar um daqueles sprays de menta que sempre deixam a língua dormente. Ela pensava na garganta, e na menina batendo palminhas em cima da mesa, do outro lado do salão. Ficou observando os parentes da menina enquanto eles riam das caretas e das risadas contagiantes da criança. E de repente imaginou a pequena já com seus 16 anos, all star de cano longo, cabelos roxos, e um bom gosto pra música que os pais nunca entenderiam - "quem em sã consciência gostaria de ouvir assassinos"? Lembrou que seus amigos não aprovaram o roxo - ou qualquer outra cor legal - quando ela sugeriu, e que eles também achavam estranho o fato dela ouvir uma rainha, lixo e assassinos, mesmo que seu gosto pra música fosse bom. Ela riu dos amigos, e riu da menina que batia palminhas. Pensou que talvez pudesse ser ela fazendo graça pra família, há alguns anos atrás. Divagou um pouco, jogou paciência no celular, e chegou à conclusão de que roxo não era tão ruim, ainda que eles discordassem. Talvez fosse pintar. Certamente faria o piercing e a tatuagem. E pensou de novo que a menina batendo palminhas em cima da mesa, do outro lado do salão, poderia ter sido ela algum dia. Poderia ter sido muita gente algum dia. E algum dia, com alguma sorte, ela também poderia querer pintar o cabelo de roxo e isso não causaria tanto choque; seria apenas legal, como deveria ser desde o início, desde sempre, por que não? Voltou para os jogos de celular, aquele da serpente, agora...

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