terça-feira, 9 de junho de 2009

drink

A música mal começa e ele a reconhece. Guitarra, guitarra, vocal, guitarra, bateria. É só o que ele consegue identificar, depois do quinto ou sexto coquetel da noite. Cosmopolitan, Martini Dry, Pinha Colada, Paradise, Sex on the Beach, Orgasm. Tantos nomes em inglês, e tão cedo. Pouco mais de uma da manhã. Vinho tinto o dia inteiro. Vontade de vomitar as cores e sílabas que tomou e está ouvindo.

A banda é boa, ele pensa, vocal, vocal, vocal, mas na voz do Vedder ainda é melhor. Ele cantarola um pouco, oh, and twisted thoughts that spin round my head, ele ri sozinho, i'm spinning, oh, i'm spinning, ele pede outro nome em inglês, e Bloody Mary merece letras maiúsculas. Ele quer vomitar todas as bebidas do dia, todo aquele álcool, toda aquela queimação e todas as suas entranhas. Jogar tudo pra fora, se livrar da sensação ruim, da ânsia ruim, do dia ruim com um gosto ruim na boca. Masoquista por uma noite, e a noite ainda nem começou. Mas enquanto Mary não vem, tattooed all i see, all that i am, all i will be, ele pede Gim puro. A garganta queima, but why, why, why can't it be, can't it be mine, os olhos ardem, e podia ter terminado com Orgasm, mas ele quer vomitar sua existência.


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