sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Eu

estou uma verdadeira bagunça.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

o nono andar da UERJ

Então ele teve uma DR com a garota dele, que não era eu, e eu estava muito satisfeita com isso - o fato de não ser eu. Então eu perguntei se ele queria falar sobre isso, e ele me contou a história toda, finalmente, e eu entendi o distanciamento e fiquei aliviada de não estar perdendo-o, muito embora a garota dele estivesse gritando em seu ouvido sobre o abraço que trocamos um pouco mais cedo - nada mais que minhas mais sinceras condolências à perda dele, que eu posso dizer que conheço, e nada mais do que um ser humano consciente faria por um amigo. Então ele disse que teria de saltar do ônibus pra ver algo sobre uma inscrição, e eu prontamente disse que iria com ele, sem esperar beijos demorados ou um quase-sexo ou um sexo despreocupado. Então subimos nove andares de elevador, resolvemos o que fomos resolver, e paramos para admirar a vista de lá de cima, que consistia numa linha férrea, o anfiteatro da faculdade, mais os dois prédios da faculdade, a avenida lá em baixo, e uma favela atulhada de gente miserável, porém tentando tornar a vida mais decente, as luzes de suas casas e seus barracos como pontinhos brilhantes entre as árvores do pequeno morro, uma espécie de vaga-lumes de mentira.

Falamos sobre a garota dele, falamos sobre a garota que não é minha, falamos sobre a gente, e o quanto a gente se ama, e em como isso nunca daria certo nem em um milhão de anos, mesmo se gostando tanto e se querendo tão bem como a gente se gosta e quer. Falamos sobre como não lamentamos esse fato, falamos sobre a importância dele na minha vida, e a minha importância na vida dele, falamos sobre como aprendemos tanto em tão pouco, e falamos sobre nossos amigo de perto e os de longe - eu falei muito sobre a Júlia; ele falou muito sobre o Igor. Falamos muito sobre o pouco que conhecemos, sobre o muito que queremos conhecer, e falamos então sobre todo o resto. Vimos carros passando lá embaixo, vimos pessoas passando lá embaixo, vimos trens passando lá embaixo. Eu lembrei de mim passando lá em cima, indo encontrar no Rio Grande do Sul aquilo que que faltava para eu ter alguma perspectiva de futuro e uma vontade de ter um futuro longo, ainda que não seja pra sempre - eu não suportaria se fosse pra sempre, talvez. Talvez.

Falamos sobre Agosto, falamos sobre o trabalho, falamos sobre a família, falamos sobre prédios de dezesseis andares e o que eles nos fazem sentir. Falamos sobre cores de cabelo e sobre amor à primeira vista. Falamos sobre o acaso, sobre como as coisas se ajeitam, falamos sobre tudo o que tivemos de passar para estar ali, parados naquele andar, como se aquele fosse o topo do mundo e como se todas as coisas das quais falamos e que desejamos fosse acontecer em três... dois... Falamos sobre um pouco de tudo e sobre um pouco de todos.

Falamos sobre nossas vidas, e, enquanto a chuva caía fininha, vimos que isso era bom.


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

do reconhecimento

Acho uma pena quando as pessoas desistem de falar sobre seus medos para que não tenham de se sentir tolas. Acho uma pena que seja até normal as pessoas que se sentirem tolas por causa disso.

Talvez tenhamos todos algo em comum.

lumos

cah .i knew after three seconds diz:
eu senti como se estivesse fazendo uma questão de matemática.

eu sabia a resposta, já havia feito aquilo várias e várias vezes, copiado a fórmula e aplicado. eu sabia e era isso. mas daí, daí veio a epifania e eu realmente entendi o porquê da fórmula, dos números e daquela aplicação.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

catarse

Não era infeliz. Tinha bons amigos, uma boa casa, um trabalho razoável, e uns bons sonhos. Não era infeliz, e apagava a luz do quarto somente às 2h da manhã, às vezes às 4h, pensando com uma certa frequencia que talvez os vizinhos da frente pudessem ficar incomodados ou se sentir curiosos por conta da janela acesa. Mal sabia ela, porém, que os vizinhos não ficavam coisa alguma - nem incomodados, nem curiosos. Vá, talvez alguém se perguntasse, numa dessas idas ao banheiro no meio da madrugada, que diabos alguém faria acordado àquela hora, mas como não era sempre que acordavam para ir ao banheiro no meio da madrugada, não era sempre que se perguntavam coisas do tipo.

Não era infeliz. Mas noite após noite ficava até às 2h da manhã, às vezes até às 4h, escrevendo desesperadamente sobre a felicidade de gente saída de sua cabeça - talvez de seu peito e de sua memória. Noite após noite estava ela sentada, em frente ao computador ou a um caderno gasto, tecendo histórias onde o rapaz sentia que poderia fazer amor em Amsterdã com a menina ao lado, tecendo histórias onde uma menina estudante de Artes se descobre apaixonada e correspondida pela amiga, tecendo histórias onde a vida é mesmo muito boa, e ela, ele, todos acabam se encontrando uns nos outros.

Não era infeliz. Mas, inegavelmente, tudo o que escrevia estava intimamente relacionado ao que desejava desesperadamente para si. Mas, inegavelmente, escrevia toda a sua vontade de ser feliz - assim.

síntese



# só tenho medo de não ser correspondida.

domingo, 16 de agosto de 2009

espaços

É algo que acontece às vezes, quando planejo pegar o ônibus da linha 711 pra vir dormindo, e então cinco segundos e meio depois atravesso a rua para pegar o ônibus do metrô; ou então, pode acontecer quando vou até a farmácia comprar creme para pentear, e saio de lá com um shampoo na sacola.

Não é que eu tenha mudado de idéia, mas é que eu ando esquecendo coisas.

Tem sido chato.


exclamação

MAS AMOR DE PICA É FODA, HEIN!

sábado, 15 de agosto de 2009

às vezes


sinto como se tudo estivesse fora de alcance.


quinta-feira, 13 de agosto de 2009

it ended with a chair

Aos 14 anos fizemos planos de morar juntas. Dividir um apartamento para cinco, em algum lugar da Tijuca ou do Centro - verdade é que não tínhamos muita noção do lugar no qual moraríamos, como seria a mobília, ou se seria no décimo terceiro andar de um prédio. Não pensamos em absolutamente nenhum tipo de detalhe, pensamos apenas no que parecia ser mais importante, e o mais importante era que moraríamos juntas, simples assim.

Lembro que a outra parte do plano consistia em fazer dos meninos os nossos vizinhos. Algo parecido com FRIENDS, parando agora pra pensar - embora do grupo só eu tenha acompanhado a série -, onde nos imaginávamos sempre uns na casa dos outros, comendo uma pizza ou jogando algum jogo de tabuleiro.

Parecia divertido, naquela época. E fácil, também, mas agora me pergunto o que não é fácil quando se tem 14 anos e se está no primeiro ano do segundo grau; quando não se tem absolutamente nenhuma noção do que será da sua vida dali a cinco anos, e com um sem número de oportunidades e possibilidades.

Parecia divertido, naquela época. E acho sinceramente que continua parecendo, cinco anos depois, enquanto estou presa em um engarrafamento ao lado da rodoviária.

Não me incomoda o fato de não ter acontecido, dos planos não terem nem chegado perto de dar certo. Só acho triste constatar que, hoje, uma delas acharia a idéia tola, infantil, e sem propósito.

Era a gente, era só pra ser divertido...

terça-feira, 11 de agosto de 2009

sábado, 8 de agosto de 2009

five colours in her hair

Daí ela estava sentada, distraída vendo uma menina de talvez um ano bater palminhas em cima da mesa, do outro lado do salão. A música que tocava era uma daquelas que todo mundo - menos ela - sabe a letra, coisa com a qual ela não se preocupava, porque nem ouvia a música mesmo, pensava era na garganta que queimava e queimava, e que talvez devesse tomar um daqueles sprays de menta que sempre deixam a língua dormente. Ela pensava na garganta, e na menina batendo palminhas em cima da mesa, do outro lado do salão. Ficou observando os parentes da menina enquanto eles riam das caretas e das risadas contagiantes da criança. E de repente imaginou a pequena já com seus 16 anos, all star de cano longo, cabelos roxos, e um bom gosto pra música que os pais nunca entenderiam - "quem em sã consciência gostaria de ouvir assassinos"? Lembrou que seus amigos não aprovaram o roxo - ou qualquer outra cor legal - quando ela sugeriu, e que eles também achavam estranho o fato dela ouvir uma rainha, lixo e assassinos, mesmo que seu gosto pra música fosse bom. Ela riu dos amigos, e riu da menina que batia palminhas. Pensou que talvez pudesse ser ela fazendo graça pra família, há alguns anos atrás. Divagou um pouco, jogou paciência no celular, e chegou à conclusão de que roxo não era tão ruim, ainda que eles discordassem. Talvez fosse pintar. Certamente faria o piercing e a tatuagem. E pensou de novo que a menina batendo palminhas em cima da mesa, do outro lado do salão, poderia ter sido ela algum dia. Poderia ter sido muita gente algum dia. E algum dia, com alguma sorte, ela também poderia querer pintar o cabelo de roxo e isso não causaria tanto choque; seria apenas legal, como deveria ser desde o início, desde sempre, por que não? Voltou para os jogos de celular, aquele da serpente, agora...